Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

16.09.15

Dos abraços e da saudade


a dona do chá

Esta saudade que arrasta o coração para o terreno da inconformidade. O que seria excelente: estar perto e dentro de um abraço apertado. 

Os dias passam. O tempo percorre esta longa estrada. Quando te dás conta, somas anos e décadas. É assim a ordem natural das coisas. Passas a ter uma série de episódios arrumados na gaveta das memórias e, meio que sem querer, passas a visitar com frequência essa mesma gaveta. Não há problema nenhum nisso. Recordar é tornar presente um sentimento de constância. 

Hoje, mais do que nunca, sei que estar presente fisicamente não significa em nada ter/receber mais afecto. Hoje, mais do que nunca, sei de onde vem o amor. Então mesmo que exista um oceano de distância, que existam obstáculos e que a vida nos afaste, mesmo assim, o amor está lá. Vivo, real e presente. E, por tudo isso, qualquer outra coisa menor, triste ou má se desvanece diante desta grande verdade.

 

23.06.15

Não pode ser.


a dona do chá

Não pode ser. O pensamento antes da queda. A incerteza da antecedência. Não, não pode ser. A pausa iluminada pela ausência de som e de momento. Uma contagem sem fim do desconhecido. Não, não pode mesmo ser. Há uma totalidade de inacreditável, de intangível e de mornidão. Lágrimas, angústia, espera, descompasso, esperança e o sabor amargo da impotência.

Perder. Não pode ser.

Eu daria a minha vida por ti. Mas, não, não pode ser.

14.07.14

(Três Corações | 2)


a dona do chá


Impressões sobre a gravidez


O 1º trimestre passou a voar. Andei letárgica. Todos falavam, davam parabéns, conselhos e os habituais "deves fazer isso, deves fazer aquilo".

Tudo isto encarei como sendo uma postura normal. Todos queriam ajudar. Esta foi a parte mais positiva de toda a gravidez, o facto das pessoas quererem ser solícitas e ajudar no que fosse preciso. 

A realidade é que eu estava completamente aérea. Não parecia real, nem a morte nem a vida.

O grande momento destes primeiros três meses foi a primeira ecografia. Esperava chegar lá e ouvir o médico dizer que tinha havido um engano e que eu não estava grávida. Ou então apenas ver um pontinho indistinto. Mas não. Lá estava ele, um feijãozinho bem nítido, bem desenhado e, aos meus olhos, um desenho perfeito. Ouvir-lhe o coração a pulsar. Aos meus ouvidos foi um som ensurdecedor. Um som de vida. E algo dentro de mim desatou a correr pela garganta acima. Chorei. Chorei descontroladamente. De mãos dadas com o G. que também chorava. 

Foi, sem dúvida, um momento de viragem. Foi a partir daquele momento que passei a sonhar.

05.04.14

(Três Corações | impressões sobre a maternidade | 0)


a dona do chá

(imagem retirada daqui)

 

Há alturas em que não se consegue deixar de escrever e noutras parece ser impossível. Não por falta de vontade. Simplesmente permanece assim um frémito de viver absolutamente imponderável. Uma incapacidade de colocar em linhas o que parece ser um turbilhão. Ao longo do ano que passou até agora passei muitas vezes pela necessidade de esmiuçar o que os meus olhos estavam a ver e o que o meu coração estava a sentir. Amiúde conseguia enxergar as letras e as palavras a caírem como gotas de chuva enquanto caminhava. Sem saber explicar bem, eu vestia um impermeável e abria o guarda-chuva - mesmo em dias ensolarados - e deixava-as tombarem no chão. Conseguia ler os textos que perseguiam os meus pés. Porquê não os levantei do chão? Porquê não lhes estendi a mão? Porquê não os carreguei nos braços?

Aparentemente, mostro-me impiedosa com os meus próprios pensamentos e sentimentos; como se renegasse o parentesco às minhas próprias palavras.

Não foi um acto de crueldade. Acabei por pretender uma pausa fundamental. Compreendo agora que a necessidade de viver, de ver, de depurar, de sentir, de entender e de não entender, de estar à margem era superior à acção de registar cada palavra que me surgia diante dos olhos. Às palavras a dançarem diante dos meus olhos e aos textos que pulsavam na minha mente, pedi gentilmente que esperassem com paciência. Tudo tem o seu tempo e hora adequada.

Às 37 semanas e 2 dias de gestação estava de pé, de guarda-chuva aberto, com as letras a pingarem aos meus pés. É verdade, que tinha algumas impressões registadas e alguma vontade de transcrevê-las. Pequenas frases. Mas somente agora fecho o guarda-chuva, dispo o impermeável e sinto-me preparada para regressar ao conforto de escrever: expressar o que tem sido a perda do meu pai e a alegria da maternidade.

08.10.12

(não foram férias nem foram flores)


a dona do chá

Dias em tom de ferrugem. Dias breves, rápidos e áridos. É o teu rosto e o teu sorriso que me fazem emergir. Fazes-me sentido. Fazes. Fazes falta quando os olhos dirigem-se para o outro lado de rua. Folhas encardidas de pó e de tempo. Folhas que rodopiam ao pé dos teus passos. Fazes com que a dança das folhagens ganhem vida e som. O dia te abraça e fazes com que faça sentido. O dia nos separa e faz sentido que isso aconteça para que o teu regresso tenha um sentido maior. 

Estes dias, fazes-me ser mais do que eu poderia pensar. 

31.07.12

(flutuar)


a dona do chá

Despeço-me de ti com adeuses entre os olhos e flutuo em rumo ao dia. Despeço-me e penso que o dia deveria ter menos horas e que as noites deveriam ser infinitas. Despeço-me e quero levar em mim o macio de tua pele. Não quero a lembrança do teu beijo, quero-o de facto. O dia amanhece, as ruas estão cheias, as pessoas passam e falam e riem e correm. O dia está assim maduro e pleno de actividade. O dia impõe que estejamos alertas e que cumpramos os nossos deveres. Viver o dia é importante. Trago em mim, porém, a esperança do teu sorriso e do teu olhar que se levantará para me saudar após a porta fechar-se.

 

"Como foi o teu dia?"

 

Dar-te-ei o meu melhor sorriso. Um beijo. Tu completarás o meu dia.