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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

01.03.11

(dare)


a dona do chá

 

 

 

 

 

Há coisas que lemos e vemos que nos direccionam ou que chegam na hora certa. Outro dia eu vi este vídeo que uma amiga minha colocou no Facebook dela e tive a sensação que algo dentro de mim movimentou-se. Fez-me pensar. Fez-me relembrar que, em certos momentos, é preciso ter "pequenas coragens" e o passo atrás deve ser uma forma de impulsionar para frente e não um recuo. Audácia e coragem não é algo que seja própria da minha natureza mas sinto-me dentro de um processo de luta contra as minhas próprias fraquezas e natureza. Sinto-me bem. Sinto-me em constante construção.

 

15.01.11

( já vai o ano bem lançado... )


a dona do chá

... e somente agora preparo-me para escrever o meu balanço do ano que passou. Tenho mastigado muitas coisas no meu pensamento. Tenho tentado entender e tenho tentado depurar factos e circunstâncias.

 

Este ano que passou teve de tudo: coisas boas e coisas más. Não posso dizer que a co-existência de ambas as coisas seja algo negativo. Aprendemos com tudo. Há coisas difíceis de digerir mas, regra geral, permaneço de pé. Tenho esta sensação de gratidão por tudo o que tenho vivido. Parece que ouço ao ouvido uma voz que me diz que é assim mesmo, que tem de ser assim, que tenho de ver e viver determinadas coisas. Que tenho de ver o que há de belo e que tenho de encarar o que é desprezível. Os meus olhos têm encarado a imperfeição do que seria de esperar ser intocável e a perfeição das coisas breves e dos momentos únicos.

 

O pior do ano que passou: a operação e recuperação do meu pai. Foi horrível. Foram momentos literalmente viscerais e insones. Ainda são. Se dentro deste processo está a gratidão de ter visto o milagre dele ter sobrevivido a uma operação delicada; por outro lado, está esta pequena revolta de vê-lo a voltar a velhos hábitos que o irão levar consequentemente ao mesmo estado anterior. Como se ele recebesse de presente um baú com um tesouro e ele simplesmente cuspisse de volta. Por muitas voltas que dê ao meu pensamento não consigo perceber alguém que está perto da morte, sente-lhe o cheiro, escapa, recupera bem e agora inverte todo o processo. Não percebo. Sinceramente, não estou sequer com vontade de perceber.

 

O melhor do ano: as viagens que eu e o G. fizemos. Principalmente, a últimas. Depois de 19 anos, voltei a pisar o solo brasileiro. Foi uma amálgama de sensações. Ainda irei falar sobre isso. Mas foram dias lindos e de desmistificação. Cheguei ao fim atordoada e mas algumas certezas das quais eu não estava à espera de alcançar... Tem sido bom.

 

As amizades: Este foi um ano revelador no que diz respeito às amizades. Hoje, aqui e agora - sei com quem posso contar. Distingo bem quem são conhecidos, colegas, amigos e AMIGOS. Quando eu precisei eles estavam presentes. E o estar presente não tem haver com tempo e espaço. Não tem haver com proximidade física. Tem a ver com dedicação, amor, compromisso e altruísmo.

Não posso deixar de falar também nas pessoas tão interessantes e tão amáveis que tenho conhecido por este mundo virtual. A Cássia, que me convidou para participar do Clube de Leitura, tem sido uma amizade virtual muito querida para mim. De igual forma, a Clara, que aceitou a minha colaboração no Jane Austen PT, tem sido um amor e um pessoa espectacular - ela teve a visão de criar este blogue sobre Jane Austen e participar lá tem superado as minhas espectativas.

 

Guardo esta esperança e vontade de que este ano - 2011 - vai ser ainda melhor. O que vier de menos positivo, lá terei de enfrentar. A vida é isto mesmo. Um dia de cada vez e cada coisa no seu lugar.

13.10.10

(HILLSONG CONFERENCE EUROPE 2010 #2)


a dona do chá

Leio num artigo que "o olho é um órgão par, situado em cada uma das órbitas, no nível que separa o crânio da face". Permite-nos ter percepção, reconhecimento e localização de algo. A sua função primordial é captar luz que, através de uma série de processos gera reconhecimento no nosso cérebro.  Posso afirmar que o olhar é uma captação de uma série de sucessivas luzes? Esta ideia fascina-me: dos nossos olhos serem inundados de luz que se liga directamente ao nosso cérebro criando uma série de imagens. A luz inunda-nos e gera significado. A luz liberta-nos da escuridão.

 

Nestes dias, em Londres, pensei muito nisto. Eu fixava toda aquela profusão de cores e jogo de luzes e pensava nisto. Ouvia aquelas mensagens desafiadoras e acutilantes e fervilhava.  Reflectia sobre a capacidade de ver e de perceber o que vemos, de como a vida segue um rumo inesperado e de como todas as coisas fluem de maneira a nos fazer enxergar algo. Mesmo quando não queremos ver.  Melhor dizendo, pensei como Deus se revela de diferentes maneiras.

 

Tantas coisas começaram a fazer sentido. À volta da minha cabeça voavam inúmeras peças de puzzle. Sentia que pegava cada peça com as mãos e as encaixava uma nas outras. Ali, mesmo diante dos meus olhos. A verdade, de uma forma tão simples, tão pura.  Eu não enxergava. A luz entrava nos meus olhos mas não faziam ligação ao meu cérebro. Senti que Deus fazia ali comigo como um oftalmologista, que vai experimentando lente por lente até chegar aquela que me permitirá perceber, reconhecer e localizar as coisas e o sentido delas. Na realidade, é isso que Ele tem feito. Ele tem me ensinado a ver.

 

Ao ouvir um dos oradores referir o versículo já tão conhecido "e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (Jo. 8:32) senti-me atingida. Liberto, oposto de preso. Não se trata apenas "de usar óculos". Também se trata de nos libertarmos do que de alguma maneira nos aprisiona. Acreditem, todos temos algo em nós que nos puxa para baixo. Há sempre algum aspecto na nossa vida ou no nosso quotidiano que não nos quer deixar ver a luz.  E não me refiro a pessoas. Refiro-me às nossas próprias inseguranças.

 

Eu confesso que eu tenho alguns aspectos que me prendem. Alguns medos. Medo de arriscar. Medo do imprevisto. Medo de voar demasiado alto. Tenho receio pelo amanhã. Sou insegura e pouco auto-confiante. Preciso sempre de pára-quedas. Naqueles momentos, em que as luzes eram estrelas pontilhadas e enquanto o chão tremia com a intensidade dos passos, eu entendi. A minha "graduação de lente" foi ajustada. Entendi que o medo é natural mas não deve ser dominante. Apesar desta insegurança inata há a tenacidade. Entendi que tudo pelo que tenho passado é para me preparar para algo. Não sei bem o quê.

 

Vi cair o peso e o cansaço.

 

Não posso deixar de estar grata pelo "ajuste". Espero que seja sempre um processo contínuo. Tomo com  os dedos  uma expressão de Vinícius de Moraes e escrevo que quero estar sempre "em construção".

22.04.10

(...)


a dona do chá

eu estou numa fase muito "jane austen"...

 

acho que depois de um jejum prolongado de leituras e de reflexão, tento resgatar gradualmente as pequenas coisas que me dão prazer. ler esta escritora faz-me sempre ganhar novo fôlego. preciso disto. preciso de resgatar-me. ainda me sinto muito cansada, mas tenho de alterar o circuito quotidiano para que a minha mente e o meu coração, ambos desgastados, recuperem.

 

14.04.10

(ímpeto)


a dona do chá

Num ímpeto, começou a escrever tudo o que pensava. Todos aqueles sentimentos confusos. Todos aqueles sentimentos que guardava dentro de si. Sentia-se cheia. A transbordar. Escrever foi a sua libertação. Enquanto escrevia, sentiu gradualmente todo aquele peso sair de suas costas e a esvaziar o seu coração. Chorava e ria ao mesmo tempo. No fim, o que estava escrito era ainda mais confuso do que o que julgava sentir.

 

E fazia todo o sentido.

20.02.10

(em concreto 4)


a dona do chá

aprendemos muitas coisas nestes processos dolorosos. estes últimos 6 anos têm sido um processo ininterrupto. foi a perda da minha sogra e, nestes últimos meses, uma possível perda do meu pai. eu estava a me preparar para isso. a operação foi um sucesso e ele sobreviveu. outros factores de saúde ainda cooperam para uma saúde delicada, mas tudo faz parte de um processo que, em muito, ultrapassa o meu entendimento. então, embora não compreenda tudo o que nos tem acontecido, posso dizer que tenho aprendido. confrontamo-nos com medos, limitações e defeitos. não direi que sou uma pessoa melhor, mas sou bem mais consciente.

05.01.10

( 34 )


a dona do chá

 

Acordo e me recordo dos dias passados. O meu percurso. Como uma caminhante, avanço com passos ora firmes ora vacilantes. Há um ano tinha a certeza nas mãos como um tesouro que podia exibir diante de quem quer que fosse. Podia dizer  “olha, vê aqui, nas minhas mãos, nos meus olhos. Tenho tantas certezas, tantos sonhos”.  Hoje posso dizer que algumas certezas cairam e que outras se levantaram. Os meus olhos têm visto de tudo um pouco. Algumas vezes, embaciam de cansaço. Marejam de ansiedade. Enxergam o caminho. Mas não alcançam o que virá a seguir da curva.
Tenho tido lições. A vida tem me mostrado muita coisa. Não sei é se tenho tido a capacidade de aprender. A estrada é sinalizada, a questão é se eu sei ler-lhe as indicações. E alguns destes sinais, quando surgem, estão escondidos. Subterrâneos. Outros são evidentes. Paralizo constantemente diante deles. A minha mente pede-me pausa.
Carrego em mim um cansaço que se me agarra às costas como uma sombra. Agarra-se, arrasta-se, engole-me. Mas, há dias, que vejo em mim alguma força. Alguma tenacidade. Uma teimosia. Então se há fases de melancolia, por outro lado sei dominá-las de tal forma que não se metamorfoseia em tristeza. Tenho ganho calo. Carapaça. Não é qualquer coisa que me atinge. Embora a injustiça ainda me incomode. Não a suporto. O contacto diário com uma possível perda tem moldado a minha maneira de ser. É bem certo que tenho os meus medos, as minhas incertezas, as minhas angústias; mas não me permito ir abaixo.
Chego aos 34 anos com todas as incertezas e com todas as certezas possíveis.
Chego aos 34 anos com todos os medos e receios.
Chego aos 34 anos com a convicção de que tenho feito ( e já o disse há um ano ) o meu melhor. Tenho me empenhado, tenho abdicado, tenho me entregado.
Chego aos 34 anos consciente de que esta pode ser a idade em que eu perca o meu pai.
Chego aos 34 anos consciente também de que poderá ser um reinício para o meu pai.
Chego aos 34 anos ansiosa por estabilidade mas feliz pela provisão na instabilidade.
Chego aos 34 anos com a certeza de que quero ser mãe mas não sei o serei.
Chego aos 34 anos com a conclusão de que tenho feito muito por muitas pessoas e que elas não são o que eu esperava. Talvez eu seja decepcionante também.
Chego aos 34 anos grata pelo meu marido, pela minha família e amigos. Grata à Deus por todas as coisas.
Chego aos 34 anos a me sentir tão criança como quando tinha 13 anos. A ter alegria nas pequenas coisas. Ao mesmo tempo, sinto-me finalmente em entrar numa fase mais adulta.
Chego aos 34 anos e finalmente compreendo o texto de II Coríntios 12:9-10
“E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.”
Chego aos 34.

29.01.09

( quanto tempo for necessário )


a dona do chá

se esta chuva durar toda a noite e se esta noite durar toda a vida não deverá existir mais nada para sentir. quantos foram os passos que dei e quantos foram os sorrisos que perdi? não sei bem. tu também não saberás me dizer. não ambiciono explicações, embora não consiga fugir a encarar as questões.  

 

estou pela metade.

05.01.09

( 33 )


a dona do chá

- certezas -

 

 

Geralmente não falo sobre o meu aniversário. Costuma ser uma data sem sabor. Não costumo ter bolo nem velas. Não costumo ouvir os parabéns. Não tenho medo de envelhecer. Talvez tenha medo de um dia ficar velha e sofrer de problemas de saúde graves. Mas não tenho receio de ficar sozinha, não me assusta a solidão. Embora não acredite que um dia fique sozinha. Aceito que tudo, no entanto, que tudo é possível.
 
Chego aos 33 anos com a certeza de que tenho dado o meu melhor. Dei o meu melhor pela minha família, dei o meu melhor em tudo o que faço, menos comigo mesma. Isso vai ser o meu grande desafio a partir de agora. Procurar o equilíbrio entre os dois lados. Sei que terei outro desafio ao longo desta década dos “30”, que será a de continuar a desenvolver o desafio da simplicidade. Viver o que é importante. Nunca foi primordial para mim o “ter”, pelo contrário, sempre foi fundamental o “ser”. E continuo a defender isso. O “ter” deve ser apenas um caminho para se alcançar uma certa segurança que, convenhamos, nos tempos que vivemos poucos alcançam. Mas a vida não deve ser submetida a isto. O “ser” é a meta, sempre.
 
Chego aos 33 anos com a certeza de que tenho realmente de reaprender a sonhar como quando tinha 13 anos e tudo na vida era uma mistério maravilhoso. A vida era uma tarde de verão e o cheiro de mangas a caírem das árvores. Tudo era céu azul, límpido. Tenho de me permitir sonhar e de me alegrar nas pequenas coisas.
 
Chego aos 33 anos com a certeza de que tenho ainda muito a viver e que vou construir junto do meu amado uma família linda. Tenho até certeza de que vou ser capaz de passar valores, mesmo que fora moda, dentro da contemporaneidade.
 
Chego aos 33 anos com a certeza de que ter almoçado com o meu amado foi mais importante do que qualquer outra coisa ou do que qualquer presente.
 
Chego aos 33 anos com a certeza de que tenho vivido, sentido, sofrido, sorrido, muitas coisas, e que continuo aqui, firme e forte.
 
Chego aos 33 anos com a certeza.

05.01.09

( Natal Incaracterístico - 2 )


a dona do chá

- egoísmo necessário -

 

Este ano foi o ano do despertar para muitas coisas. Muitas coisas das quais eu tinha de me libertar e de modificar em mim mesma. Desde grandes decisões a pequenos hábitos. Se há coisa que é difícil é assumir grandes decisões (implica compromisso) e modificar pequenos hábitos (implica determinação e disciplina).

 
As grandes decisões estão relacionadas sobretudo comigo mesma. Acreditem, eu sou uma pessoa cheia de defeitos – não os suavizo nem os camuflo. Tenho algumas virtudes, mas os meus defeitos ganham de longe. Mas se há um defeito que eu tenho e que tem me incomodado é o de me auto-anular. Coloco as necessidades de todos os que me cercam em primeiro lugar e entrego os meus sentimentos e acções em benefício alheio. Não parece um defeito? Mas é. Experimente fazer e veja as consequências. Tem me incomodado a resposta que recebo e ver que o tempo que eu perco a sofrer pelos outros retira de mim a capacidade de me cultivar. Então uma das minhas grandes decisões é essa: olhar mais para mim. Parece egoísmo, não é? Mas não é. Como vais amar ao próximo se não te amas a ti próprio? E, por vezes, o próximo não está nem ai. Sinto que urge passar pela vida com mais calma, não me preocupar tanto, não me “stressar” tanto, deixar as coisas rolarem.
Esta viragem, implica modificar pequenos hábitos. Deixar de trabalhar tanto e me dedicar a ter uma rotina de leitura (abandonada por força do trabalho), a ver mais exposições, a ir mais ao cinema, sairmos mais - eu e o meu marido,  a estar mais com os amigos (alguns bem mais que irmãos). Aprender mais e ver mais. Oxigenar a minha cabeça e o meu coração. Afastar-me do peso das coisas. Ou pelo menos, não me deixar dominar pelo peso e pela depressão que ronda.
 
Quero continuar a construir uma vida com o meu marido substancial, consistente e de longo prazo. Quero continuar a perseguir uma vida que nada tem a ver com sentimentos e prazeres efémeros que duram uma noite. E sei que tenho conseguido. Sei que tenho alcançado o que é de mais importante na vida: um amor verdadeiro e uma vida consistente. Mas o que eu quero realmente alterar na minha vida é ter mais tranquilidade e ter mais amor por mim própria. Quero ter autonomia para viver a minha vida.