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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

26.07.11

(nublada e encantadora)


a dona do chá

Depois de alguns dias em Londres, regresso.

Ir é bom: vivemos uma realidade paralela. Voltar também é muito bom: os olhos trazem imagens e memórias para o futuro. 

 

Devo dizer, Londres é daquelas cidades que se entranham na pele. Cada rua tem um detalhe. Cada estação de metro é um caminho para um novo caminho. Andar pelas ruas é viver uma cidade cosmopolita. Uma cidade carregada de uma imensidão de pessoas: cada uma no seu estilo e na sua forma específica de vestir. Adoro isto. Ninguém está minimamente preocupado com a forma com que te vestes ou se está de acordo com a estação. Cada pessoa é um ser único.

 

Outra coisa que me chamou muito a atenção é que as pessoas estão constantemente a ler. Em cada carruagem do metro as pessoas estão vidradas com livros, com kindles ou com os jornais. 

 

Os dias estiveram nublados, frios e chuvosos. Não parecia que estávamos no verão. Mesmo assim, foram dias lindos. Encantadores. 

 

19.10.10

( Hillsong Conference Europe 2010 #3 )


a dona do chá

"Civility"

 

Para quem lê clássicos ingleses, principalmente Jane Austen, encontra com frequência o termo "civility". A tradução literal para o português seria "civilidade".  Uma palavra que tem uma sonoridade estranha para mim, já que não o usamos com regularidade. Usamos com mais frequência o termo "civil" ou "civilizado". Convenhamos que raramente falamos em "civilidade".  O dicionário diz-me que civilidade é "um modo de se corresponderem as pessoas bem-educadas; cortesia, etiqueta". No fundo tem a ver com ser bem-educado no sentido das boas maneiras. Concluo que talvez, por isso, não usemos tanto o termo "civilidade". Por que - permitam-me - de civilidade a nossa sociedade tem muito pouco. Está em total desuso ter civilidade. Quanto mais embrutecido, grosseiro e inconveniente melhor.  Infelizmente.

 

Destes dias em Londres, devo confessar, a dita "civility" derreteu o estereótipo sobre os ingleses. Na minha cabeça prevalecia uma imagem de certa distância e frieza. Constatei o oposto. Nem estou a me referir às pessoas que estavam presentes na Conferência da Hillsong (estas até pareciam latinas de tão calorosas). Refiro-me às pessoas anónimas nas ruas. Todos eram extremamente solícitos, corteses e gentis. Por isso, nunca gostei de estereótipos. Raramente são correctos e comummente induzem em erro.

 

Em Jane Austen é quase um lugar comum vermos este termo. Esta noção de civilidade exerce um certo fascínio sobre mim. Quando somos corteses e gentis não estamos a nos doar ao próximo? Abdicamos um pouco da nossa individualidade pelo bem-estar de quem nos cerca. É tão difícil assim? Se há dificuldade nos pequenos gestos, o que dizer das grandes acções?

 

Confesso que estou um bocado cansada de receber encontrões na rua e não ouvir um pedido de desculpas; de me passarem à frente nas filas como se fosse normal; de me deixarem portas a bater na minha cara; de cheiro de cigarro dentro do elevador logo pela manhã; de papéis e lixo por todos os lados; de ouvir palavras rudes e palavrões; de ver idosos a serem desrespeitados; tantas coisas. Prevalece, nesta nossa sociedade, uma triste e patética ideia de que ser mal-educado é ser esperto porque pretensamente passar alguém para trás ou ser grosseiro vai trazer uma vantagem sobre o outro. Esta esperteza pobre e podre, em parte, nos arruina  e nos "inciviliza".