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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

A propósito de não se gostar do que tudo mundo gosta.

15.02.16, a dona do chá
Um dia o inevitável momento acontece:  sentir-se só, em cima do palco, com a luz a dar directamente contra os olhos e tudo o que se enxerga é penumbra e sombras. Desconforto, imobilidade e exclusão. Há sempre um preço a pagar pela autenticidade. E este é um excelente legado e lição para transmitir ao meu filho.   

Não pode ser.

23.06.15, a dona do chá
Não pode ser. O pensamento antes da queda. A incerteza da antecedência. Não, não pode ser. A pausa iluminada pela ausência de som e de momento. Uma contagem sem fim do desconhecido. Não, não pode mesmo ser. Há uma totalidade de inacreditável, de intangível e de mornidão. Lágrimas, angústia, espera, descompasso, esperança e o sabor amargo da impotência. Perder. Não pode ser. Eu daria a minha vida por ti. Mas, não, não pode ser.

Doença.

18.06.15, a dona do chá
A compreensão da imperfeição é iluminada pela certeza da falibilidade. O senso de justiça, para si e para os outros, entra em erupção e transborda pelas veias do quotidiano. Não há nada a fazer quando não há nada a ser remediado. Quando um vaso é quebrado, os seus cacos nunca poderão ser reconstituídos à condição inicial. O problema não está na imperfeição, nem na fabilidade. O que importa alcançar é o foco (da doença?).

Pensamento solto.

16.06.15, a dona do chá
Assim, meio sem querer, o pensamento ganha as suas próprias asas e torna-se independente. Segue um rumo ao qual não lhe dedico muita atenção. Entre uma tarefa e outra, posso ouvi-lo. Lavo um prato e enxugo um prato e lá vai ele, pensamento, em corrida simples. Deixo-o andar, ele é uma criança: precisa do seu espaço. 

Recordações anónimas.

15.06.15, a dona do chá
Esta inútil consciência de que os gestos não são suficientes e de que cada dia reserva lugar ao imprevisto. É um movimento involuntário de desencontro entre as horas silenciosas em meio ao ruído circundante e um número de coisas sem sentido. Perseguir os segundos para refazer uma série de minutos. Despender cada volume de tempo para cumprir o dia até que venha a noite. Um tic-tac, uma contagem invisível e as nuvens raiadas de cinzento que ocupam cada azul do céu. É audível (...)

(Sobre a gestão do tempo)

11.06.15, a dona do chá
Intriga-me o facto das pessoas julgarem que se consegue tempo para tudo. Por outro lado, revolta-me um pouco que quem não consiga igual façanha seja julgado como ineficaz. Preguiça e desorganização geralmente são os motivos apontados para explicar essa ineficácia. "Páre de arranjar desculpas e vá a luta", dizem.  E, se por acaso, uma mulher tem filhos, ela tem de ter o dom da magia de transformar as 24 horas do dia em 72 horas.    

(breves)

17.03.15, a dona do chá
Este está a ser um inverno rigoroso para o baby H. e, por consequência, também para mim. Volta e meia, lá ficamos doentes. Estação que desgosto, o Inverno é cada vez mais um tempo que anseio que passe depressa. Está quase...   -- Preciso ler e escrever mais... Sinto que estou a desaprender. Preciso comprar uma boa gramática e praticar.  -- Quando vejo as magnólias, nasce em mim uma enorme alegria. As cores suaves, o perfume pelo ar, os dias maiores e ensolarados - uma (...)

(Programação Normal)

15.09.14, a dona do chá
Depois de uma semana extremamente difícil, com o baby Hugo doente, retomo a vida quotidiana um pouco cansada e com uma lição bem assimilada: não há nada pior do que ver o nosso filhote a sofrer.

(mais do que ultrapassado)

18.07.13, a dona do chá
As pessoas estão a usar roupas num esquisito e indefinido tom entre rosa e o laranja fluorescente. Deve estar na moda. Aceito que "gostos não se discutem" mas há certas tendências que deveriam ter ficado bem enterradas nos anos 80. Ou seja, no século passado.