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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

(365 palavras [1] auto-domínio)

02.01.13, a dona do chá
autodomínio * (auto- + domínio)  s. m. O mesmo que autocontrolo. autocontrolo |ô|  (auto- + controlo)  s. m. Controlo que um indivíduo tem de si mesmo. =AUTODOMÍNIO, AUTOCONTROLE Plural: autocontrolos |ô|. Num tasco, a clientela de Natal é totalmente diferente da clientela de Ano Novo. A do Natal tem aquela sonolência tranquila e descansada. Há os solitários de ombros desamparados. Eventuais famílias a vagar, sem horário a cumprir. Desfrutam o dia sem pressas. A (...)

(carta ao futuro)

31.12.12, a dona do chá
Querido Ano Novo de 2013, Quero dar-te as boas vindas de coração aberto e exposto. Gostaria de declarar publicamente que não guardo qualquer forma de preconceito ou superstição quanto ao facto do teu nome terminar em 13. Não te julgarei pelo teu nome, nem pelas estimativas, nem pelo que dizem que tu vais ser. Sei que vais buscar por fazer o melhor de ti. Caminhaste 365 dias para chegar a este momento: o início de uma etapa. E cada início tem o frescor das manhãs silenciosas. (...)

(a long december)

31.12.12, a dona do chá
Não terei saudades de ti, Dezembro. Não, mesmo. Não terei saudades desta tua tendência para o erro, para o vazio e para a solidão.  Não terei saudades de ti, Dezembro. Mas, é certo que a cada ano que passa, guardo a expectativa de que me surpreendas e de que sejas melhor. Esta esperança é a minha luta interna de rebelião contra o teu fel. Reconheço a tua generosidade para muitas pessoas e isto, de certa forma, consola-me. Saber que pessoas queridas vivem, através de ti, (...)

(vagas de lume)

31.12.12, a dona do chá
nestas horas, de silêncios e respirações entrecortadas, a casa dorme. a rua dorme. as gotas de chuva que caem sobre o estendal de roupa na varanda também estendem-se adormecidas. o mundo todo dorme e respira e inspira e transpira e esquece. o curso da madrugada é esta longa estrada de esquecimento e braços aprofundados no abandono dos lençóis. a minha pele, a tua pele, o hálito morno e os corpos em repouso. pela noite dentro, erguem-se horas de precipício. tudo está em pausa. (...)

(nomes e longos invernos)

29.12.12, a dona do chá
dos teus lábios sai o nome de todos os sinais. dos teus lábios, que encerram promessas e palavras não ditas, saem incertezas. e olhares apagados.  de ti, acerca de nós, acerca do que nunca fomos, transpiram ausências e longos invernos. porque somos assim, constantes e moderados. somos o que somos e não aquilo que nunca chegaremos a ser. somos calma, verdade e solidões acompanhadas. agarra-te aos dias, os anos hão-de passar e finalmente, seremos memória. pó, vento e vazio.

(os olhos de quem ama)

17.12.12, a dona do chá
De passo em passo, no chão polvilhado de vermelho e amarelo intermitente e húmido, as pessoas desviam-se da chuva. Uma longa estrada estende-se como um tapete de folhas caídas, chorosas e desmazeladas. Não há ordem na queda. Cai-se e mais nada. A chuva cria dias de ausência, de desconsolo e de silêncios. Era suposto todas as coisas fazerem sentido.      

(...)

03.12.12, a dona do chá
A pessoa diz que sempre a viu como alguém triste. E esta declaração, tão directa e limpa, fê-la estremecer. Gaguejou, desconversou e não pôde admitir diante da pessoa em causa de que aquele julgamente era a verdade. 

( despertador )

13.10.12, a dona do chá
Soa ao longe, bem ao longe. Soa como um acerto com a realidade. Insistente. Captura a atenção mas é um estranho. O vôo vai alto, as pernas não alcançam o chão e o céu tem flores de todas as cores. Basta colhê-las. Basta estender as mãos. Basta querer. Ali a vontade é um senhor que não falha. Multicor. Multi-vida. Naquele cenário tudo é possível. Por pouco tempo, mas possível. A estridência é o senhor do aqui e do agora. Os olhos desfocam, o corpo ressente e a estridência (...)

(muito menos)

12.11.11, a dona do chá
teus olhos. teus doces olhos. teus olhos que não encontram poiso. teus olhos que não enxergam mais.