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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

17.05.05

( DECLARAÇÃO DE AMOR )


a dona do chá

Amei-te desde o primeiro instante em que te vi. Dediquei-te a certeza da eternidade.
Contive-me em revelar-te essa verdade. Por timidez. Por pudor. Por que aquele não era o momento certo.
Tudo tem o seu tempo, e o nosso haveria de ser construído no seguimento de nossos passos conjuntos.

Assim foi.
Assim tem sido.
Assim será.

16.05.05

( DOS AMORES - 4 )


a dona do chá

Há alturas em que sinto uma enorme vontade de contradizer a minha personalidade. Exceder-me.
Abrir as janelas e cantar bem alto. Não para que os outros me ouçam. Apenas pela satisfação do acto. Apenas pela incompreensão nos olhos dos outros.


--


Música do Dia: "Eu tive um sonho", Kid Abelha.

11.05.05

( O RISO PERANTE A BANALIDADE )


a dona do chá

Apetece-me rir, meu amor. Apetece-me rir da estranheza com que os olhos alheios nos seguem. São olhos que não enxergam, não observam, não reflectem. São olhos que se limitam à primeira imagem e tiram as conclusões que querem. Superficiais. Banais.
Apetece-me rir, meu amor. Apetece-me rir desta estranheza e da confusão deles. Pensam que sabem tudo, todavia não sabem nada. Nada de nada. Tiram conclusões precipitadas e erróneas, espalham boatos mascarados de pia preocupação e em conjunto conjecturam a melhor forma de nos salvar da danação eterna.
Apetece-me rir, meu amor. Apetece-me rir deles. Um riso entrecortado de lábios. Falam do nosso amor como se entendessem o sentimento que nos une. Rio porque não os levo a sério. Se assim não fosse, certamente lamentaria a patética, ridícula e mesquinha atitude que revelam. Não posso considerar o que é banal, seria perda de tempo.

Só tu e eu sabemos…
Atiras-me um beijo com a mão, e eu o apanho com o meu sorriso.

11.05.05

( SEMIDEUSES - 2 )


a dona do chá

Não é a primeira vez que falo sobre isto. Sobre “semideuses” e o Poema em Linha Recta (de Fernando Pessoa). Está algures no meu arquivo. Nestes dias, por diferentes motivos, tenho tido vontade de berrá-lo:

« Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não uni pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ô príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
»
--

Tens um coração puro como poucas pessoas. A tua dedicação foi injustiçada e desprezada. Era nítida a profunda tristeza e decepção que os teus olhos abrigavam. Diante de disto tudo, tive vontade de berrar as palavras de Pessoa, para ver se alguém acordava e se apercebia do grande malefício que te estava a imputar, bem como da grande burrice que estava a perpetuar.
D., repito, o teu coração é puro. Não deixes que os ditos “semideuses” o abalem. Eles não merecem sequer um bocejo de enfado teu.

11.05.05

( DOS AMORES - 3 )


a dona do chá

Dizer que “quem canta os seus males espanta” é um pouco redutor.
Ouvir e cantar, mesmo que no duche, as músicas da Zélia Duncan reforça a certeza de que viver é realmente muito bom.

11.05.05

( NO OUVIDO )


a dona do chá

« Na hora da sede você pensa em mim
Pois eu sou o seu copo d'água
Sou eu quem mata a sua sede
E dou alívio a sua mágoa

É sempre assim
Você foge de mim
eu pra você só sirvo de água

Mas se a fonte secar você se acaba
Você vai, você vem, você não me larga
»

Na Hora da Sede, Luiz Américo / Braguinha

04.05.05

( LIDO )


a dona do chá

« Fala-se do Japão; nem, francamente, devera presumir-se que eu ia referir-me a um país qualquer ocidental, onde a nossa raça branca floresce.

É no Oriente, e em especial no Extremo Oriente, que as coisas comuns da criação ou os usos e costumes triviais da vida são susceptíveis de merecer um tal requinte de solenidade sentimental e de praxes de rito, que constituam um verdadeiro culto. No espírito do europeu, despoetizado pela chateza do ideias da época , atribulado pelas multíplices exigências da vida, pervertido pela febre do negócio, não medram de há muito os cultos. Especializando a observação do chá, havemos de convir que este artigo de comércio, que de tão longe nos vem, propositadamente adulterado conforme o nosso gosto, no fim das contas se resume numa detestável infusão que entrou na moda no sport social, simples pretexto para repastos pelintras, para reuniões banais, para palestras vãs.
A Ásia é outra coisa: a muitos propósitos imersa ainda em barbarismo, se assim se quer dizer; com mil defeitos e mil erros, que a sábia Europa aponta a dedo e algumas vezes corrige, quando pode, com a lógica dos seus canhões de tiro rápido; o que ela retém ainda, indiscutivelmente, esta Ásia, é o carácter ancestral, nada vulgar, nada rasteiro, palpitante de orgulhos de raça, aprazendo-se em sonhos e em quimeras, acariciando a lenda, divinizando as coisas, prodigalizando os cultos; o que é, em todo o caso, uma maneira amável de ir compreendendo a vida. »


Wenceslau de Moraes, O Culto do Chá

04.05.05

( NO OUVIDO )


a dona do chá

Acho que você não percebeu

Que o meu sorriso era sincero

Sou tão cínico às vezes

O tempo todo

Estou tentando me defender

Digam o que disserem

O mal do século é a solidão

Cada um de nós imerso em sua própria arrogância

Esperando por um pouco de afeição

Hoje não estava nada bem

Mas a tempestade me distrai

Gosto dos pingos de chuva

Dos relâmpagos e dos trovões

Hoje à tarde foi um dia bom

Saí prá caminhar com meu pai

Conversamos sobre coisas da vida

E tivemos um momento de paz

É de noite que tudo faz sentido

No silêncio eu não ouço meus gritos

E o que disserem

Meu pai sempre esteve esperando por mim

E o que disserem

Minha mãe sempre esteve esperando por mim

E o que disserem

Meus verdadeiros amigos sempre esperaram por mim

E o que disserem

Agora meu filho espera por mim

Estamos vivendo

E o que disserem os nossos dias serão para sempre.


Legião Urbana, Esperando por mim

---

*L.B. fizeste-me lembrar esta música. Tu sabes porque ;o)