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Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

( o coração é um órgão de fogo 18 )

13.04.09, a dona do chá

- o homem imobilizado e a mulher do olhar cansado -

o homem, imobilizado na cama, só podia ser alimentado por sonda. já não podia ser movimentar. a sua mente já não comandava os seus movimentos. já não falava. apenas o som aguerrido da insistente respiração. um olhar perdido de quem sabe o que está a acontecer e de quem sabe que não há mais nada a fazer. a mulher, cabelos brancos, amarrados no alto da cabeça com um travessão, unhas enegrecidas de quem trabalhou a vida inteira na terra, também sabe que não há mais nada a fazer. apenas esperar. ela não entende muito bem o que a enfermeira lhe diz. com os olhos sempre vermelhos, de quem passa as noites a chorar, olha confusa e resignada. a enfermeira fala, fala, fala. e ela encolhe os ombros. "que hei-de fazer?", deve estar ela a pensar. a enfermeira sai e ela aproxima-se da cama, acaricia o rosto do homem, diz-lhe "o que foi?", "então?", "não te aflijas". afaga-lhe mais uma vez o rosto. pega num lenço, emudece-o e passa-lhe nos lábios ressecados pelo esforço de respirar. ele acalma-se. ela volta a sentar-se na cadeira. segura o próprio rosto com as mãos. até ouvir-lhe a respirar com dificuldade novamente. volta a levantar-se. e tudo se repete.

 

a verdadeira prova de amor se vê numa cama de hospital, quando o amor resiste a prova do amor e da doença. o resto são balelas.

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