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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Dos abraços e da saudade

16.09.15, a dona do chá
Esta saudade que arrasta o coração para o terreno da inconformidade. O que seria excelente: estar perto e dentro de um abraço apertado.  Os dias passam. O tempo percorre esta longa estrada. Quando te dás conta, somas anos e décadas. É assim a ordem natural das coisas. Passas a ter uma série de episódios arrumados na gaveta das memórias e, meio que sem querer, passas a visitar com frequência essa mesma gaveta. Não há problema nenhum nisso. Recordar é tornar presente um (...)

(ontem, 5 meses. hoje, 78 anos)

30.09.13, a dona do chá
Ontem completaram 5 meses da tua ausência. Ainda não consigo acreditar. ***   Hoje farias 78 anos. Saudades de ti, neste dia chuvoso. Saudades de ti, todos os dias.

(três)

29.07.13, a dona do chá
Há três meses atrás, por esta altura do dia, tu davas o teu último suspiro de vida. É verdade que a vida continuou e continua, que o sol não desapareceu nem os dias deixaram de suceder às noites. E é também verdade que, gradualmente, poucas pessoas se lembrarão de ti.    Amar-te-ei para sempre não por teres sido o meu herói, mas por ter sido uma pessoa carregada de virtudes e defeitos. Por isso, humano. Tudo e todas as coisas à tua volta foram ensinamento para mim. O dito (...)

(por causa da neblina e de um ponto luminoso escondido no céu)

27.11.12, a dona do chá
Acordei a pensar nas saudades que eu tenho do calor, da descontração, de usar bermudas jeans e havaianas nos pés, dos dias longos, do som das cigarras, do céu lilás dos fins de tarde, do barulho do mar, da maresia, de dançar sem pensar, do prazer da água fria, do cheiro a pinheiros e a eucalipto e a querer que a eternidade tivesse as cores e os aromas do Verão. De repente, sinto-me irremediavelmente criança e sem as amarras do quotidiano. Jovem e livre.

(a queda das cores)

19.09.11, a dona do chá
Ela vai sozinha, de preto e perseguida pelo silêncio ensurdecedor da morte. Dantes ele ia ao seu lado. Mãos dadas. Tantos anos e ainda permaneciam de mãos dadas. Faziam caminhadas e sentavam-se num banco de jardim simplesmente a ver a vida que construíram a passar diante dos olhos. Esta era a vida. Eram dias de partilha e mãos unidas. Um só olhar. Os filhos vieram, os filhos foram cada um para o seu lado e eles dois permaneceram. Unidos. Enfrentavam cada dia como parte deste percurso (...)

( a distância e o amor )

14.04.11, a dona do chá
"são 00:42, a minha razão não me deixa escrever com a tua razão. o que se passa é o seguinte, passamos horas do nosso dia sem nos vermos, sentimos falta um do outro, mas a razão atrapalha. temos vivido alguns dias de muito "tu", de muito "eu", mas na verdade os dias que eu mais gosto são os "nós".não percebo o que se passa, será que sou eu que sou impaciente ou és tu? lá está, voltamos ao eu e tu,  e porque não somos nós? Nós somos impacientes, nós cometemos erros, nós (...)

( o calor e a memória )

07.04.11, a dona do chá
  Está um calor invulgar para este tempo e involutariamente lembro-me de outras paragens. Lembro-me do calor do Rio. A memória voa pelos rostos do meu irmão, da minha cunhada, sobrinhos, primas, padrinhos e amigos. A memória tem esta característica de nos fazer voar e reviver. A memória tem esta coisa boa que é fazer o coração bater mais rápido e rugir impiedosamente. A memória, por (...)

( crónicas do Rio 2 )

13.01.11, a dona do chá
A despedida começa no momento da chegada. Dentro daquele misto de ansiedade, expectativa e euforia da chegada, há um pequeno instante de consciência da verdade: de que a alegria da chegada em breve dará lugar a dor da despedida.  Uma verdade outrora cantada pelo Poeta. Naquele breve momento de encontro de olhares e de reconhecimento de rostos tão queridos, sabemos de antemão que haverá o desencontro.   Três dias antes da partida, este conhecimento torna-se tão latente e tão (...)

(maravilhosa)

22.12.10, a dona do chá
O dia foi lento. A lembrança dela tem me acompanhado. Tem estado comigo. Tenho pensado bastante nela. Cada vez mais. Soa-me a sua gargalhada. Parece que ainda ouço as suas palavras. É estranho, é muito estranho. Não entendo muito isto da ausência. Farto-me de escrever sobre isto. Sobre este efeito da passagem do tempo. Parece que foi ontem. Parece que foi há um século. Parece que nada aconteceu. O peso do facto  permanece. Parece que vejo-lhe os olhos. Atentos e inteligentes. (...)

Vestígios de casa. (3)

21.10.03, a dona do chá
Somente após o apelo das cigarras, é que a tarde começava a cair. No ar hesitava um cheiro meio acre a mornidão. Um fim de dia se firmava na lua, tímida palidez no céu. Primeiro uma, depois duas, no minuto seguinte eram milhares de cigarras. As cantoras invisíveis, habitantes da vegetação densa. A pele respira este apelo das cigarras, de que a noite em breve vem, de que o dia deixou de ser. Lentamente. Sentada no muro do terraço assistia a tudo isso impávida. Pés descalços a (...)