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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

( CONSEGUIRIA? )

27.10.04, a dona do chá

[ Compreendia com grande clareza a sombra nos olhos da D. . Conhecia aquela sombra que estacionava entre o movimento ondulante de seus cílios. O seu sorriso tentava distrair os olhares mais atentos. Conseguiria…? ]




Antes de dormir, passava pelo quarto dos seus dois filhos, fazia um carinho e depositava um beijo de boa noite na testa de cada um. Ficava ainda uns segundos, encostada na porta, a olhá-los adormecidos. Deixava acesa a luz do corredor, para que eles não acordassem com medo. Até quando poderei deixar a luz acesa…?




D. ia pé ante pé até a cozinha, fervia água, acrescentava-lhe algumas ervas e esperava pela infusão. Para conciliar o sono, mais tarde. Como se isso fosse possível. D. trazia duas xícaras, uma para ela outra para seu marido. “O que vai ser de nós?” pensava ela. “Até quando poderemos viver assim?” verbalizou. Ele via a sombra de preocupação, também ele se preocupava, mas não sabia dar uma resposta. Não conhecia a solução. Nem todos os problemas acabam no fim de um capítulo. Nem todos os finais se assomam em horizontes ensolarados. Enquanto aquecia as mãos na xícara de chá, acreditava na mudança, acreditava que o alvorecer poderia ser diferente, que juntos encontrariam uma solução. Ela também acreditava nisso. O “entretanto” é muito complicado… Até quando teremos uma infusão quente…?




[ Compreendia o que ela estava a sofrer. Não vivi eu também tantas rejeições? Cada carta enviada e não respondida, é um passo descompassado dentro do quotidiano. Conhecia aquele pousar de olhos no chão, como a não querer ver o que está adiante. Conseguiria…? ]

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