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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

(a queda das cores)

19.09.11, a dona do chá

Ela vai sozinha, de preto e perseguida pelo silêncio ensurdecedor da morte. Dantes ele ia ao seu lado. Mãos dadas. Tantos anos e ainda permaneciam de mãos dadas. Faziam caminhadas e sentavam-se num banco de jardim simplesmente a ver a vida que construíram a passar diante dos olhos. Esta era a vida. Eram dias de partilha e mãos unidas. Um só olhar. Os filhos vieram, os filhos foram cada um para o seu lado e eles dois permaneceram. Unidos. Enfrentavam cada dia como parte deste percurso em que os pés não se desviam do objectivo. Dificuldades, obstáculos e barreiras - tudo isto surgiu.

Tantas noites em branco. Tantas noites a tentar encontrar soluções. Tantas noites de amor. Tantas noites de respiração e de sussurros. Tantas noites a dormirem abraçados. Tantas noites seguidas de dias inteiros de palavras, gestos e infinitudes. Tantos dias, tantos anos.

As questões, uma a uma, caem aos seus pés: Por que foste antes de mim? Onde estão as tuas mãos? Como prosseguir se me arrancaram metade de tudo o que sou? O que poderá calar esta absurda estridência que a tua ausência me causa?

Ela vai sozinha e de preto porque todas as cores perderam o sentido. 

De longe, vejo-a. Ela atravessa a rua. Sozinha e de preto. A caminhar com as mãos a pender de estranheza. Pisa lentamente. Não tem pressa. Lentamente. Ao redor de si, as cores caem inanimadas. O céu perde a beleza das tardes de sábado. O inverno começou. O inverno da ausência que não tem fim.

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