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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Outra faceta.

13.08.03, a dona do chá

Através dos olhos frágeis e humanos, ela surgiu com um tom avermelhado, que se metamorfoseou num amarelo torrado. Através dos meus olhos frágeis e humanos, parecia-me familiar, embora distante. Olhei-a mais uma vez, mas com outros olhos, com olhos artificiais. Pareceu-me estranhamente próxima e, ao mesmo tempo, desconhecida. A sua cor afigurou-se-me mais branca e a sua superfície acidentada. Permaneceu, porém, a certeza de duas características: a beleza e a imponência.
Posso dizer que me apaixonei à segunda vista por ela, pela Lua.

Num passeio nocturno, pelas ruas da pequena e pacata cidade onde moro, "esbarrei" contra um evento inesperado. Algumas pessoas juntavam-se para ver algo que ia acontecer. Dois homens preparavam o equipamento: uma tela, um computador portátil, um projector de vídeo, um microfone, uma coluna de som e um telescópio. Um Professor começa a falar, e explica em cerca de 30 minutos algo sobre a dimensão do universo. Fala de como existem uma grande quantidade de galáxias, e dentro delas milhões de estrelas... Olho à minha volta, e vejo um público diversificado. Desde adultos e jovens atentos a crianças de olhos a brilhar ( talvez já a sonhar com aventuras espaciais e com planetas desconhecidos...). Volto a minha atenção para o referido Professor, pertencente a uma associação de astronomia local. Para rematar, após a pequena apresentação, quem quisesse podia ver a lua pelo telescópio. Visão magnífica... Pena que não pude ver Marte, que segundo o Professor, está mais próximo da Terra como nunca esteve desde o Neandertal.

Confesso a minha ignorância sobre esta temática. Talvez por não ter sido incentivada. Talvez por não me terem estimulado o interesse pelo saber científico nos tempos de estudante. A verdade é que, apesar de parecer ridículo, até hoje não tinha visto os astros através de um telescópio (pergunto-me inclusive se o nome do instrumento em causa será esse, se não for, agradeço qualquer esclarecimento). Senti-me feliz por aquele breve e simples momento, e ao mesmo tempo, surgiu uma sensação de culpa. "Porque dentre tantas leituras que fiz, nunca tomei a iniciativa de ler sobre isto??". Neste momento experimento uma certa ansiedade. Quero recuperar o tempo perdido. Quero vasculhar estantes de bibliotecas em busca de conhecimento.

Depuro disto tudo outro pensamento: não terá este tipo de evento, simples e pequeno, maior efeito para o incentivo à busca do saber, do conhecimento e da cultura, do que discursos pomposos e eventos estanques?

Apesar de ser uma jovem adulta, senti um entusiasmo que só se sente quando se é criança. Se não fosse por mais nenhum motivo, só isso já teria valido a pena.

Amizade.

12.08.03, a dona do chá

É um lugar comum dizer isto, mas a vida sem um amigo não teria qualquer sentido. Chego porém a outra conclusão, a de que ajudar um amigo e conseguir estar presente quando ele precisa é uma sensação grandiosa. É semelhante ao cumprimento de uma missão, mesmo sem esta missão estar delimitada por regras oficiais e escritas.
É dar-mo-nos ao outro.
No fundo, é uma forma de amor.

Pausa.

11.08.03, a dona do chá

Quando a mente está desatenta para o mundo que a rodeia, o olhar a acompanha.
A vida passa diante dos olhos, mas o registo deste movimento não é gravado.
E tantos momentos, mesmo que efêmeros, são eternos...
Trata-se de um torpor... Será o famoso efeito que as segundas-feiras causam nas pessoas?

Pergunta e resposta.

11.08.03, a dona do chá

Num passeio de fim de tarde, um casal de namorados vagueia pelas ruas da cidade onde moram.
Vêem passar a vida, e nela dão passos incertos e distraídos.
Ela olha para ele e pergunta-lhe:
- Gostas de mim?
- Muito... - ele responde-lhe e, ao mesmo tempo, abraça-a mais.
Ela sorri com um sorriso aconchegante contra os ombros dele.
E os passos tornaram-se mais confiantes.

Poetinha.

11.08.03, a dona do chá

Aprecio bastante a poesia de Vinícius de Moraes.
E quando falo de poesia incluo, para além dos seus poemas, as suas músicas.
Posso dizer que é um dos poetas do meu coração.

A Música das Almas

Na manhã infinita as nuvens surgiram como a loucura numa alma
E o vento como o instinto desceu os braços das árvores
que estrangularam a terra...

Depois veio a claridade, os grandes céus, a paz dos campos...
Mas nos caminhos todos choravam com os rostos levados para o alto
Porque a vida tinha misteriosamente passado na tormenta.

Vinícius de Moraes

A desolação dos últimos dias, dos incêndios que têm assolado o país, trespassaram a minha mente ao reler este poema.
Espero que finalmente consigamos ver que a vida passou pela tormenta...mas conseguiu sobreviver.

Mudança de papel.

08.08.03, a dona do chá

Em todos os caminhos que trilhámos está implícita a escolha. Estamos sempre cercados por decisões e opções a tomar. Durante muito tempo, reservei-me ao direito de ser apenas leitora deste pequeno mundo designado por "blogosfera". Porém, afigurava-se uma experiência aliciante ver a outra face da moeda. Por isso, eis-me aqui. Deixo de lado o planeamento e as premeditações, e vou seguir apenas a minha intuição.

É quase como dizer que vou viver um dia de cada vez.

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