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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

05.01.12

(de repente, 36)


a dona do chá

Um dia de sol em véspera de Reis. Um dia de sol, quase primaveril. As pessoas andavam pelas ruas devagar, bem devagar. Absorviam cada centímetro de sol. Acredito que queriam carregar dentro delas aquele vestígio de calor. O sol tem esta capacidade de tornar-nos mais felizes e mais dispostos a viver. Posso estar enganada, mas pareceu-me que as pessoas que passavam na rua sorriram mais hoje do que ontem. Eu sorri também.

 

Um dia de sol e sorrisos ambulantes. Um dia de sol e, de repente, chego aos 36. Não posso deixar de dizer que olhar para a janela e ver o sol a emoldurar os meus olhos fez-me feliz. Escancarei as janelas e fiquei de rosto em encontro ao abraço da manhã. Apetecia-me tirar o avental do trabalho, sair pela porta fora e abordar a primeira pessoa que me aparecesse pela frente e dizer: “Bom dia, o meu nome é Cátia, faço hoje 36 anos; não acha que hoje está um dia esplendoroso?”. Apetecia-me assim conversar do nada e viver do nada e sorrir do nada e dançar do nada. Não apenas porque alcanço os 36 anos de idade, não apenas porque tratava-se de um dia de sol radiante, não apenas porque eu tenho pensamentos insanos, não apenas porque derreto-me diante de sorrisos plenos; não. Apenas porque encarar a beleza das pequenas coisas traz contentamento. Sobretudo porque viver o dia, cada dia, com encantamento é fundamental. Às vezes, viver a vida devia ser como num musical: cantar alegrias e tristezas e prosseguir a dançar diante do futuro. É verdade que os dias sombrios surgiram e surgem, mas não quero pensar nisso. Não quero lamber feridas. Rejeito a astúcia da tristeza. Aos 36, escolho abraçar o bom da vida e expurgar o que de menos bom aparece.

 

Um dia de sol nos dedos, nos olhos, nas mãos e no coração. De repente, é assim. São 36 anos e uma grande vontade de agarrar os dias nas mãos. O meu coração tem andado acelerado, demasiado acelerado. Mas, de repente, é assim mesmo. Tem que ser. Viver intensamente. Viver.

 

No sistema solar do meu universo pessoal tenho um sol, vários planetas, milhares de estrelas e número imensuráveis de satélites. O que seria da minha vida sem eles? Todos tornam o meu dia em algo primaveril e soalheiro. Todos eles fazem estes 36 anos valerem a pena.

 

De repente, em véspera de Reis, faço 36 anos. O dia esteve ensolarado. O coração acelerado. A beleza das pequenas coisas passou por mim... eu vi, vivi e viverei.

16.11.11

(partilhas)


a dona do chá

Ontem, recebi um email de uma pessoa querida deste mundo virtual dos blogues.

Ela partilhou comigo este texto (que abaixo transcrevo).

Emocionou-me porque me revi em cada palavra.

Emocionou-me o gesto dela.

Obrigada, Paula. 

 

 

"Também escrevo para escapar à realidade dos dias, ao cinzentismo da profissão e à formalidade emproada do mundo em que me movo. Escrevo para infantilizar as horas e colorir a existência. Escrevo porque me recuso a ceder à ideia de que só as palavras retorcidas encontram eco em quem as lê, porque a confiança, o humor, a solidariedade, o Deus em que acredito, a beleza das pequenas coisas, a bondade dos gestos, a surpresa dos acasos têm o dom de me alegrar mais que uma garrafa de vinho, mesmo que seja alentejano, do bom, daquele que o meu pai abre às segundas-feiras quando reunimos a família à volta da mesa do jantar e eu tenho as minhas miúdas penduradas em mim a puxarem um "oh tia", cada uma para seu lado. Escrevo porque não cedo, porque a escrita pode ser depurante mas também pode ser encantatória, uma fotografia desfocada em tons suaves que apetece reter no ecran. Escrevo porque já todos falam de tudo o resto e eu já não tenho paciência para os ouvir, ou ler, quanto mais escrever. Escrevo porque prefiro mil vezes uma oração a um lamento, uma declaração de amor a um queixume traído, um sorriso a um esgar de desprezo solidário, uma nota de esperança a um panfleto revolucionário, um beijo nas mãos a um piropo usado lançado do passeio, uma frase bem escolhida a um lugar comum que já é dito em silêncio antes sequer de ser pronunciado.

E sim, às vezes é também por tudo isto que eu não escrevo."  

 

Texto de Leonor, do blogue "Outro Sentido"

03.05.11

(desafio de escrita)


a dona do chá

No dia de ontem fiquei a saber que ganhei o terceiro lugar no Desafio de Escrita lançado pela Ana Aurélio do Palavras Maquilhadas.

Devo dizer que fiquei surpresa e, ao mesmo tempo, honrada. É sempre um privilégio saber que alguém gostou de algo que eu tenha escrito. Entre o ler e o gostar há sempre o espaço de partilha de ideias; e isto é algo que me preenche a alma.

A gratidão é uma certeza.