Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

80 Anos.

30.09.15, a dona do chá
Tenho saudades das mãos. Elas transmitiam segurança. Os dedos eram longos e as unhas bem desenhadas. Mãos que trabalharam a vida toda. Mãos que corrigiram e que acarinharam. Mãos, as tuas mãos. Mesmo maltratadas, eram mãos que conheceram muitos abraços. Há um profundo vazio onde deveria estar o teu abraço e o andar de braço dado contigo pela rua. Até ao fim, custou-me largar as tuas mãos. Tenho saudade do sorriso. Era um torcer o canto da boca enquanto os olhos acompanhavam o (...)

(ontem, 5 meses. hoje, 78 anos)

30.09.13, a dona do chá
Ontem completaram 5 meses da tua ausência. Ainda não consigo acreditar. ***   Hoje farias 78 anos. Saudades de ti, neste dia chuvoso. Saudades de ti, todos os dias.

(três)

29.07.13, a dona do chá
Há três meses atrás, por esta altura do dia, tu davas o teu último suspiro de vida. É verdade que a vida continuou e continua, que o sol não desapareceu nem os dias deixaram de suceder às noites. E é também verdade que, gradualmente, poucas pessoas se lembrarão de ti.    Amar-te-ei para sempre não por teres sido o meu herói, mas por ter sido uma pessoa carregada de virtudes e defeitos. Por isso, humano. Tudo e todas as coisas à tua volta foram ensinamento para mim. O dito (...)

(breves)

13.07.13, a dona do chá
Acordar, trabalhar e dormir cansada. A vida tem sido tão igual apesar da realidade ter sido modificada. Confesso-me cansada, com uma pontada de desânimo. O ano vai a meio e vai ser mais um ano sem descanso. Férias, então, nem pensar. Novamente.    -- Também confesso-me cansada dos discursos pessimistas, "isto vai cá uma crise" e "isto a tendência é piorar". De igual forma, já causa fastio o discurso optimista "tudo se vai resolver" e "não podemos peder a esperança". E um (...)

(29 de Abril)

18.05.13, a dona do chá
"Limpará de seus olhos toda a lágrima e não haverá mais morte; nem haverá tristeza, nem choro nem dor. Tudo isto pertence, para sempre, ao passado." Apocalipse 21:4

(...)

17.05.13, a dona do chá
[1935-2013] Sem querer, espero ouvir a tua voz. Ouvir o teu respirar. Ouvir-te, simplesmente. Mas tu já não estás cá e a tua ausência é esmagadora.  

O coração é um órgão de fogo. (6)

27.12.03, a dona do chá
A tua ausência foi uma experiência de profunda estranheza. O silêncio perdurava e afligia-me. Não queria este tipo de silêncio. Até as pequenas coisas que sempre me causaram irritação, faziam-me falta. Como quando me chamavas por tudo e por nada: - Ó minha filha, onde estão as minhas chaves? - Estão no lugar de sempre, pai. - Não estão nada...(!) - Estão sim. Então, eu confirmava que as chaves estavam no mesmo lugar. Tu rias, com sorriso maroto. O que tu realmente (...)

O coração é um órgão de fogo. (5)

27.12.03, a dona do chá
Não nos ensinaram a enfrentar estas situações e, apesar de todas as coisas pelas quais já passamos, esta é uma situação completamente nova. Não sabia como iria reagir. Não sabia como seria ver-te numa cama de hospital. Estava receosa. Tinha medo que as minhas emoções fossem incontroláveis. Agora sei. Sei que não foi fácil. Mais uma vez, vi o medo a passar pelos teus olhos. Vi que as tuas esperanças se dissipavam, como se caminhasses por uma estrada sem volta. Ou como se (...)