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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

14.09.15

(...)


a dona do chá

O Verão é bom. Nele tudo é luminoso: os dias são longos e ensolarados. As pessoas andam despreocupadas e leves. Todas as estações têm a mesma duração, mas o Verão passa num piscar de olhos.

Apesar de tudo isto, não me deixo impressionar pelo Verão. É quase um metáfora, uma ilusão - brevidade e desvanecimento. A sensação de calor que dura tão pouco, tão pouco.

O Outono já está à espreita e isso faz-me feliz. O Outono condiz mais com a minha natureza: melancólico e silencioso. Não me agrada que os dias sejam menores, é bem verdade; mas encontro alegria no recolhimento.

 

 

17.03.15

(breves)


a dona do chá

Este está a ser um inverno rigoroso para o baby H. e, por consequência, também para mim. Volta e meia, lá ficamos doentes. Estação que desgosto, o Inverno é cada vez mais um tempo que anseio que passe depressa. Está quase...  

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Preciso ler e escrever mais... Sinto que estou a desaprender. Preciso comprar uma boa gramática e praticar. 

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Quando vejo as magnólias, nasce em mim uma enorme alegria. As cores suaves, o perfume pelo ar, os dias maiores e ensolarados - uma quase Primavera.

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O tempo desaparece. Perco a noção dos dias e das horas. Trabalho e casa, casa e trabalho. Sinto a distância entre o que gostaria fazer dos dias e a realidade. Nunca resgatamos o tempo que perdemos.

 

15.11.13

(por causa do Outono)


a dona do chá

Hoje foi um dia realmente outonal. Um vento frio. O sol pálido. O casaco a transferir conforto. As folhas ferrugentas a rodopiarem no chão acompanhadas do inconfundível som, como que a estalarem no chão. Há uma discreta beleza no Outono. 

 

Não sou grande fã do frio e do Inverno mas confesso que o Outono tem um encanto que me preenche o coração. O Outono é muito auditivo. O barulho das árvores, das folhas no chão, do vento e até da chuva. Começa a surgir um frio mas ainda de uma forma diluída. Em pequenas doses. Um frio convidativo ao aconchego, ao estar embrulhada numa manta a ler, a conversar e a ver um bom filme. 

 

O Outono também é muito visual. A gradação da tonalidade das folhas que vão desde o amarelo vivo, passando pelos tons cobreados, pelo tom ferrugento, terminando num vermelho vivo. Uma explosão de tons terra. 

 

Abraço o Outono com alegria, com uma chávena de chá entre os dedos e um olhar de memórias.


 

[foto retirada daqui]

27.11.12

(por causa da neblina e de um ponto luminoso escondido no céu)


a dona do chá

Acordei a pensar nas saudades que eu tenho do calor, da descontração, de usar bermudas jeans e havaianas nos pés, dos dias longos, do som das cigarras, do céu lilás dos fins de tarde, do barulho do mar, da maresia, de dançar sem pensar, do prazer da água fria, do cheiro a pinheiros e a eucalipto e a querer que a eternidade tivesse as cores e os aromas do Verão.

De repente, sinto-me irremediavelmente criança e sem as amarras do quotidiano. Jovem e livre.

13.10.12

( despertador )


a dona do chá

Soa ao longe, bem ao longe. Soa como um acerto com a realidade. Insistente. Captura a atenção mas é um estranho. O vôo vai alto, as pernas não alcançam o chão e o céu tem flores de todas as cores. Basta colhê-las. Basta estender as mãos. Basta querer. Ali a vontade é um senhor que não falha. Multicor. Multi-vida. Naquele cenário tudo é possível. Por pouco tempo, mas possível. A estridência é o senhor do aqui e do agora. Os olhos desfocam, o corpo ressente e a estridência aumenta. Nestes dias, o Outono resgata-nos para a realidade de manhãs resfriadas. O despertador é o seu carrasco.

05.02.04

Dádiva.


a dona do chá

Que me perdoem todos aqueles que encontram alento e satisfação no Inverno. Que amam as tardes friorentas, com a companhia das mantas e da lareira. Que gostam de vestir longos casacos e botas de cano alto.
[ Olhando de longe, até penso - por segundos - que isso pode ser prazeiroso. Mas essa sensação passa rápido. ]
Que me perdoem...
Eu prefiro as tardes em que posso abrir as janelas, e ver as cortinas a balançar lentamente. Sentir o sol quente a atravessar a janela. Gosto de sair com uma blusa de manga curta. Já anseio que a Primavera se instale, para que o Verão chegue em todo o seu esplendor. Gosto de andar descalça pela casa. Gosto da simplicidade do Verão. Gosto das cores vibrantes irradiadas a cada movimento.
Uma bela dádiva.

25.09.03

Folhas secas...


a dona do chá

Discretamente já começam a fazer casa. Andam rasteiras. Apegam-se aos passos. Acompanham-nos nas caminhadas.
Confesso que gosto delas, das folhas secas. Folhas que abandonam árvores e pousam no chão. Acumulam-se nos cantos, nas ruas, nos jardins. Formam o seu próprio tapete, desafiando qualquer tipo de tentativa de "limpeza municipal".
Trazem uma sensação de melancolia...
Chamo-as de mensageiras do Outono: as folhas secas aparecem para relembrar-nos que o Verão já se foi, apesar do frio ainda não se ter instalado completamente.
Transmitem uma sensação de fim e, ao mesmo tempo, um despertar.
Clamam por regeneração.

07.09.03

Entre as mãos.


a dona do chá

As noites já apresentam um frescor. Um certo prenúncio de que o verão está a se esgotar e que em breve teremos noites cada vez mais frias. Tenho entre as mãos uma caneca com chá de menta, bem quente e aromático. Traz-me conforto. Começo a sentir uma lassidão. Parece que, para além do chá, também tenho entre as mãos o sono.