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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

07.07.10

(vestígios de casa)


a dona do chá

Não há intervalos. Não existem tréguas. O sol escorre pela manhã e invade cada centímetro do chão. Apropria-se das paredes. Percorre as árvores. Aloja-se nos grãos da areia da praia. Este calor não é algo desconhecido. Faz lembrar outros dias. Faz lembrar outros cheiros e outros aromas e outras paragens. Faz lembrar dias de sol da dimensão do nosso olhar em direcção ao horizonte. Faz lembrar dias em que o sol era o nosso hóspede constante. O pó da terra se misturava ao calor da pedra do solo, as cigarras guerreavam entre si e a árvore lá no alto da colina era a promessa de dias futuros e desconhecidos. O sol como companheiro de brincadeiras e sonhos. Subia-se o muro de casa e equilibra-se no seu estreito caminho. O sol fazia do corpo a sombra e caminhava no mesmo passo. A grande amendoeira seria o seguro amparo em caso de queda. Lá caminhava-se. Estes dias fazem-me relembrar outros dias. O sol, o céu, o cheiro acre, o cheiro intenso, o cheiro a terra. A chuva após o sol, o sol após a chuva. As noites sufocantes. As noites de lua bem aberta, mas com a lembrança do regresso do sol. As noites silenciosas e gritantes. Nunca mais se adormece. Nunca mais é dia. Os dias, estes dias, os dias passados, os dias futuros. Não há intervalos. Não existem tréguas. O sol, o calor, o cheiro, as cigarras, a terra, as árvores, as nuvens, os dias, os sonhos, a chuva. Tudo se repete, tudo se refaz, tudo se renova. A colina ficou nestes vestígios de casa. Mas o horizonte vai além. Além do olhar. Além do sol.

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