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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Correntes de Ar

Hoje não me apetece ser simpática nem sorridente para ninguém. Detesto todo o marketing existente à volta do Dia Internacional da Mulher. Primeiro só se falava na data, depois começou esta coisa de se oferecer rosas, agora já motivam a oferta de chocolates. Entretanto, várias mulheres juntam-se para fazer jantares e festejar o "ser mulher". Dentre estas coisas todas não sei o que me irrita mais: a futilidade ou a alienação. Já sei, já sei que vivemos num país livre, onde cada um pensa, diz e faz o quer. Por isso mesmo posso manifestar o meu repúdio pela falta de reflexão e pelo excesso de correntes de ar que existe em muitas mentes. Inclusive, convém relembrar que para milhões de mulheres e crianças pelo mundo fora essa coisinha tão corriqueira e banal como a liberdade individual é ainda uma quimera. Para milhões de mulheres e crianças a realidade é a violência, opressão, desigualdade, humilhação, sofrimento. Não, hoje não me apetece sorrir nem dizer "muito obrigada" quando me oferecerem uma rosa. O perfume da rosa não esconde o persistente cheiro a podre.

(evolução ao contrário)

Tudo é tão circular que chega a ser cansativo. Pensar que evoluímos a medida que aprendemos e crescemos começa a parecer um engano que o marketing da auto-ajuda criou para que tivéssemos algo que ansiar. Evoluímos? Crescemos? Melhoramos? Afirmamos a nossa experiência? Apetece entoar um sonoro "blagh". 

 

 

 

 

(fazer o que se gosta)

Cada vez gosto mais de escrever. Posso não o fazer com a regularidade e com a qualidade que gostaria mas quando o faço e quando embrenho-me no rumo de uma história experimento uma alegria interior indescritível. Será esta a satisfação que as pessoas sentem quando trabalham e exercem a profissão que gostam?

Se é isto, se é esta alegria e prazer, gostaria de sentir isto todos os dias.