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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

(HILLSONG CONFERENCE EUROPE 2010 #2)

13.10.10, a dona do chá

Leio num artigo que "o olho é um órgão par, situado em cada uma das órbitas, no nível que separa o crânio da face". Permite-nos ter percepção, reconhecimento e localização de algo. A sua função primordial é captar luz que, através de uma série de processos gera reconhecimento no nosso cérebro.  Posso afirmar que o olhar é uma captação de uma série de sucessivas luzes? Esta ideia fascina-me: dos nossos olhos serem inundados de luz que se liga directamente ao nosso cérebro criando uma série de imagens. A luz inunda-nos e gera significado. A luz liberta-nos da escuridão.

 

Nestes dias, em Londres, pensei muito nisto. Eu fixava toda aquela profusão de cores e jogo de luzes e pensava nisto. Ouvia aquelas mensagens desafiadoras e acutilantes e fervilhava.  Reflectia sobre a capacidade de ver e de perceber o que vemos, de como a vida segue um rumo inesperado e de como todas as coisas fluem de maneira a nos fazer enxergar algo. Mesmo quando não queremos ver.  Melhor dizendo, pensei como Deus se revela de diferentes maneiras.

 

Tantas coisas começaram a fazer sentido. À volta da minha cabeça voavam inúmeras peças de puzzle. Sentia que pegava cada peça com as mãos e as encaixava uma nas outras. Ali, mesmo diante dos meus olhos. A verdade, de uma forma tão simples, tão pura.  Eu não enxergava. A luz entrava nos meus olhos mas não faziam ligação ao meu cérebro. Senti que Deus fazia ali comigo como um oftalmologista, que vai experimentando lente por lente até chegar aquela que me permitirá perceber, reconhecer e localizar as coisas e o sentido delas. Na realidade, é isso que Ele tem feito. Ele tem me ensinado a ver.

 

Ao ouvir um dos oradores referir o versículo já tão conhecido "e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" (Jo. 8:32) senti-me atingida. Liberto, oposto de preso. Não se trata apenas "de usar óculos". Também se trata de nos libertarmos do que de alguma maneira nos aprisiona. Acreditem, todos temos algo em nós que nos puxa para baixo. Há sempre algum aspecto na nossa vida ou no nosso quotidiano que não nos quer deixar ver a luz.  E não me refiro a pessoas. Refiro-me às nossas próprias inseguranças.

 

Eu confesso que eu tenho alguns aspectos que me prendem. Alguns medos. Medo de arriscar. Medo do imprevisto. Medo de voar demasiado alto. Tenho receio pelo amanhã. Sou insegura e pouco auto-confiante. Preciso sempre de pára-quedas. Naqueles momentos, em que as luzes eram estrelas pontilhadas e enquanto o chão tremia com a intensidade dos passos, eu entendi. A minha "graduação de lente" foi ajustada. Entendi que o medo é natural mas não deve ser dominante. Apesar desta insegurança inata há a tenacidade. Entendi que tudo pelo que tenho passado é para me preparar para algo. Não sei bem o quê.

 

Vi cair o peso e o cansaço.

 

Não posso deixar de estar grata pelo "ajuste". Espero que seja sempre um processo contínuo. Tomo com  os dedos  uma expressão de Vinícius de Moraes e escrevo que quero estar sempre "em construção".

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