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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

23.06.15

Não pode ser.


a dona do chá

Não pode ser. O pensamento antes da queda. A incerteza da antecedência. Não, não pode ser. A pausa iluminada pela ausência de som e de momento. Uma contagem sem fim do desconhecido. Não, não pode mesmo ser. Há uma totalidade de inacreditável, de intangível e de mornidão. Lágrimas, angústia, espera, descompasso, esperança e o sabor amargo da impotência.

Perder. Não pode ser.

Eu daria a minha vida por ti. Mas, não, não pode ser.

18.06.15

Doença.


a dona do chá

A compreensão da imperfeição é iluminada pela certeza da falibilidade. O senso de justiça, para si e para os outros, entra em erupção e transborda pelas veias do quotidiano. Não há nada a fazer quando não há nada a ser remediado. Quando um vaso é quebrado, os seus cacos nunca poderão ser reconstituídos à condição inicial. O problema não está na imperfeição, nem na fabilidade. O que importa alcançar é o foco (da doença?).

11.04.12

(redefinição dos significados)


a dona do chá

Surge a expressão "aborrecida" e "mau-feito".  Com uma frequência que leva ao questionamento de todo um conjunto de comportamentos, atitudes e sentimentos. Aplicar uma qualificação deveria ter como fundamento uma real intenção de apontar algo de forma construtiva. O que realmente acontece é que ao exigir-se rigor, dedicação, empenho e o aperfeiçoamento surge este ataque, em forma de defesa, que nada mais é que uma forma menor de auto-desresponsabilização. 

 

Ser exigente é ter mau-feitio? Que seja. Vamos lá, então, alterar os significados.

 

06.12.11

(...)


a dona do chá

batimentos.

esta pressão. esta pressão. esta pressão.

nada é suficiente. nada agrada. nada é bastante.

um rato no laboratório, preso numa gaiola, tem mais liberdade.

esta pressão, este condicionar do peito, o coração em chamas e uma vontade de vomitar.

09.09.11

( empurrada )


a dona do chá

[ por vezes, sem querer, acabo por pensar que isto de acreditar em algo é uma forma que encontramos de fugir à insanidade. munida de convicções e de verdades, encontro-me diante de mim mesma perplexa com a invalidade das mesmas. estou nauseada com a falta de amor, com o egoísmo e com a tendência escravizante dele. não há idade, doença, dificuldade que o ensine a ser alguém melhor. não. então, por vezes, sem querer, dou comigo a pensar que isto não tem solução. não há solução. estes são os dias e não posso fazer mais nada senão esperar pelo pior. sem querer, rejeito a esperança. a cada dia, a decepção aumenta. de que serve ter esperança? de que serve? tenho perdido, uma a uma, todas as esperanças que alimentei. não o posso dizer em voz alta. não o posso dizer diante da família. não o posso dizer diante dos meus amigos. não o posso dizer. mas tenho perdido, uma a uma, todas as minhas convicções. e sinto esta dor no peito. e sinto este aperto no coração. e sinto que tudo o que fiz, que abdiquei, que lutei e que trabalhei não valeu de nada. tenho dedicado os meus últimos dez anos a cuidar de alguém que não merece e que escraviza todos os que o cercam. ele é totalmente indiferente aos sentimentos alheios. mas sabe representar muito bem diante de quem quer agradar. todo ele hipocrisia e fingimento. e as pessoas acreditam. esta é a minha proveniência? por vezes, sem querer, queria ter o poder de recuperar todas as orações que já fiz e mudá-las. penso, penso constantemente: quem irá cuidar de mim quando eu estiver apodrecida pela vida? estou mais perto da insanidade do que se possa pensar. por vezes, sem querer, vejo-me diante do abismo. escuro e sem fundo. não salto. sou empurrada. ]

12.08.11

( o querido mês de agosto )


a dona do chá

para quase todos é um mês maravilhoso... para mim, um pesadelo: trabalho duplicado. neste ano, em específico, triplicado. 

hoje é sexta-feira e ainda tenho que aguentar o dia de amanhã. 

de uns tempos para cá, parece que só tenho linhas escritas a me queixar e isto não me deixa contente. queria ter outro tipo de disposição. quero outro tipo de realidade. quero uma vida normal.

o agosto nunca mais chega ao fim...

05.08.11

(alimento)


a dona do chá

não sei se posso chamar a isto fase. nem tenho por hábito escrever de uma forma confessional mas chega uma altura em que tenho de escrever. tenho de tirar isto de dentro de mim. se é que posso chamar a isto "tirar". tenho andado a lidar com tantas coisas, com tantas desilusões que não sei bem se vou conseguir passar por isto ilesa. há desilusões que são passageiras, que doem na hora mas passam. contudo, há desilusões que nos trespassam, que mexem com o que temos de mais precioso. o mais curioso, é que tem sido tudo ao mesmo tempo. por vezes, sinto-me uma bomba relógio que vai explodir a qualquer momento. noutras vezes, parece-me que vou ficar inanimada, sem reacção.

 

tenho a sensação de que mesmo para as pessoas amigas que me dizem que me amam, este amor só é lembrado se eu estou presente. na listagem dos afectos eu acabo por não figurar. não deixa de ser um amargo de boca. não deixa de ser complicado para mim entender que ao se dar o que temos de mais precioso, é-se esquecido. não se trata de uma necessidade de reconhecimento mas porque não dizer que quando dedicamos amor e amizade desejamos também receber amor e amizade. os afectos precisam de ser alimentados. e sou tão humana quanto todas as outras pessoas.