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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

09.03.13

(...)


a dona do chá

Ternura | Vinícius de Moraes

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
                                                                                   [ extático da aurora.

29.12.12

(marcado pela paixão)


a dona do chá

Eu nasci marcado pela paixão

 Eu nasci marcado pela Paixão, Pedro, meu filho... 

E porque por ela nasci marcado, a ela me entreguei sem remissão desde menino, e o primeiro gesto que fiz foi buscar um seio de Mulher...

 

Vinícius de Moraes

--

[ Durante esta semana relembrei várias vezes deste pequeno poema de Vinícius. Por muito que eu leia e me distraia da vida, acabo por sempre cair nele. Ele, Neruda e Sophia. Mas esta semana, foi ele quem me perseguiu; e este poema. Nascemos, de facto, marcados pela paixão? ]

--

Conheça mais sobre o poeta Vinícius de Moraes aqui.

16.12.03

O coração é um órgão de fogo. (4)


a dona do chá

« Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos manchados de terra
Dá-me o teu antigo paletó sujo de ventos e de chuvas
Dá-me o imemorial chapéu com que cobrias a tua paciência
E os misteriosos papéis com que teus versos inscreveste.

Meu pai, dá-me a tua pequena chave das grandes portas
Dá-me a tua lamparina de rolha, estranha bailarina das
[insônias
Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos. »

Vinícius de Morais

26.09.03

Poetinha. (2)


a dona do chá

SE O AMOR PUDESSE
Vinicius de Moraes / Marília Medalha

Se o amor pudesse de repente compreender
Toda a loucura que um amor pode conter
Se ele pudesse, num momento de razão
Saber ao menos quanto dói uma paixão
Quem sabe o amor, ao descobrir a dor de amar
Partisse embora para nunca mais voltar
Mas me parece que uma prece ia nascer
Na voz daqueles que o amor mais fez sofrer
A lhe dizer que vale mais morrer de dor
Do que viver num paraíso sem amor

11.08.03

Poetinha.


a dona do chá

Aprecio bastante a poesia de Vinícius de Moraes.
E quando falo de poesia incluo, para além dos seus poemas, as suas músicas.
Posso dizer que é um dos poetas do meu coração.

A Música das Almas

Na manhã infinita as nuvens surgiram como a loucura numa alma
E o vento como o instinto desceu os braços das árvores
que estrangularam a terra...

Depois veio a claridade, os grandes céus, a paz dos campos...
Mas nos caminhos todos choravam com os rostos levados para o alto
Porque a vida tinha misteriosamente passado na tormenta.

Vinícius de Moraes

A desolação dos últimos dias, dos incêndios que têm assolado o país, trespassaram a minha mente ao reler este poema.
Espero que finalmente consigamos ver que a vida passou pela tormenta...mas conseguiu sobreviver.