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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Ler um poema enquanto o sono não chega. (2)

27.11.03, a dona do chá
« a chuva viaja no olhar um momento imóvel sobre o rio; dos ombros desertaram as aves a tarde dói: ácida e fria outro tempo marulha na espiga morna das palavras: uma festa dentro da cidade; outro tempo de férteis percursos fecundado agora a noite traz a harmonia do teu rosto; deixa-o assim: a florescer na água do poema como trigo. » José Manuel Mendes

Lombadas. (2)

07.11.03, a dona do chá
Estava ela alí, diante de mim. Discreta, escondida numa lombada verde pálido. Quase anónima. Toquei com os dedos a superfície rugosa da lombada, e retirei o livro antes que aparecesse alguém com a mesma ideia (confesso, é o egoísmo da possessão...). Abro o livro a meio (podia ter sido a primeira ou a última folha, deixo ao acaso) e pouso no seguinte poema:   « Onde habite o esquecimento, Nos vastos jardins sem madrugada; Onde eu seja somente Lembrança de uma pedra sepultada (...)

Lombadas. (1)

07.11.03, a dona do chá
Mergulhar na leitura consola-me. Nos dias em que estou triste, sem saber ao certo a razão, procuro ler ou reler um livro que eu tenha em casa. Noutras alturas, faço uma busca nas prateleiras da Biblioteca Municipal. Tento reflectir no silêncio sussurrante desse local. Diria que é um caso ou de persistência crónica ou de fé ingénua, já que o silêncio não é a característica - digamos - inata da Biblioteca. Abandono, portanto, a intenção de silêncio, e tento depositar uma (...)

Sobre o "dito pelo poeta".

21.10.03, a dona do chá
Gosto de pensar que o poema é « rigor e desmedida », « um sim e um não, e ainda um plácido talvez ». Mas gosto ainda mais de pensar que neste equilíbrio entre opostos, estamos todos nós - enquanto leitores - desconstruindo e construindo o poema, num processo interminável ( ou não? ) de significações. O leitor também é um ser solitário.

Dito pelo poeta.

21.10.03, a dona do chá
« Cada poema tem a sua história, é um fragmento de uma existência secreta, um estilhaço de biografia do poeta - embora o amador de versos deva ser alertado para a evidência de que, quer atravessando o claror do dia ou a misteriosidade da noite, o poeta é o portador de uma sinceridade sempre ungida pela mentira inerente à criação poética. A poesia é a voz ou a linguagem do outro: uma linguagem pessoal e intransferível dentro do sistema poético que representa a culminação (...)

Poetinha. (2)

26.09.03, a dona do chá
SE O AMOR PUDESSE Vinicius de Moraes / Marília Medalha Se o amor pudesse de repente compreender Toda a loucura que um amor pode conter Se ele pudesse, num momento de razão Saber ao menos quanto dói uma paixão Quem sabe o amor, ao descobrir a dor de amar Partisse embora para nunca mais voltar Mas me parece que uma prece ia nascer Na voz daqueles que o amor mais fez sofrer A lhe dizer que vale mais morrer de dor Do que viver num paraíso sem amor

Nocturno.

24.09.03, a dona do chá
«lá fora, noite pasmada. a lua, crescente aloirado, boia numa película sedosa. ouve-se o mar: discreto e íntimo como certos rumores de sonho»  José Manuel Mendes

Vozes.

16.09.03, a dona do chá
«Vozes para além do rio. São água também, correm até à foz do meu ouvido. E refluem agora, líquidas, da foz do meu olvido. Além do rio, vozes e acenos. Gritos tão leves, sobre os anos voando. A minha mão, a minha mão também esgueira um gesto curto enquanto a outra escreve. Desenha no papel seco a ponte, as pontes, todos os corredores das vozes donde chego à relva desta margem.» Pedro Tamen

Poema antes de dormir (1).

11.09.03, a dona do chá
EXAUSTO Adélia Prado Eu quero uma licença de dormir, perdão pra descansar horas a fio, sem ao menos sonhar a leve palha de um pequeno sonho. Quero o que antes da vida foi o sono profundo das espécies, a graça de um estado. Semente. Muito mais que raízes.

Poetinha.

11.08.03, a dona do chá
Aprecio bastante a poesia de Vinícius de Moraes. E quando falo de poesia incluo, para além dos seus poemas, as suas músicas. Posso dizer que é um dos poetas do meu coração. A Música das Almas Na manhã infinita as nuvens surgiram como a loucura numa alma E o vento como o instinto desceu os braços das árvores que estrangularam a terra... Depois veio a claridade, os grandes céus, a paz dos campos... Mas nos caminhos todos choravam com os rostos levados para o alto Porqu (...)