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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

A propósito de não se gostar do que tudo mundo gosta.

Um dia o inevitável momento acontece:  sentir-se só, em cima do palco, com a luz a dar directamente contra os olhos e tudo o que se enxerga é penumbra e sombras. Desconforto, imobilidade e exclusão.

Há sempre um preço a pagar pela autenticidade. E este é um excelente legado e lição para transmitir ao meu filho. 

 

Não pode ser.

Não pode ser. O pensamento antes da queda. A incerteza da antecedência. Não, não pode ser. A pausa iluminada pela ausência de som e de momento. Uma contagem sem fim do desconhecido. Não, não pode mesmo ser. Há uma totalidade de inacreditável, de intangível e de mornidão. Lágrimas, angústia, espera, descompasso, esperança e o sabor amargo da impotência.

Perder. Não pode ser.

Eu daria a minha vida por ti. Mas, não, não pode ser.

Doença.

A compreensão da imperfeição é iluminada pela certeza da falibilidade. O senso de justiça, para si e para os outros, entra em erupção e transborda pelas veias do quotidiano. Não há nada a fazer quando não há nada a ser remediado. Quando um vaso é quebrado, os seus cacos nunca poderão ser reconstituídos à condição inicial. O problema não está na imperfeição, nem na fabilidade. O que importa alcançar é o foco (da doença?).

Pensamento solto.

Assim, meio sem querer, o pensamento ganha as suas próprias asas e torna-se independente. Segue um rumo ao qual não lhe dedico muita atenção. Entre uma tarefa e outra, posso ouvi-lo. Lavo um prato e enxugo um prato e lá vai ele, pensamento, em corrida simples. Deixo-o andar, ele é uma criança: precisa do seu espaço. 

Recordações anónimas.

Esta inútil consciência de que os gestos não são suficientes e de que cada dia reserva lugar ao imprevisto. É um movimento involuntário de desencontro entre as horas silenciosas em meio ao ruído circundante e um número de coisas sem sentido. Perseguir os segundos para refazer uma série de minutos. Despender cada volume de tempo para cumprir o dia até que venha a noite.

Um tic-tac, uma contagem invisível e as nuvens raiadas de cinzento que ocupam cada azul do céu. É audível a presença de crianças a brincar ao fundo da rua. Risos e gargalhadas: a vida em pés saltitantes. Um leve farfalhar das folhas e dos galhos e o pensamento de como isto é agradável. Há um inclinar das árvores à passagem das horas e ninguém dá por isso. Quase ninguém. Talvez porque ainda seja Primavera quando todos querem Verão. Apetece esquecer as convenções da normalidade social e fechar os olhos no mover de cada passo. Fechar os olhos para ver. Sentir este som atravessar o cabelo e criar novas memórias. Recordações anónimas de uma manhã como todas as outras.

(Sobre a gestão do tempo)

Intriga-me o facto das pessoas julgarem que se consegue tempo para tudo. Por outro lado, revolta-me um pouco que quem não consiga igual façanha seja julgado como ineficaz. Preguiça e desorganização geralmente são os motivos apontados para explicar essa ineficácia. "Páre de arranjar desculpas e vá a luta", dizem. 

E, se por acaso, uma mulher tem filhos, ela tem de ter o dom da magia de transformar as 24 horas do dia em 72 horas.

 

 

(breves)

Este está a ser um inverno rigoroso para o baby H. e, por consequência, também para mim. Volta e meia, lá ficamos doentes. Estação que desgosto, o Inverno é cada vez mais um tempo que anseio que passe depressa. Está quase...  

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Preciso ler e escrever mais... Sinto que estou a desaprender. Preciso comprar uma boa gramática e praticar. 

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Quando vejo as magnólias, nasce em mim uma enorme alegria. As cores suaves, o perfume pelo ar, os dias maiores e ensolarados - uma quase Primavera.

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O tempo desaparece. Perco a noção dos dias e das horas. Trabalho e casa, casa e trabalho. Sinto a distância entre o que gostaria fazer dos dias e a realidade. Nunca resgatamos o tempo que perdemos.

 

(mais do que ultrapassado)

As pessoas estão a usar roupas num esquisito e indefinido tom entre rosa e o laranja fluorescente. Deve estar na moda. Aceito que "gostos não se discutem" mas há certas tendências que deveriam ter ficado bem enterradas nos anos 80. Ou seja, no século passado.