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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

(se eu soubesse a resposta para cada pergunta...)

26.03.12, a dona do chá
se eu soubesse a resposta para cada pergunta e cada questão que deve ser colocada para cada resposta não seria sequer necessário viver. certo? custa viver na ausência de respostas e na busca de compreensão. então, eu que mastigo pensamentos entre as horas dos meus dias de lonjuras não consigo alimentar-me desta premissa tão simples, tão certa e tão evidente. não consigo. dizem que a vida é simples e que nós é que complicamos. dizem isso e penso. dizem isso e questiono. dizem (...)

(afinal, vale a pena?)

13.11.11, a dona do chá
há momentos em que penso em desistir de escrever no blogue e de fazer parte de redes sociais. lembro-me de ver ontem uma pessoa querida falar sobre isso no twitter e me reconheci nas palavras dela. fez-me pensar. chega uma altura em que questionamos "afinal, vale a pena?". sempre defini para mim própria de que valeria a pena enquanto, de alguma forma, escrever e participar em redes sociais for algo enriquecedor. é verdade que, pelo caminho, ficam chatices, decepções, brutalidades e (...)

(não ter como nem onde)

12.11.11, a dona do chá
a voz ordena a escrita, grita. a voz ordena que seja dito, insiste. a voz, a voz, a voz. a escrita, a escrita, a escrita. tens de escrever. tens. tem de ser. não pode ser. dizer o que não deve ser dito. dizer o que se pensa. dizer as lavas do coração em chamas. escrever e dizer. dizer e falar. falar e ouvir. ouvir e ferir. ferir e sofrer. não escrever e não dizer e não falar e não ouvir e não ferir e sofrer. espremer a normalidade e vestir a certeza de que nem tudo pode ser dito, (...)

( a pergunta e o espanto )

14.06.11, a dona do chá
- E o que vais fazer? E tu vais conseguir arranjar trabalho? - questiona, muito espantado. Não saberia dizer o que a ofendeu mais: a questão ou espanto do ponto de interrogação. Não saberia dizer quantas vezes teria ouvido estas insinuações e estas perguntas neste tom, desta natureza e com este tão pouco respeito. Não saberia dizer se o que a magoava mais seria ele não acreditar no seu valor ou ela não encontrar em si talento, dom e realidade. Se ela olhasse no espelho será (...)

(...)

15.02.11, a dona do chá
e se chover todo o dia e toda a noite e se persistir em chover mesmo amanhã o que seremos de nós dois e o que será de nós mesmos e o que será do dia, da noite, da chuva e de nós?

(...)

01.02.11, a dona do chá
Remissão   Uma única catedral gótica ou uma única cantata de Bach redimem a religião de todos os seus males. Ou não. Você pode atribuir a beleza da igreja e da música à devoção religiosa e perdoar as barbaridades que a mesma devoção inspirou através da história, ou concluir que uma coisa não determinou a outra — Bach seria Bach mesmo sem a devoção — e apenas se admirar que tenham sido simultâneas. Escolha: a arte religiosa se nutriu da violenta história do (...)

(sabor azedo)

25.01.11, a dona do chá
o dia atravessado na garganta. incômodo como uma farpa de madeira entranhada na pele. constante e dormente. desde o início até o fim, prevê. há dias assim, longos. indistintos. não se sabe bem porque é assim. o porquê disto acontecer. o porquê é a resposta e não a pergunta. a questão não é importante. a interrogação é normal mas não fundamental. a resposta é o que lateja. veja bem, há dias assim em que tudo parece um banho de jactos de água fria. entenda, a certeza de (...)

(aprender a voar)

30.12.10, a dona do chá
regresso com braços largos. regresso depois da partida. depois de ter entrelaçado nos dedos este céu de pó e de riscos. depois de atirado para fora os desperdícios do pensamento. regresso mas não sei se cheguei. não sei sequer se parti. acumulo as horas e os dias de sentimentos apartados. não os encontro. alguma vez os tive? terá sido uma ilusão ou um desfoque cardíaco? o coração bateu mas não bombeou sangue suficiente? faltou algo? falta algo? falta tudo? regresso com (...)

(na busca da resposta)

28.12.10, a dona do chá
o que posso lhe dizer que já não lhe tenha dito? não sei. palavra de honra que não sei. eu queria ter as respostas para as tuas dúvidas e incertezas.