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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

18.01.05

( DA SIMPLICIDADE DOS GESTOS )


a dona do chá

Podia falar de tantas coisas: do que lhe tinha acontecido durante o dia, do que sentia, do que pensava. Mas Ana permanecia quieta. Não lhe interessava falar sobre si própria. Não queria ouvir o som da sua voz. Inquietava-lhe ser o centro das atenções. “Que tenho de especial?”.

Agradava-lhe o trabalho silencioso de ajeitar as roupas, fazia com carinho como se estivesse em casa. Pegava na peça de roupa, abanava no ar para desamarrotar, pegava no ferro de passar e deslizava-o com cuidado e destreza. O vapor encontrava a pele do seu rosto e criava uma película brilhante. Parecia suor, mas não era.

Juntava peça com peça e as distribuía conforme os respectivos quartos e gavetas. Gestos maquinais. Todos os dias, sempre igual. Mas era também agradável. Não precisava pensar. Por poucas horas, esquecia-se de tudo. Via outras vidas.

Como se estivesse no cinema.

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