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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

( CHÃO VERDE – 2 )

22.09.04, a dona do chá
O chão é verde. Reluz de tão polido que está. Penso que é um pouco estranho o chão ser daquela cor [estranho também são os pensamentos que nos passam pela mente quando estamos em momentos difíceis]. Um longo corredor semeado de chão verde. Enquanto caminhamos, o silêncio nos cerca, pelos lados. Somente ao longe, bem longe, não se sabe bem de onde, ecoa um som metálico. Talvez de pratos.



Empurramos a porta para encontrar outro corredor, cercado de outras portas.



Procuramos o rosto ansiado. O sorriso maternal.



- Podem ir sempre em frente, 6º quarto à esquerda. - Somos informados. Passos. Olhos interrogam cada porta. Todas iguais, as portas. Todos iguais, os quartos. Pessoas diferentes. Histórias de infortúnios e de esperanças.



Encontramos o rosto ansiado. O sorriso maternal. [se soubesses o quanto de vida este sorriso encerra. se soubesses o quanto de amor e de luta este sorriso guarda. se este sorriso fosse livro, ainda não estaria completo. indecifrável e profundo]



A voz soou fluida, mas enfraquecida. A pele com um brilho especial. Um pouco mais magra, é bem verdade, mas profundamente bela. Tive de conter uma enorme vontade de abraçá-la, de tentar afastar a sua dor com meus braços. Tive de conter a ânsia de ficar o tempo todo segurando suas mãos. Devolvia-lhe os sorrisos, falava-lhe com carinho e tentava afastar a sua preocupação.



-Tudo vai correr bem – dizíamos.



Contudo, há um certo desamparo nesta incapacidade de ter resposta para a dor daqueles que amamos.

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