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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

05.09.14

(Três Corações | 4)


a dona do chá

Recta final

 

O terceiro trimestre foi fisicamente cansativo mas tranquilo. Me senti mais lenta e pesada; por outro lado, tudo tinha de ser ultimado e preparado para a chegada do nosso pequeno Hugo.

A ligação estabelecida nesta fase é fantástica. Foi a fase em que os movimentos do nosso bebé se tornaram mais evidentes. Dentre as várias coisas que aconteceram durante a gravidez, desta jamais esquecerei: o G. a falar para a minha barriga. Dizia "tenho tanta curiosidade de conhecer-te Hugo!" e "quero tanto ver como és!". E quando ele colocava a mão sobre a minha barriga, parecia que o pequeno Hugo corria em direcção do calor do pai. E, passados nove meses, ainda o Hugo corre em direcção ao pai, de sorriso aberto. 

Algumas vezes, surgia a agitação de pensar se conseguiríamos ter tudo pronto a tempo e horas e, felizmente, tudo foi se encaixando. É um mistério. Conforme a data se aproximava, o medo era uma realidade para mim. Sim, é verdade, um grande e terrível medo. "E se não correr bem?". "Serei capaz?". O G. foi o meu grande alicerce. Nestas coisas estou convicta de que o amor tem esta centelha de parceria. Não seria capaz de enfrentar tudo sem ele ao meu lado. Todas as minhas angústias esbatiam-se ao longo das suas palavras tranquilizadoras, sábias e optimistas. Ele é o grande presente que Deus colocou na minha vida. E agora, com o Hugo, são dois grandes presentes.
Outro aspecto que me conferiu grande tranquilidade: aulas de preparação de parto. Psicológica e fisicamente também foram fundamentais. Nunca me hei-de esquecer o papel que a Enfª Fátima teve neste processo. Penso que o nosso parto não teria sido o mesmo sem esta prévia preparação. E, por isso, além de estar grata à Deus por essas aulas, também agradeço à Ele pela ajuda da minha amiga I. que indicou este curso. 

 

05.09.14

(Três Corações | 3)


a dona do chá

Impressões sobre a gravidez

 

Dos três trimestres, este foi o mais difícil. Muitas coisas a aprender, a serem feitas e resolvidas e algumas chatices. Digamos que não dei muita sorte com o acompanhamento médico que tive e ter diabetes gestacional também foi um acréscimo pouco positivo. Esta foi a fase em que comecei a ler e a tentar entender tudo o que me aguardava durante este processo. A realidade é que não fazia ideia como uma gravidez é um processo transformacional em todos os sentidos. Sabem a famosa frase "Tudo muda" - é um clichê, mas totalmente verdadeiro. Na realidade, nesta fase comecei a constatar que os preparativos indicavam isso, mudança. Mudança psicológica, física e logisticamente falando. Isto porque além de toda a revolução emocional, ainda tínhamos os detalhes de exames e consultas; e, começar a preparar a casa para receber um bébé. Então, foi uma fase acelerada. 

O melhor desta fase, a semelhança da fase anterior, foi descobrir o sexo do nosso feijãozinho (que era a maneira como o chamávamos). Sempre tínhamos imaginado que nós seríamos pais de uma menina e até tínhamos um nome escolhido. Se fosse menina seria Clara. Mas não tínhamos pensado em nenhum nome de menino e eu me sentia incomodada. Faltavam duas semanas para a segunda ecografia e surgiu em mim uma insistência em escolher nome de menino. Fartei-me de chatear o G. porque eu comecei a teimar que o nosso feijão seria mesmo um menino. O G. sugeriu Hugo, devido ao seu significado. Foi amor imediato. Sei que para grande parte das pessoas isto não tem qualquer relevência, o significado do nome. Para nós, era fundamental. A partir do momento que o nome ficou definido, a tranquilidade tomou conta de mim.

 

Hugo: Significa “coração”, “mente”, “espírito” ou “o pensador”, “inteligente”. Tem origem no germânico Hugi, derivado do elemento hug, que significa “coração, espírito, mente”. Há autores que também o traduzem como “o pensador” ou “inteligente”.

13.07.13

(breves)


a dona do chá

Acordar, trabalhar e dormir cansada. A vida tem sido tão igual apesar da realidade ter sido modificada. Confesso-me cansada, com uma pontada de desânimo. O ano vai a meio e vai ser mais um ano sem descanso. Férias, então, nem pensar. Novamente. 

 

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Também confesso-me cansada dos discursos pessimistas, "isto vai cá uma crise" e "isto a tendência é piorar". De igual forma, já causa fastio o discurso optimista "tudo se vai resolver" e "não podemos peder a esperança". E um discurso realista? Seria pedir muito? 

 

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Sinto saudades descomunais do meu pai. Nunca pensei que seria assim. O pior é que não posso falar disto com ninguém porque parece fraqueza de carácter ainda não ter "ultrapassado" a sua morte. Apanho-me a chorar sem motivo. Dou por mim à espera de vê-lo virar a esquina. Parece que antecipo ouvir-lhe a tosse. Um dia ele disse-me que eu sentiria a falta dele. Ele tinha toda a razão. Doença maldita que come o ser humano por dentro até que ele perca toda a identidade e todo sinal de vida. Doença maldita que o levou. Doença maldita.

 

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O meu/minha baby é a coisa mais preciosa que me aconteceu este ano; está a crescer dentro de mim e que me faz entender realmente o que significa a palavra medo. Medo que aconteça algo, medo de que venha a falhar, medo de tudo que possa prejudicá-lo/a. Espero ansiosamente por conhecê-lo/a. 

 

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O meu pai nunca conhecerá o meu/minha baby. O meu/a baby nunca entenderá completamente quem foi o avô.