Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

08.02.16

Leituras de Janeiro.


a dona do chá

Na primeira quinzena do ano terminei a leitura de "Os Miseráveis" e tenho a dizer que foi INCRÍVEL. Tenho andado a "rascunhar" um texto sobre a obra mas tem sido difícil colocar em palavras a experiência de leitura deste livro que, sem sombra de dúvida, foi o melhor que eu li até hoje. Como falar de algo que é perfeito? A minha opinião diante deste livro parece ser algo minúsculo e insignificante. E o "pós-leitura" de "Os Miseráveis"...? Como conseguiria ler algo que chegasse aos pés desta obra? Conclui rapidamente que teria de algo bem diferente para poder ultrapassar esta ressaca. Uma decisão com bom resultado. Dediquei-me, então, a ler "Receitas de Amor para Mulheres Tristes" de Hector Abad Faciolince e outros dois livros da Elizabeth Gilbert: o "Comprometida" e "Grande Magia".

Em Janeiro também comecei a releitura de Jane Austen com "Razão e Sentimento" (sim, optei pela tradução brasileira), algo que tenho feito pausadamente - trata-se de uma releitura a ser degustada lentamente. Também comecei a ler juntamente com uma amiga "As Meninas" de Lygia Fagundes Telles;  está em andamento e tem sido complicada. São, a autora e esta obra, extremamente elogiadas mas realmente já pensei em desistir inúmeras vezes porque não tenho sentido qualquer empatia ou ligação ao livro. Para já, estou a persistir.

12.12.03

Lombadas. (3)


a dona do chá

O meu coração rejubila de alegria. Vi livros novos na Biblioteca Municipal (como já referi anteriormente, é um facto pouco usual). Minhas preces foram ouvidas... Requisitei dois livros: "A Rainha do Sul" (Arturo Pérez-Reverte) e o "O Afinador de Pianos" (Daniel Mason). A minha dúvida era: qual devo ler em primeiro lugar? (Este é um luxo pouco frequente, portanto, desfrutei-o enquanto pude).
Optei pelo Pérez-Reverte.

19.09.03

Sementes. (1)


a dona do chá

Esta semana perdi-me em alguns pensamentos. Lembranças de infância, fotos cravadas na memória, os primeiros anos de estudante. Isto acontece-me frequentemente em fases em que tenho de tomar decisões ou concretizar acções. Desta vez, um factor, posso dizê-lo, meio ridículo pesou.
Aconteceu-me, na semana passada, de acidentalmente pousar os olhos no ecrã da televisão. Estava a passar um filme na RTP 2. Não consigo lembrar em que dia foi. Era um filme baseado num livro de Frances Burnett que narra as aventuras e desventuras da pequena Sara Crewe. Vi metade do filme. «A Pequena Princesa» - este é o nome do livro - foi o primeiro livro que eu li, antes mesmo de saber ler. A minha mãe tinha este livro guardado na estante e eu gostava de folheá-lo. Eu tinha uma absoluta fascinação pela ilustração nela contida. Sendo uma edição muito antiga, tinha ilustrações a preto e branco e eu cheguei a colorir as mesmas. Lembro-me perfeitamente que ao estar a colorir as imagens, eu criava a minha própria história. Soprava vida naquelas formas fixas na folha de papel amarelecida. Depois de aprender a ler e começar a ser despertada para a leitura (por volta dos 9 ou 10 anos), acabei por ler esse livro. Constatei que a minha versão da história era muito diferente do real enredo do livro. Nem por isso deixei de gostar dele.
Foi um livro comprado ou num alfarrabista ou numa feira. Trata-se de um livro usado. Apesar de estar lá na primeira página o meu nome a marcar território, também está o nome da antiga dona. Maria Teresa. Em algum lugar, uma Maria Teresa lembrou-se de doar ou vender o livro a um alfarrabista. E assim, um dia, ele chegou às minhas mãos. Mesmo sem a conhecer, simpatizo com esta Maria Teresa.
Talvez seja um pouco ridículo falar sobre a primeira experiência com a literatura. Ele agora está pousado em cima da mesa, aqui ao meu lado. Vejo suas folhas quase castanhas, com a capa meia solta (tenho de arranjar uma forma de restaurá-lo...) e sinto uma sensação de afeição. Uma sensação de segurança. É que alguns livros são fundamentais na construção da personalidade; não pelo seu valor literário ou intelectual, mas por serem uma espécie de sementes. Acredito que, de alguma forma, um dia germinem. E acredito também que venham a fazer parte das nossas raízes.