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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

( às vezes, dói )

02.12.09, a dona do chá

Chego em casa e começo logo a arrumar tudo o que não deu para fazer de manhã. Praticamente não páro o dia inteiro. Estes escassos minutos que consigo em alguns dias são o que me resta para fazer uma das coisas que mais gosto de fazer: escrever. Mesmo que sejam amenidades sem qualquer importância ou significado. Então, na correria de fazer tudo dentro do tempo, antes de voltar para o trabalho preparo-lhe o lanche e a medicação, que deve ser sempre tomada na hora certa. Nestas coisas, a rotina é fundamental. Então aqueço-lhe o leite bem quente, como ele gosta, e coloco cevada, que ele não deve tomar café. Depois preparo o prato com queijo fresco magro e algumas bolachas sem açúcar. Além de cardíaco, ele é diabético. Então ele levanta-se da cama e vem lanchar. Estou a lavar a loiça e a primeira coisa que diz ao sentar-se é "o almoço estava uma merda, apetecia-me vomitar no fim".

....

O que vou dizer diante disto??

...

Todos os dias nos esforçamos para lhe dar uma alimentação saudável para lhe controlar a glicemia e evitar gorduras por causa do coração e, ao mesmo tempo, tentamos lhe proporcionar comidas saborosas. Hoje preparo-lhe uma das comidas que ele mais gosta e ele antes de mais nada diz-me aquilo. Só me apetecia chorar de frustação e de injustiça. Como é que alguém diante da dedicação diz que foi "uma merda"?

Em dias assim, questiono-me a mim própria se a minha dedicação é algo vão. Se estes anos que tenho perdido a cuidar do meu pai  não significam nada. A única coisa que eu preciso de ver é respeito. E o que ele mais me atinge é naquilo que eu mais prezo: o meu senso de justiça.

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