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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Leituras de Fevereiro.

Não sei explicar a razão mas o mês de Fevereiro nunca é muito produtivo no que diz respeito às leituras. Foram quatro livros, sendo que dois tinham sido inciados em Janeiro.

Mariana, Susanna Kearsley (livro físico): uma belíssima leitura. Daquele tipo de leitura que nos agarra desde o início, nos transporta no tempo e nos deixa com um grande sorriso nos lábios. Tenho tanta pena que os outros livros desta escritora não tenham sido publicado em por cá. Para já, só este e "O Segredo de Sophia". Pessoalmente, esta escritora e Kate Morton são as melhores neste género. Para conhecer a sinopse de Mariana clique aqui.

Por lugares Incríveis, Jennifer Niven (ebook): Um young adult que me agradou bastante. Dois jovens estão no topo de uma torre e ambos ponderam se atirar; ele é o esquisito da escola e ela é popular. Esta é a premissa e, com franqueza, pensei que seria assim um livro para o fraquito mas dei por mim a gostar do livro. Desde já é evidente o tema do suicídio e, perceba-se, não trata do tema com profundidade. Contudo faz uma abordagem positiva de olhar para as circunstâncias e para a realidade de forma a valorizar as pequenas coisas do nosso quotidiano e enfrentar os nossos medos e fraquezas. Sei que muitas pessoas não gostaram deste livro. Não tinha grandes expectativas e talvez, por isso, tenha sido uma experiência de leitura boa.

Razão e Sentimento, Jane Austen (livro físico): O que dizer de algo que acho divinal!? Reler Jane Austen é sempre uma alegria. Este livro em específico vem provar que Jane Austen não veio ao mundo para escrever histórias de amor. Em Razão e Sentimento, encontramos a Mulher representada em várias personagens e em diferentes vivências. Elinor e Marianne Dashwood terão para sempre o meu respeito por serem personagens tão profundas e tão verdadeiras. 

As Meninas, Lygia Fagundes Teles (ebook): Ler este livro foi um processo moroso e doloroso. Para explicar isso, vou ter mesmo de fazer um post específico... 

 

 

 

 

A Grande Magia, Elizabeth Gilbert

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Cada vez mais gosto de Elizabeth Gilbert. Este livro tem definitivamente a marca de sua escrita: um toque objectivo e um tom positivo. Aqui ela aborda o tema da criatividade em geral, com especial incidência sobre a actividade de escrita.  Mais uma vez, ela poderá ser confundida como uma autora de auto-ajuda, o que é um erro. Não há nada no seu livro de "faça isto, faça aquilo". Pelo contrário, o que vemos é Elizabeth Gilbert falar sobre a sua própria experiência como escritora: inclusive, os erros que já cometeu. O grande ponto, é a explicação daquilo que ela concebe ser a "inspiração", a "criatividade" e o seu percurso como escritora. Acho também de grande importância a desmitificação de que um escritor para ser relevante tem de ter uma carga de sofrimento na sua vida pessoal.

Todas as pessoas que de alguma forma estão ligadas ou têm interesse na área da criatividade deveriam ler este livro. Mesmo que não concordem com o que ela diz. Do meu ponto de vista, sei que vou reler o livro várias vezes no futuro porque tem muitos pontos e reflexões que me desafiaram.

Espero que este livro alcance a visibilidade que ele merece.

Comprometida, Elizabeth Gilbert.

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Promovido como a continuação de "Comer, Orar e Amar", a meu ver, descola-se um pouco do livro anterior. É verdade que este livro retoma a temática do relacionamento, ou o amor, que é a parte final do livro anterior mas o foco está na temática do casamento. Em traços gerais, Elizabeth Gilbert e o seu companheiro por terem nacionalidades diferentes foram impedidos de estar juntos em solo americano porque ele, em específico, é brasileiro e não tinha visto para permanecer nos EUA. Isso criou um impasse. Ambos não queriam nem ponderavam casar mas este imprevisto trouxe a questão à baila e para os dois a resposta pareceu mais do que natural: casar. Contudo, este não é um processo fácil para qualquer estrangeiro(a) que queira casar com um cidadão(a) americano(a). Principalmente, trata-se de um longo e cansativo processo burocrático.

Então, a história parte deste episódio do relacionamento de ambos e de todo o processo que tiveram de enfrentar até finalmente poderem dizer "enfim, juntos".  A dado momento, a parte pessoal do relacionamento do casal esbate-se no esmiuçar que a autora faz sobre a instituição "casamento".

Pode-se mesmo dizer que "Comprometida" é mais uma reflexão sobre o casamento em si, sobre o papel da mulher na sociedade e sobre a própria visão da autora. Elizabeth Gilbert fala na primeira pessoa e, muitas vezes, recorre à própria experiência das mulheres da sua família e de outras culturas. Não se nota uma pretensão de ser exaustiva ou de mostrar-se uma especialista no assunto. O que se depreende é um exercício de busca,  uma forma que a autora usou para que pudesse compreender a sua visão pessoal sobre o casamento e a sua reserva diante do compromisso. Este aspecto foi muito interessante e foi o que mais gostei neste livro.

Elizabeth Gilbert é uma boa contadora de histórias, então, a dado momento o leitor envolve-se nos relatos de viagens e nas suas reflexõe - até porque para cada reflexão, há sempre um episódio peculiar. Depois há o sentido de humor, algo muito presente na sua escrita e que é agradável.

Trata-se de uma leitura agradável e que, muitas vezes, emociona e faz surgir um sorriso nos lábios de identificação com aspectos da vivência e das dificuldades de se manter um relacionamento. 

Letters from Skye | Jessica Brockmole

Após o Natal comecei a ler este livro porque soava ideal para uma leitura de fim de ano: um romance leve. Portanto, não me preocupei de pesquisar sobre o livro ou conhecer mais sobre ele; simplesmente comecei a ler. O resultado é que enganei-me redondamente. Este livro foi uma total surpresa. Acreditem, eu apenas esperava um livro bonitinho e leve, talvez induzida pelo título. Eu li a versão brasileira ("Querida Sue") mas quero futuramente ler na versão portuguesa ("Nove mil dias e uma só noite") - sim, ambos títulos traduzidos não fazem nada jus ao livro. Assim, a resumir numa frase, achei este livro belíssimo, de extrema delicadeza e profundo. Entenda, não é um livro complexo. Mas aborda os sentimentos, as motivações e as escolhas que fazemos na vida de uma forma muito verdadeira. Então, se procura ler um romance leve, esqueça, este livro não é para si.

Todo o livro segue o modelo epistolar. (Faço aqui este parênteses para dizer que encarei este facto, por si só, como uma vantagem - é um género que me agrada. Então, mais uma vez, se não gosta de ler cartas, esqueça, este livro não é para si.)

A história é contada através da troca de cartas entre várias pessoas em duas fases cronológicas: os capítulos intercalam entre a I Guerra Mundial e a II Guerra Mundial. Tudo gira em torno de Elspeth Dunn, uma poetisa escocesa, e David Graham, um estudante americano. Ambos não se conhecem mas depois da leitura de um livro de Elspeth, David toma a iniciativa de escrever-lhe e isto acaba por gerar uma amizade por correspondência. Cada um revela as particularidades de suas vidas e pensamentos. Encontros, desencontros, família, escrita, amor, casamento, escolhas, sofrimento, felicidade. A passagem dos anos, dos dias, das horas, e ainda assim, uma persistência em se ser verdadeiro a um sentimento e a uma escolha. E, em meio a tudo isso, todo um processo de cura de feridas guardadas.

 

Passados alguns meses de ter lido este livro, sinto uma leve saudade. É difícil encontrar um livro do qual se pode dizer "esta é uma belíssima história". E, confesso, a dado momento, eu me emocionava e ria na mesma proporção. Será com certeza um livro a reler. 

Ler em formato digital ou em papel.

Sim, tornei-me uma adepta do livro digital. Não, não abandonei o livro de papel. Por quê cargas d´água uma coisa tem de excluir a outra? Inclino-me mais pelo abraçar todas as formas que me levem ao fundamental: ler.

É verdade que há toda aquela magia de entrar numa livraria e de folhear páginas. É também verdade que há toda uma apreciação do tipo de papel, capa e diagramação escolhida para uma edição. Sim, há uma certa beleza em vaguear pelos corredores de uma livraria e refugiar-me a um canto a ler o primeiro capítulo de um livro. Continuo a participar desta magia. Mas trata-se de forma. Embora válida e relevante, o importante para mim é a essência, que é ler. Neste sentido, o meio digital tem sido um paraíso na minha vida. Dado o meu trabalho e ritmo de vida, se eu dependesse somente do livro em formato papel, eu leria talvez um livro por mês, se tanto. Graças ao formato digital posso ler em qualquer lado. Através do computador, do portátil, do telemóvel, do tablet ou de um ereader. 

Ler é o que me permite respirar. Não exagero quanto a isso. Quando fico algum tempo sem ler, o meu humor fica desestabilizado e os meus ombros parecem mais curvados. Sinto que os corredores da minha mente ficam empoeirados e sombrios. Num Fahrenheit 451 ou enlouqueceria ou seria uma resistente a esconder e decorar todos os livros que pudesse. A leitura é este espaço de sanidade e de liberdade que a minha mente precisa para respirar com regularidade e tranquilidade.

Reduzir a experiência de ler a um único formato é retirar à leitura e ao livro a sua grandeza. 

Booktube

Ver reviews de livros. Dantes lia muitos blogs sobre literatura e livros; agora, para além disso, também tenho visualizado muitos vlogs. Apesar de saber da existência de canais no youtube de literatura e leitura, não fazia ideia que existiam tantos e tão interessantes. Sabe aquela coisa de saber que existiam mas não ter tido uma oportunidade de dar a atenção necessária ao assunto? O curioso é que foi através da pesquisa de ereaders que encontrei vários canais de literatura. O livro, em formato digital, só tem me concedido alegria, pelo menos, a alegria de fazer mais leituras e novas descobertas.