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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

( nada )

04.08.11, a dona do chá
estou um pouco farta de tudo. estou um pouco farta de frases feitas, de viver dias idênticos, de fazer o que todos querem. estou um pouco farta de tudo. estou farta que me preguem sempre o mesmo sermão com exclamações optimistas. estou farta que me queiram convencer que dias melhores virão. estou farta de esperar. estou farta de contar décadas. estou farta de estar presa. estou farta de ser boazinha. estou farta da escravidão. estou farta. farta. farta.    ser-se correcto, ter (...)

(pés inchados #3)

22.06.11, a dona do chá
Estou cansada que me digam para ter paciência. Não a tenho. Não a quero. A paciência só traz benefício para quem dela usufrui. E esta pessoa é sempre outra. A vida é assim: não há paciência para ela. Não a tenho. Não a quero. Não é fácil. Não é fácil ter paciência. Vivo esta sucessão de quedas. Levanto-me sempre. Esta queda, porém, enfraqueceu-me.  O que estava para vir, veio. E não há paciência.

(mulher)

08.03.11, a dona do chá
        Todos os anos eu escrevo praticamente a mesma coisa no Dia Internacional da Mulher. Escrevo para - sobretudo - relembrar que este dia tem um significado que está muito além do receber uma rosa, ouvir dizer "és uma mulher fantástica" e inflar o peito com jargões feministas. O Dia Internacional da Mulher serve para - infelizmente - marcar o extenso número de mulheres que, por todo mundo, ainda são vítimas de opressão. As realidades são muitas: violência (...)

(tu és bem-vinda)

16.02.11, a dona do chá
o céu está denso, carregado de nuvens e a espirrar gelo. tudo está cinzento. parece que o dia se transformou em noite e que a noite é uma continuidade do dia no mesmo tom. ajeitam-se cachecóis para afastar o frio, seguram-se guarda-chuvas para protegerem-se da chuva e abaixam-se os olhos para não pensar na solidão. é preciso correr para esquecer o vento, o céu, o frio, a chuva, os casacos, os guarda-chuvas, as ruas, as nuvens. é preciso correr, não olhar para os lados, abrir (...)

( diminuído)

17.12.10, a dona do chá
Tenho as sapatilhas e o casaco manchados de sangue.   Um homem caído no chão. Um homem que não se aguenta em pé. Chegamos em forma de auxílio. Dos olhos lhe escorrem lágrimas seguidas de miséria e de vazio. Os olhos não o traem. Não tem nada. Nem no olhar, nem nas mãos, nem na vida. Diz que queria ser diferente, que queria casar, que queria ter uma casa melhor, que queria encontrar um rumo. Os olhos prendem-nos em súplica por uma resposta que ele já conhece. Ele sabe qual é (...)

( Sobre o que é realmente importante #2 – ou “este país não é para velhos" )

21.08.10, a dona do chá
A A.L. caminhava pelas ruas do centro do Porto e deu com um senhor idoso encostado ao muro da estação da Trindade. Chamou-lhe a atenção porque ele aparentava não se sentir bem. Então, ela se aproximou e começou a conversar com ele.   Era um senhor de 72 anos, que vinha do tratamento de quimioterapia do Hospital São João. Ele estava exausto do tratamento, sem comer, sem dinheiro para transporte, viúvo e sem filhos e, por isso, estava sozinho. Completamente sozinho. Caminhava (...)

( Sobre o que é realmente importante #1 )

21.08.10, a dona do chá
O meu conceito de amizade é um pouco esquisito. À minha semelhança, talvez.   Eu não consigo chamar de “amigo” uma pessoa que conheço há coisa de dias. Há o sentimento de empatia e até podemos sentir amizade por alguém, mas isso não o torna necessariamente um amigo. Aprendi, desde cedo, a escolhê-los a dedo. Tenho alguns. Bons amigos. São pessoas que têm atravessado comigo, perto e longe, várias etapas. Alegrias e tristezas. E, depois tem isto: amigo que é amigo não (...)

( em concreto 2 )

23.01.10, a dona do chá
esta foi uma semana que marca o culminar de muitas coisas. tenho crescido, amadurecido, provado do refinamento de algumas virtudes, limado muitos defeitos e limitações. experimentei também certezas e incertezas, mas sobretudo certezas. vi, com muita clareza, com quem posso contar, quem são realmente meus amigos e quem está disposto a me estender o ombro para chorar (se fosse preciso ). nem sempre a proximidade física implica proximidade, lealdadade e solidariedade de coração. so (...)

( às vezes, dói )

02.12.09, a dona do chá
Chego em casa e começo logo a arrumar tudo o que não deu para fazer de manhã. Praticamente não páro o dia inteiro. Estes escassos minutos que consigo em alguns dias são o que me resta para fazer uma das coisas que mais gosto de fazer: escrever. Mesmo que sejam amenidades sem qualquer importância ou significado. Então, na correria de fazer tudo dentro do tempo, antes de voltar para o trabalho preparo-lhe o lanche e a medicação, que deve ser sempre tomada na hora certa. Nestas (...)

( óbvio )

17.03.09, a dona do chá
não parece possível fugir do que nos atormenta. o que mais tememos acaba sempre por acontecer. o que fazer para ultrapassar isto? parece que a insanidade ocupa aquilo que deveria ser óbvio e pergunta-se "estará louco?". por vezes, o egoísmo apresenta-se sob uma estranha forma de insanidade. será? talvez. diante disto muitas coisas são postas em causa. fé, esperança, brilho e ventura. Deus não tem culpa, é bem verdade. nós também não. o mundo é como é. algumas (...)