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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

( o coração é um órgão de fogo )

14.01.10, a dona do chá

- Por um lado -

 

Há o medo. Um não saber bem o que irá acontecer. Uma impotência diante dos acontecimentos. Concretamente ninguém pode fazer nada. Apenas insistir no cuidado, tomar os remédios na hora certa, tratar para a comida ser o mais saudável possível, verificar  se ele não tem frio e se sente bem. O resto está nas mãos de Deus e, em breve, nas mãos dos médicos também.

Há o medo e a ansiedade. Um contar das horas, dos dias, dos minutos. Uma vã tentativa de memorizar todos os momentos e todos os sorrisos e todos os olhares. Tentar deixar de lado o que não foi bom. Algumas injustiças. Algum magoar do coração dedicado. Percorrer estas paredes e estes corredores e procurar uma solução. Ansiar por esta solução. E o medo e a ansiedade são companheiras fiéis de todos aqueles que perseguem uma conclusão. Daquele tipo de conclusão que nos deixa feliz no final.

Há o medo, a ansiedade e entretanto a angústia. A passagem do tempo e o correr do processo acelera o passo e o coração. De repente, um frio na barriga se apodera da racionalidade. Que o pensamento se transborda de lembranças que latejam com os episódios do presente. E não volta, e não volta o passado. E não volta a infância. E não volta o tempo em que brincava despreocupada da finitude da vida. E não chega o dia. E não chega a hora de vê-lo for a de perigo. E não chega a hora de vê-lo recuperado. E não sei se ele um dia conhecerá os meus filhos. Aqueles que eu ainda não tenho mas espero ter.

Ah o medo, a ansiedade, a angústia. Não me abandonam. Conheço-lhes o face, sinto-lhes o cheiro e chamo-lhes pelo nome próprio.

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