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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

29.12.12

(marcado pela paixão)


a dona do chá

Eu nasci marcado pela paixão

 Eu nasci marcado pela Paixão, Pedro, meu filho... 

E porque por ela nasci marcado, a ela me entreguei sem remissão desde menino, e o primeiro gesto que fiz foi buscar um seio de Mulher...

 

Vinícius de Moraes

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[ Durante esta semana relembrei várias vezes deste pequeno poema de Vinícius. Por muito que eu leia e me distraia da vida, acabo por sempre cair nele. Ele, Neruda e Sophia. Mas esta semana, foi ele quem me perseguiu; e este poema. Nascemos, de facto, marcados pela paixão? ]

--

Conheça mais sobre o poeta Vinícius de Moraes aqui.

13.11.12

(de vez em quando esbarro na perfeição)


a dona do chá

i carry your heart with me(i carry it in my heart)

e.e. cummings

i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear;and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
                                                      i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)

11.02.04

(...)


a dona do chá

« Não acabarão com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme
fiel
e verdadeiramente. »

Maiakovski

09.02.04

No fundo da gaveta.


a dona do chá

Enterra os dedos na terra,
Arranha a superfície formando fileiras
As unhas, lâminas afiadas pelo tempo
E o corpo, o próprio arado em evolução.

Deixa o suor cair nos galhos fortes
que as veias desenham em teus braços,
- liquefazem um caminho denso.
Sacia cada grão frutificado.

E quando o dia cair e o sol desmaiar
De cansaço, aos teus pés
Levantarás as costas doloridas
pela violência fingida,
e arrebatarás a posse com tuas mãos calejadas da lida.

Nesse momento serás o ser liberto.
O elemento que renasce após a dor.

Florescerás.

05.02.04

Despedida.


a dona do chá

« Na morte não poderia ser diferente. A escritora Hilda Hilst jogou-se de corpo inteiro, assim como na vida e na arte. Ontem de madrugada, Hilda teve falência múltipla de órgãos, em decorrência de complicações numa cirurgia para redução de fratura de fêmur. » JB ( 05.02.04 )


« Isso de mim que anseia despedida
(Para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor. Nem é celeste
Ou terreno. Isso de mim é marulhoso
E tenro. Dançarino também. Isso de mim
É novo: Como que come o que nada contém.
A impossível oquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.

Não tem nome de amor. Nem se parece a mim.
Como pode ser isso? Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro. »

Hilda Hist, "Cantares do Sem Nome e de Partida"

16.12.03

O coração é um órgão de fogo. (4)


a dona do chá

« Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos manchados de terra
Dá-me o teu antigo paletó sujo de ventos e de chuvas
Dá-me o imemorial chapéu com que cobrias a tua paciência
E os misteriosos papéis com que teus versos inscreveste.

Meu pai, dá-me a tua pequena chave das grandes portas
Dá-me a tua lamparina de rolha, estranha bailarina das
[insônias
Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos. »

Vinícius de Morais

28.11.03

Ler um poema - enquanto o sono não chega... (3)


a dona do chá

Não Dizia Palavras

« Não dizia palavras.
Apenas aproximava um corpo interrogante,
Porque ignorava que o desejo é uma pergunta
Cuja resposta não existe,
Uma folha cujo ramo não existe,
Um mundo cujo céu não existe.

Entre os ossos a angústia abre caminho,
Ergue-se pelas veias
Até abrir na pele
Jorros de sonho
Feitos carne interrogando as nuvens.

Um contacto ao passar,
Um fugidio olhar no meio das sombras,
Bastam para que o corpo se abra em dois,
Ávido de receber em si mesmo
Outro corpo que sonhe;
Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
Iguais em figura, iguais em amor, iguais em desejo.

Embora seja só uma esperança,
Porque o desejo é uma pergunta cuja resposta ninguém sabe.


Luis Cernuda