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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

04.04.05

( ... )


a dona do chá

Estou atrás

do despojamento mais inteiro
da simplicidade mais erma
da palavra mais recém-nascida
do inteiro mais despojado
do ermo mais simples
do nascimento a mais da palavra.


Ana Cristina César

04.04.05

( AZIA )


a dona do chá

reside neste gosto amargo, a verdade. uma agudez rara, uma azia intrometida. como se todos os sabores apodrecessem. as palavras escorregam pelo céu da boca. presas. contidas. não querem sair. o esforço seria infrutífero. o cansaço seria a recompensa.

04.04.05

( SEM RESPOSTA )


a dona do chá

"- Então, existirá o amor?"

Se existia, não saberia dizer. Não com a total certeza. Podia ser um engano, como quando entramos numa rua - pensando estar no local certo - e somente depois apercebemo-nos de que não era aquela a morada pretendida.

03.04.05

( SEGUNDA PELE )


a dona do chá

Pensava várias vezes que a vida não podia ser só isso. Este desencontro. Esta ansiedade. Este desalento. Não importavam os problemas e as dificuldades, desde que aquela velha solidão desaparecesse. Parecia uma segunda pele, que não a abandonava. Outrora depositou as suas esperanças no amor. Não deu ouvidos aos poetas que clamam pelo valor do amor, mas também pela sua incontinuidade. Não dura para sempre, dizem. Mais do que isso, alertam.

Clara ansiava pelo amor, como uma tábua de salvação. Algo ao qual podia se agarrar, se dedicar e receber retribuição. Sim, porque queria ser amada. Ansiava por ser o centro na vida de alguém. Arrancar fora aquela segunda pele. Poderia, então, esquecer tudo o que sofreu.

O que Clara não contava era com a incompreensão. Apesar de encontrar o amor, a incompreensão foi se alojando devagar. O seu efeito mostrou-se mortífero. Ia roendo por dentro. A segunda pele começou a se instalar novamente. Terá alguma vez desaparecido?

Clara não conseguiu deixar de dizer-lhe: "a minha solidão é mais profunda agora".

01.04.05

( NO OUVIDO )


a dona do chá

(...)
I don't know why I go walking at night
But now I'm tired and I don't want to walk anymore
I hope it doesn't take the rest of my life
Until I find what it is that I've been looking for

In the middle of the night
I go walking in my sleep
Through the jungle of doubt
To a river so deep
I know I'm searching for something
Something so undefined
That it can only be seen
By the eyes of the blind
In the middle of the night

(...)

Billy Joel, The river of dreams

01.04.05

( PENSAMENTO ENTREDENTES )


a dona do chá

Eu sei que procuro por algo. Eu sei que estou aqui, não por mero acaso. O acaso é só um conceito. Não tento explicar todas as coisas, não seria possível. Mas posso entender, sem me explicar, que não estou aqui por acaso.


[Pensou, enquanto ouvia a música]

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