Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

02.11.05

( ANTIDEPRESSIVOS )


a dona do chá

Os estilhaços estavam aos teus pés. A tampa de vidro caiu-te das mãos. Agarras um pedaço de vidro e, como quem abre os olhos, vês-te a ti própria. Vês aquele pedaço de vidro a te abrir os pulsos e o sangue a escorrer. Numa fracção de segundos. E, de repente, o vidro queima-te os dedos. Assustas-te e largas o vidro.
Este foi o momento. O passo antes de cair no abismo. O momento do confronto. E tu ressurges da agonia. A tua felicidade e o teu bem-estar é ainda um alvo a alcançar, ainda te sentes fraca e fragilizada deste caminho; mas recuperas a consciência de que a dor pode ser esquecida e a auto-estima recuperada.

E dizes-me que "Eu juro que isso aconteceu, que eu me vi a cortar os pulsos. Não foi um sonho, não foi uma visão. Eu senti o vidro, que estava frio, a queimar-me os dedos".

Eu digo-te "eu acredito".

E acredito mesmo.

02.11.05

( SER UMA FAMÍLIA )


a dona do chá

- 1 de Novembro de 2005 -
Este dia não poderia ter acordado sem chuva. Um dia pode ser da dimensão de uma saudade, de uma ausência. Mas esta dimensão se prolonga por todos os dias. Todos os dias.
Ver as letras a formarem o teu nome e colocar os nossos corações em forma de flores alí no marmore frio não diminuiu a nossa dor. Um coração ferido, por vezes, vê as suas feridas (re)abertas. Porque não nos imaginávamos num local destes tão cedo. Porque não suportamos a tua ausência como aparentamos.

Como disse o teu filho: tu eras a nossa fonte de humanidade e de equilíbrio.
Eras a nossa alma.

Pág. 2/2