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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

08.02.16

Querer e conseguir.


a dona do chá

Há uma enorme distância entre querer e conseguir. Este ano estipulei o objectivo pessoal de ler os livros que eu já tenho na estante há algum tempo e evitar comprar novos. Ou, pelo menos, ler uma grande quantidade antes de comprar livros novos. O mais complicado é resistir a uma boa promoção. Também é muito complicado descobrir novos autores que se gostaria muito de ler (como a Elena Ferrante e Karl Ove Knausgard) e evitar uma possível compra. 

Tenho conseguido evitar mas querer é um sentimento tramado... 

08.02.16

Leituras de Janeiro.


a dona do chá

Na primeira quinzena do ano terminei a leitura de "Os Miseráveis" e tenho a dizer que foi INCRÍVEL. Tenho andado a "rascunhar" um texto sobre a obra mas tem sido difícil colocar em palavras a experiência de leitura deste livro que, sem sombra de dúvida, foi o melhor que eu li até hoje. Como falar de algo que é perfeito? A minha opinião diante deste livro parece ser algo minúsculo e insignificante. E o "pós-leitura" de "Os Miseráveis"...? Como conseguiria ler algo que chegasse aos pés desta obra? Conclui rapidamente que teria de algo bem diferente para poder ultrapassar esta ressaca. Uma decisão com bom resultado. Dediquei-me, então, a ler "Receitas de Amor para Mulheres Tristes" de Hector Abad Faciolince e outros dois livros da Elizabeth Gilbert: o "Comprometida" e "Grande Magia".

Em Janeiro também comecei a releitura de Jane Austen com "Razão e Sentimento" (sim, optei pela tradução brasileira), algo que tenho feito pausadamente - trata-se de uma releitura a ser degustada lentamente. Também comecei a ler juntamente com uma amiga "As Meninas" de Lygia Fagundes Telles;  está em andamento e tem sido complicada. São, a autora e esta obra, extremamente elogiadas mas realmente já pensei em desistir inúmeras vezes porque não tenho sentido qualquer empatia ou ligação ao livro. Para já, estou a persistir.

08.01.16

(...)


a dona do chá

"Entretanto, nada de descanso, nada de hesitação, nada de tempo de espera na grandiosa marcha dos espíritos para a frente.

A filosofia social é essencialmente a ciência da paz. Tem por fim e deve ter como resultado, a dissolução das cóleras pelo estudo dos antagonismos.

Examina, investiga e analisa; depois recompõe.

Dirige-se pelo caminho da redução, suprimindo de tudo o ódio."

 

Victor Hugo, Os Miseráveis

08.01.16

(...)


a dona do chá

"O desenvolvimento intelectual e moral não é menos indispensável do que o melhoramento material. Saber é um viático, pensar é de primeira necessidade; a verdade é tanto alimento como o pão. Uma razão, em jejum de ciência e de saber emagrece. Lastimemos, do mesmo modo que os estômagos, os espíritos que não comem. Se há alguma coisa mais pungente do que um corpo agonizante por falta de pão, é uma alma morrendo à fome de luz.
(...)
Nós que cremos o que podemos temer?
As ideias não são mais susceptíveis de recuar do que os rios.
Mas pensem bem os que não querem nada do futuro. Dizendo não ao progresso, não é o futuro o que eles condenam, mas a si mesmos. Adquirem por suas mãos uma doença sombria; inoculam-se o passado. Não há senão um modo de recusar o Amanhã, é morrer."

Victor Hugo, Os Miseráveis

07.01.16

Lendo Os Miseráveis. (3)


a dona do chá

Escolha o meio adequado de leitura.

Na altura em que comprei o livro de Os Miseráveis não havia muito por onde escolher. Basicamente, era publicado pela Europa-América. Entretanto, encontrei uma edição da Mel Editores e foi esta que adquiri. No Brasil, algumas editoras fazem a edição em dois volumes e talvez seja uma boa opção porque realmente o livro é volumoso. 

No dia-a-dia de leitura constatei que somente com o livro físico a leitura não rendia adequadamente. Eu já tinha o livro há uns bons quatro anos e actualmente tenho mais dificuldade de visão. Canso-me rapidamente. Por outro lado, leio bastante fora de casa o que torna inviável transportar calhamaços. Então comecei alternar com o ebook. Há vários sites de domínio público onde se pode encontrar Os Miseráveis e foi a salvação para a minha leitura. Sou fã incondicional dos ebooks e dos ereaders e, neste caso específico, facilitou-me imenso o conforto de leitura e a portabilidade.

Então, o hábito de leitura deve determinar o meio a ser utilizado para a mesma. Em leituras como esta que são, por natureza, longas torna-se fundamental estar confortável no acto de ler. No fundo, este aspecto aplica-se a qualquer leitura de um calhamaço, independentemente do género literário em causa.

07.01.16

Lendo Os Miseráveis. (2)


a dona do chá

Se for ler este livro, dedique-se só e unicamente a esta leitura.

A minha experiência com este livro tem sido bem diferente das leituras que habitualmente faço. Isto porque porque tenho a tendência para ler mais de um livro ao mesmo tempo. Raramente leio só um. A única explicação que encontro é que gosto de alternar livros quando estou a ler. Então, isto se tornou um percalço quando comecei a ler Os Miseráveis. Comecei em fins de Junho e enquanto lia tudo corria bem, mas comecei a notar que ao alternar com os outros livros o meu ritmo de leitura abrandava. Então, quando retomava o livro tinha sempre de voltar atrás e reler algumas partes do livro.

Conclui então que eu deveria parar e retomar somente quando tivesse total disponibilidade. Por isso, desde Dezembro tenho me dedicado ao livro e não me arrependi da escolha feita.

Os Miseráveis demanda tempo e dedicação. A história se desenrola entre a acção dos personagens principais mas intercala com descrições de factos, locais e personagens secundários, bem como com a exposição de pensamentos do narrador. Isto tornam os capítulos longos? Sim. Mas a magia do livro está nestes detalhes. Quando o narrador explica com detalhes algo, esta descrição não será à toa. Ele está a construir o terreno para algum episódio mais adiante. Nada é dito ao acaso ou para encher páginas. 

 

07.01.16

Lendo Os Miseráveis. (1)


a dona do chá

Desde 2012 que cultivava a vontade de ler Os Miseráveis. Sempre gostei desta história (que conheci através de série televisiva e de filmes) e também da banda sonora do musical. Então, quando veio ao meu conhecimento em 2012 de que seria lançado um filme/musical sobre a obra, a vontade voltou em força. Planeei ler a obra antes da estreia do filme, o que não consegui cumprir. Acabei por ir ver o musical no dia do meu aniversário em 2013 (e amo esse filme!) e o livro foi ficando de lado. 

Em 2015 comecei a ler o livro e já ultrapassei mais de metade e a cada página quase que faço uma vénia para a grandeza deste livro. Sei, quando chegar ao final, que este será um dos livros que entrará para o rol dos livros da minha vida. Há tanta coisa a dizer sobre o livro em si e sobre a experiência de lê-lo que resolvi fazer uns apontamentos sobre o mesmo. Se por mero acaso nunca leu esta obra, gostaria de deixar algumas impressões (e tentarei não dar spoiler) que podem funcionar como dicas para leitura.

05.01.16

Chego aos 40.


a dona do chá

Posso dizer que começo a sentir a passagem do tempo. Sim, é verdade, chego aos 40 anos. Apenas 40. Já quatro décadas ficaram para trás e com elas alguma história de vida. Apenas 40... Porque será que sinto ter alcançado um patamar diferente? O que muda realmente a partir de agora? Ocorrerá uma misteriosa e insondável aceleração do tempo? Uma amiga querida hoje me disse algo simples e fantástico: "você chegou àquele momento da vida em que já tem um passado mas ainda tem um futuro pela frente". E isto tocou-me profundamente porque nesta caminhada vivemos uma história com várias histórias dentro - páginas e páginas e páginas e páginas. E nunca se sabe muito bem onde vamos parar e o que vai acontecer a seguir. Mas algo já está escrito, algo meu. A estrada está diante dos olhos, os pés em posição de caminhar e o coração a queimar de vida. Ainda há muito a viver e ver.

Chego aos 40 com algumas perdas, ausências mas também com a vida bem mais completa, plena e verdadeira. Sou completamente grata por tudo que Deus tem concedido, pelos meus amores Gualter e Hugo, pelos meus pais, família e amigos.

Chego aos 40 com vontade de festejar e celebrar a vida! Sobretudo não perder tempo com o que não vale a pena. E, como outra amiga querida disse, gritar bem alto "uhu!!!!!!".

01.01.16

Meta de Leitura. (2)


a dona do chá

Para 2016 estabeleci uma meta um pouco diferente dos anos anteriores. Dantes era apenas uma meta quantitativa ambiciosa que gerasse em mim um compromisso com a leitura. Se, por um lado, criava uma certa pressão; por outro lado, ajudava a sistematizar uma rotina de leitura que tem tido um resultado muito bom na minha vida. Após dois anos seguidos, cumpri a meta e conclui de que sou capaz de levar a cabo uma rotina consistente de leitura. Neste ano estabeleço o auto desafio qualitativo.

Este ano quero ler os livros que já tenho na estante e quero me dedicar a ler alguns clássicos que há algum tempo tenho vontade de ler e que tenho deixado de lado por serem extensos. Acontece que há livros que demandam tempo, atenção e dedicação. Por isso, estabeleci uma meta baixa em termos quantitativos para assim não me sentir pressionada pelos números.  

Sim, há livros que são mais fáceis de ser lidos e isto não os desqualifica. Há leituras para todos os gostos e necessidades. Eu adoro livros mais leves e de entretenimento - ajudam-me a relaxar e divertir. Mas, durante a leitura de Os Miseráveis de Victor Hugo (que ainda não terminei), dei-me conta de que há uma riqueza profunda nos livros mais clássicos. Este ano quero ler alguns clássicos da literatura russa e trata-se mesmo de um desafio pessoal porque nunca fui muito atraída por esta área. De uns tempos para cá alguns livros como Ana Karenina e Crime e Castigo tem me despertado a curiosidade; por isso, vou em busca de conhecê-los melhor. 

Como referi antes, também quero ler o que já tenho. Sim, é verdade, aproveitar promoções dá nisso: tenho a estante cheia de livros que ainda não li. A maioria de blogues e canais literários chamam isso de TBR (to be read) mas não acho que esta expressão explique bem (por ser abrangente) o conceito de querer esvaziar a estante... porque afinal todos os livros são para ser lidos. 

Quero também ir na onda de um projecto que foi muito famoso ao longo de 2014 e 2015 que se chama "leia mais mulheres". Acho que é um projecto muito relevante e interessante. Quero tornar as minhas leituras mais equilibradas quanto ao género.

Por fim, quero fazer algumas releituras. Quero reler Jane Austen. É provavelmente a escritora que mais amo e que consegue surpreender-me a cada releitura. Se você que me lê neste momento nunca leu Jane Austen, faça um favor a si mesmo/a: LEIA! ^Também quero reler Pássaros Feridos.

Apesar de ser uma meta menor parece-me ser mais exigente. Vamos ver se vou estar à altura ou se vou falhar redondamente. Uma coisa é certa, o que quero mesmo é ler. Ler sempre. Ler é uma das minhas grandes paixões.

 

 

31.12.15

Meta de leitura (1)


a dona do chá

Consegui cumprir a minha meta quantitativa de ler 60 livros em 2015. Não consegui reler os livros de Jane Austen nem terminar Os Miseráveis antes de fim do ano. De qualquer forma, o saldo foi positivo porque li com regularidade e porque grande parte das leituras resultaram em partilha e conversas interessantes.