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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

07.11.03

Lombadas. (2)


a dona do chá

Estava ela alí, diante de mim. Discreta, escondida numa lombada verde pálido. Quase anónima. Toquei com os dedos a superfície rugosa da lombada, e retirei o livro antes que aparecesse alguém com a mesma ideia (confesso, é o egoísmo da possessão...). Abro o livro a meio (podia ter sido a primeira ou a última folha, deixo ao acaso) e pouso no seguinte poema:
 
« Onde habite o esquecimento,
Nos vastos jardins sem madrugada;
Onde eu seja somente
Lembrança de uma pedra sepultada entre urtigas
Sobre a qual o vento foge à sua insónia.

Onde o meu nome deixe
O corpo que ele aponta entre os braços dos séculos,
Onde o desejo não exista.

Nessa grande região onde o mar, anjo terrível,
Não esconda como espada
Sua asa em meu peito,
Sorrindo cheio de graça etérea enquanto cresce a dor.

Além onde termine este anseio que exige um dono à sua imagem,
Submetendo a sua vida a outra vida,
Sem mais horizonte que outros olhos frente a frente.

Onde dores e alegrias não sejam mais que nomes,
Céu e terra nativos em redor de uma lembrança;
Onde ao fim fique livre sem eu mesmo o saber,
Dissolvido em névoa, ausência,
Ausência leve como carne de uma criança.

Além, além, longe;
Onde habite o esquecimento. »


Senti-me atingida. Tive de o trazer comigo. Como afirmei anteriormente, encontro alguma evasão - necessária - na poesia. Desta vez, encontrei no Luis Cernuda.

07.11.03

Lombadas. (1)


a dona do chá

Mergulhar na leitura consola-me. Nos dias em que estou triste, sem saber ao certo a razão, procuro ler ou reler um livro que eu tenha em casa. Noutras alturas, faço uma busca nas prateleiras da Biblioteca Municipal. Tento reflectir no silêncio sussurrante desse local. Diria que é um caso ou de persistência crónica ou de fé ingénua, já que o silêncio não é a característica - digamos - inata da Biblioteca. Abandono, portanto, a intenção de silêncio, e tento depositar uma esperança por novidade. Procuro por livros novos. Não há. (Pelo menos, dentro dos meus gostos). Mas insisto, continuo a passear os olhos por lombadas, a cabeça meio inclinada para a direita, e dou por mim na secção de poesia.
É sempre assim.
Encontro alguma na poesia a possível salvação.

05.11.03

Tipos.


a dona do chá

A única pessoa que realmente me ensinou alguma coisa, um velho que se chamava Darrell, dizia sempre que existem três tipos de homens: os que vivem diante do mar, os que se aventuram mar adentro, e os que do mar conseguem voltar, vivos. E dizia: vais ver que surpresa quando descobrires quais são os mais felizes. 

Alessandro Baricco, Oceano Mar

04.11.03

Beleza americana.


a dona do chá

 

It was one of those days when it's a minute away from snowing and there's this electricity in the air, you can almost hear it, right? And this bag was like, dancing with me. Like a little kid begging me to play with it. For fifteen minutes. And that's the day I knew there was this entire life behind things, and... this incredibly benevolent force, that wanted me to know there was no reason to be afraid, ever. Video's a poor excuse. But it helps me remember... and I need to remember... Sometimes there's so much beauty in the world I feel like I can't take it, like my heart's going to cave in. 

Ricky Fitts, American Beauty 

Belíssimo. Adoro este filme.

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