Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

05.01.16

Chego aos 40.


a dona do chá

Posso dizer que começo a sentir a passagem do tempo. Sim, é verdade, chego aos 40 anos. Apenas 40. Já quatro décadas ficaram para trás e com elas alguma história de vida. Apenas 40... Porque será que sinto ter alcançado um patamar diferente? O que muda realmente a partir de agora? Ocorrerá uma misteriosa e insondável aceleração do tempo? Uma amiga querida hoje me disse algo simples e fantástico: "você chegou àquele momento da vida em que já tem um passado mas ainda tem um futuro pela frente". E isto tocou-me profundamente porque nesta caminhada vivemos uma história com várias histórias dentro - páginas e páginas e páginas e páginas. E nunca se sabe muito bem onde vamos parar e o que vai acontecer a seguir. Mas algo já está escrito, algo meu. A estrada está diante dos olhos, os pés em posição de caminhar e o coração a queimar de vida. Ainda há muito a viver e ver.

Chego aos 40 com algumas perdas, ausências mas também com a vida bem mais completa, plena e verdadeira. Sou completamente grata por tudo que Deus tem concedido, pelos meus amores Gualter e Hugo, pelos meus pais, família e amigos.

Chego aos 40 com vontade de festejar e celebrar a vida! Sobretudo não perder tempo com o que não vale a pena. E, como outra amiga querida disse, gritar bem alto "uhu!!!!!!".

08.08.13

(assim, de repente, 10)


a dona do chá

Ao mudar a template do blogue, olho para a lista do arquivo e dei-me conta de que neste mês o meu "Chá de Menta" celebra 10 anos de vida. A constatação cai em mim como uma surpresa inesperada. A realidade é que nunca pensei que duraria mais de um ano, quanto mais de 10.

 

Este espaço discreto, silencioso e solitário tem sido um companheiro fiel. Em algumas alturas, tive dissabores no resultado do que escrevo, o dito julgamento fácil. Maioritariamente, a alegria e o prazer derivado do simples facto de partilhar e escrever tornou-se uma almofada que me tem confortado. Com o tempo aprendi que nem tudo o que lemos nos blogues é ficção e nem tudo o que se escreve é auto-biográfico. E foi engraçado "brincar" com isso. De certo forma, confundir quem lê e ter a posse da totalidade do significado do que se expressa. É uma forma diferente de poder e, talvez, seja das poucas que me agrada porque com ela não estou a subjugar, apenas a espicaçar.  


O Sr. Tempo é uma pessoa laboriosa e que não faz grandes alaridos, e aqui no blogue ele fez a sua passagem na sua maneira incisiva e metódica. Consigo ver na linha do horizonte do meu blogue tudo o que me tem acontecido. Tudo começou no verão de 2003 e, lembro-me, foi um Agosto extremamente quente. Desde desse, já mudei de casa duas vezes, casei com aquele que tem sido o amor da minha vida desde os 16 anos, perdi a minha sogra para a doença impiedosa poucos meses depois de casar-me, fui abençoada com mais três sobrinhos, estive no Brasil a rever a família e amigos (e foi sensacional!), uma sobrinha ingressou na universidade, entrei na espiral de seguidas fases de declínio da saúde do meu pai a culminar este ano na sua morte, recebi a maior de todas as bênçãos que é a de gerar uma vida. Tantas outras coisas aconteceram. Tantas. A vida amassa e molda. Muitas vezes, joga-nos no chão para entendermos que não somos perfeitos, que não controlamos todas as coisas e que não somos nem eternos e nem ultra-poderosos. A vida mostra-nos que somos seres absolutamos imperfeitos e, por isso, humanos. 

Quando olho para o blogue, é nisto que penso: em todas as quedas, desalentos e travessias por longos invernos. Mas, simultâneamente, na dimensão do aprendizado que o tempo me tem concedido e em todas as coisas boas, belas e duradouras que permanecem. Em tudo isto, eu vejo Deus.

 

Não sei se o meu bloguesito viverá mais 10 anos. Continuo com a intenção de não planear e apenas seguir a intuição. 

05.01.13

(chego aos 37)


a dona do chá

É estranho dizer que realmente sinto a idade que estou a completar. Acreditem, esta é a primeira vez que sinto isso. Tenho 37 e é estranho. Muito estranho. A estranheza de quem já tem alguma coisa para contar, nem que seja para si própria, e não sabe bem como ou sequer se valerá a pena. Começo a contar a vida por décadas e a somar alguns arrependimentos. Ter 37 é como olhar para retratos amarelecidos e perguntar "quem é mesmo aquela?". Quantos éramos e quantos somos agora? Chegamos sequer a ser?

A voz que viajou através do tempo, da distância, do espaço, por sobre as águas, a voz que chegou até mim e me ouviu; ele entende, em parte. Estamos a envelhecer e o Sr. Tempo é uma pessoa inflexível. Nunca volta atrás. Não faz pausas. De pés esfarrapados pela longa travessia, o Sr. Tempo não descansa e prossegue. Ele diz-me que tenho de seguir, tenho. Ele diz-me e toma-me as mãos e não deixa qualquer espaço para hesitações.

Tenho de continuar.

06.01.11

( Chego aos 35 )


a dona do chá

Chego aos 35 anos ainda meio tonta, meio sem acreditar. Nunca me imaginei com 35 anos e ainda a ter um coração que bate com a mesma intensidade dos 15 anos. Chego aos 35 anos desperta para a realidade que me cerca. Consciente de que tenho algo em mim que faz sentir tudo com grande paixão e intensidade. Chego aos 35 anos com mais sede de viver. Com os olhos repletos de capacidade de deslumbramento. Chego aos 35 anos a tentar deixar para trás o que não interessa e a buscar sempre o que é correcto. Tenho a certeza de que persigo o caminho da justiça, da bondade, da gentileza, dos gestos suaves mas firmes. Busco a simplicidade. Mantenho a minha certeza de é mais importante ser do que ter. Não busco bens materiais, interesses, posses. Procuro a relevância. Procuro a constância. Procuro a consistência. Procuro ser útil. Procuro a criatividade. Procuro transmitir este amor que Deus colocou no meu coração pelo próximo. Chego aos 35 anos a acreditar que, mesmo sendo este mundo tão agreste, devemos semear o amor. E o amor, tenho visto, tem a medida correspondente de sacrifício.

Mas se tenho visto e vivido coisas tristes também tenho tido uma boa quota de momentos lindos e inesquecíveis. Aprendo com tudo isto e o meu coração agradece este aprendizado.

Então, chego aos meus 35 anos de idade assim meio boba e com convicções fora de moda.

Chego aos 35 anos, acima de tudo, grata.

Estou grata pelo meu marido, pela minha família, pelos meus amigos, pelos meus amigos "virtuais", pelas novas amizades que fiz, pelas experiências que vivi, pelos dias de sol, pelo Rio de Janeiro em fim de tarde... tantas coisas, são tantas coisas.

Hoje não peço nada. Na realidade, não preciso de nada. Somente preciso de transmitir esta gratidão que acelera o compasso do meu coração.