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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Se soubesses.

Estar dividida entre os dias, entre as horas que passam. Correr atrás, ininterruptamente. Correr e ter a respiração entrecortada. Correr e deixar de sentir os pés. Perder as forças. De forma gradual, os sons desaparecem. O fim não é uma meta visível. O sol e a lua estão longe de delimitar a fronteira visível entre o dia e a noite. Não existe fim, porque é sempre início e repetição.

A propósito de não se gostar do que tudo mundo gosta.

Um dia o inevitável momento acontece:  sentir-se só, em cima do palco, com a luz a dar directamente contra os olhos e tudo o que se enxerga é penumbra e sombras. Desconforto, imobilidade e exclusão.

Há sempre um preço a pagar pela autenticidade. E este é um excelente legado e lição para transmitir ao meu filho. 

 

Sobre o que ninguém fala.

Há todo um universo cor-de-rosa à volta da gravidez e da maternidade. Convenhamos, é natural. É todo um processo que desenlaça no nascimento de um bebé, a fofura das fofuras. Aquele cheirinho que só os bebés possuem, aquela sensação de conforto e de felicidade que é tê-lo no colo. Sim, é uma bênção. Sim, são momentos incomparáveis. 

Há também todo um lado sobre o qual ninguém fala. Há um lado difícil e complicado na maternidade. Tenho me confrontado com isto. Fico a pensar em todos os conselhos que ouvi e em todas as experiências partilhadas comigo. De todos estes relatos não retive nada que me preparasse para a dificuldade de lidar com uma criança de 2 anos e seus momentos de birra. Olho para o meu pequeno e tento adivinhar-lhe os pensamentos. O que o faz agir de determinada maneira. Não são poucas as vezes em que me sinta absolutamente incompetente e incapaz. 

Hoje é um destes dias de total incompreensão. Ninguém nunca me falou disto: dos dias em que só desejaria deitar, dormir e esquecer.

Dois anos. (3)

Ontem o Hugo fez dois anos. Teoricamente, deixou de ser um bebé. Mas, para mim, nunca deixará de ser o meu bebé...

Por vezes, pairo neste labirinto da maternidade com o coração cheio de dúvidas e de frustrações. "Estaremos a educá-lo bem?". Com ele, o medo galgou um degrau a mais; medo pelo futuro. Medos e receios, muitas inseguranças.
Amar o Hugo é assim: há este profundo desejo de controlar todas as forças do universo de forma a que a felicidade e a sua integridade sejam dados garantidos.

 

(concorrência)

Eu, que nada entendia de bebés e de crianças, vejo-me de repente submersa neste mundo cheio de cor e estrelinhas... A verdade, é que o meu baby desenvolveu uma recente paixão pela Xana Toc Toc e, devo dizer, é uma concorrente desleal: canta bem e é bonita. Ele sorri, ele suspira, ele faz olhinhos, ele manda beijinhos... Não sei se vou suportar...

 

(Três Corações | 4)

Recta final

 

O terceiro trimestre foi fisicamente cansativo mas tranquilo. Me senti mais lenta e pesada; por outro lado, tudo tinha de ser ultimado e preparado para a chegada do nosso pequeno Hugo.

A ligação estabelecida nesta fase é fantástica. Foi a fase em que os movimentos do nosso bebé se tornaram mais evidentes. Dentre as várias coisas que aconteceram durante a gravidez, desta jamais esquecerei: o G. a falar para a minha barriga. Dizia "tenho tanta curiosidade de conhecer-te Hugo!" e "quero tanto ver como és!". E quando ele colocava a mão sobre a minha barriga, parecia que o pequeno Hugo corria em direcção do calor do pai. E, passados nove meses, ainda o Hugo corre em direcção ao pai, de sorriso aberto. 

Algumas vezes, surgia a agitação de pensar se conseguiríamos ter tudo pronto a tempo e horas e, felizmente, tudo foi se encaixando. É um mistério. Conforme a data se aproximava, o medo era uma realidade para mim. Sim, é verdade, um grande e terrível medo. "E se não correr bem?". "Serei capaz?". O G. foi o meu grande alicerce. Nestas coisas estou convicta de que o amor tem esta centelha de parceria. Não seria capaz de enfrentar tudo sem ele ao meu lado. Todas as minhas angústias esbatiam-se ao longo das suas palavras tranquilizadoras, sábias e optimistas. Ele é o grande presente que Deus colocou na minha vida. E agora, com o Hugo, são dois grandes presentes.
Outro aspecto que me conferiu grande tranquilidade: aulas de preparação de parto. Psicológica e fisicamente também foram fundamentais. Nunca me hei-de esquecer o papel que a Enfª Fátima teve neste processo. Penso que o nosso parto não teria sido o mesmo sem esta prévia preparação. E, por isso, além de estar grata à Deus por essas aulas, também agradeço à Ele pela ajuda da minha amiga I. que indicou este curso.