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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Relendo Jane Austen. (1)

No meu dicionário pessoal "Jane Austen" surge como um sinónimo de "Zona de Conforto". Sim, ler Jane Austen é um momento de total e completo prazer.  Por volta dos 15 anos li "Orgulho e Preconceito" e desde então o amor por esta escritora estabeleceu morada no meu coração. Sim, é piegas, mas verdadeiro. 

Como eu disse anteriormente neste post, reler Jane Austen era uma meta para 2015, mas não chegou a acontecer. Disse para mim mesma que não podia deixar de fazê-lo em 2016. Sentia dentro de mim uma urgência interior a respeito disto e comecei a questionar-me sobre o porquê. Por que cargas d´água isto é tão importante?

Como qualquer coisa que identifiquemos como zona de conforto, retornar a este ponto confere um sentimento de bem-estar. No caso da leitura, faz com que o olhar pouse sobre trechos e ideias que fizeram (e ainda fazem) sentido. É verdade que ler também é, muitas vezes, fugir da zona de conforto e sermos confrontados com o desconforto. E, com certeza, hei-de viver leituras assim ao longo do ano, que incomodam e mexem com as entranhas. De igual forma, há momentos que são assim: precisamos estar cercados de coisas que façam sentido. Momentos âncora.

A releitura inscrita na passagem do tempo permite estabelecer uma nova interpretação. Então, há o conforto de voltar a uma posição de reconhecimento de algo que me fez feliz mas também há uma reinterpretação do que foi lido. 

Vejam bem, eu li Jane Austen na minha adolescência, depois na juventude e agora vou relê-la na idade madura. Parece-me ser um processo natural. Algo elementar e essencial. Algo que tenho simplesmente de fazer.

Na realidade, já dei partida ao projecto, se é que posso chamar assim. Não estipulei nenhuma regra ou método. A ideia é ir lendo lentamente e reflectir sobre os temas abordados. Quase como um passeio cuja a única preocupação é desfrutar a paisagem. Comecei com "Sensibilidade e Bom Senso" mas na tradução brasileira, "Razão e Sentimento". Não o fiz com intenção de seguir a ordem cronológica de publicação das obras. Apenas senti vontade de começar por aí. As Dashwood têm me feito companhia neste dias chuvosos de inverno e não poderia ter escolhido melhor.

Querer e conseguir.

Há uma enorme distância entre querer e conseguir. Este ano estipulei o objectivo pessoal de ler os livros que eu já tenho na estante há algum tempo e evitar comprar novos. Ou, pelo menos, ler uma grande quantidade antes de comprar livros novos. O mais complicado é resistir a uma boa promoção. Também é muito complicado descobrir novos autores que se gostaria muito de ler (como a Elena Ferrante e Karl Ove Knausgard) e evitar uma possível compra. 

Tenho conseguido evitar mas querer é um sentimento tramado... 

Lendo Os Miseráveis. (2)

Se for ler este livro, dedique-se só e unicamente a esta leitura.

A minha experiência com este livro tem sido bem diferente das leituras que habitualmente faço. Isto porque porque tenho a tendência para ler mais de um livro ao mesmo tempo. Raramente leio só um. A única explicação que encontro é que gosto de alternar livros quando estou a ler. Então, isto se tornou um percalço quando comecei a ler Os Miseráveis. Comecei em fins de Junho e enquanto lia tudo corria bem, mas comecei a notar que ao alternar com os outros livros o meu ritmo de leitura abrandava. Então, quando retomava o livro tinha sempre de voltar atrás e reler algumas partes do livro.

Conclui então que eu deveria parar e retomar somente quando tivesse total disponibilidade. Por isso, desde Dezembro tenho me dedicado ao livro e não me arrependi da escolha feita.

Os Miseráveis demanda tempo e dedicação. A história se desenrola entre a acção dos personagens principais mas intercala com descrições de factos, locais e personagens secundários, bem como com a exposição de pensamentos do narrador. Isto tornam os capítulos longos? Sim. Mas a magia do livro está nestes detalhes. Quando o narrador explica com detalhes algo, esta descrição não será à toa. Ele está a construir o terreno para algum episódio mais adiante. Nada é dito ao acaso ou para encher páginas. 

 

Lendo Os Miseráveis. (1)

Desde 2012 que cultivava a vontade de ler Os Miseráveis. Sempre gostei desta história (que conheci através de série televisiva e de filmes) e também da banda sonora do musical. Então, quando veio ao meu conhecimento em 2012 de que seria lançado um filme/musical sobre a obra, a vontade voltou em força. Planeei ler a obra antes da estreia do filme, o que não consegui cumprir. Acabei por ir ver o musical no dia do meu aniversário em 2013 (e amo esse filme!) e o livro foi ficando de lado. 

Em 2015 comecei a ler o livro e já ultrapassei mais de metade e a cada página quase que faço uma vénia para a grandeza deste livro. Sei, quando chegar ao final, que este será um dos livros que entrará para o rol dos livros da minha vida. Há tanta coisa a dizer sobre o livro em si e sobre a experiência de lê-lo que resolvi fazer uns apontamentos sobre o mesmo. Se por mero acaso nunca leu esta obra, gostaria de deixar algumas impressões (e tentarei não dar spoiler) que podem funcionar como dicas para leitura.

Meta de Leitura. (2)

Para 2016 estabeleci uma meta um pouco diferente dos anos anteriores. Dantes era apenas uma meta quantitativa ambiciosa que gerasse em mim um compromisso com a leitura. Se, por um lado, criava uma certa pressão; por outro lado, ajudava a sistematizar uma rotina de leitura que tem tido um resultado muito bom na minha vida. Após dois anos seguidos, cumpri a meta e conclui de que sou capaz de levar a cabo uma rotina consistente de leitura. Neste ano estabeleço o auto desafio qualitativo.

Este ano quero ler os livros que já tenho na estante e quero me dedicar a ler alguns clássicos que há algum tempo tenho vontade de ler e que tenho deixado de lado por serem extensos. Acontece que há livros que demandam tempo, atenção e dedicação. Por isso, estabeleci uma meta baixa em termos quantitativos para assim não me sentir pressionada pelos números.  

Sim, há livros que são mais fáceis de ser lidos e isto não os desqualifica. Há leituras para todos os gostos e necessidades. Eu adoro livros mais leves e de entretenimento - ajudam-me a relaxar e divertir. Mas, durante a leitura de Os Miseráveis de Victor Hugo (que ainda não terminei), dei-me conta de que há uma riqueza profunda nos livros mais clássicos. Este ano quero ler alguns clássicos da literatura russa e trata-se mesmo de um desafio pessoal porque nunca fui muito atraída por esta área. De uns tempos para cá alguns livros como Ana Karenina e Crime e Castigo tem me despertado a curiosidade; por isso, vou em busca de conhecê-los melhor. 

Como referi antes, também quero ler o que já tenho. Sim, é verdade, aproveitar promoções dá nisso: tenho a estante cheia de livros que ainda não li. A maioria de blogues e canais literários chamam isso de TBR (to be read) mas não acho que esta expressão explique bem (por ser abrangente) o conceito de querer esvaziar a estante... porque afinal todos os livros são para ser lidos. 

Quero também ir na onda de um projecto que foi muito famoso ao longo de 2014 e 2015 que se chama "leia mais mulheres". Acho que é um projecto muito relevante e interessante. Quero tornar as minhas leituras mais equilibradas quanto ao género.

Por fim, quero fazer algumas releituras. Quero reler Jane Austen. É provavelmente a escritora que mais amo e que consegue surpreender-me a cada releitura. Se você que me lê neste momento nunca leu Jane Austen, faça um favor a si mesmo/a: LEIA! ^Também quero reler Pássaros Feridos.

Apesar de ser uma meta menor parece-me ser mais exigente. Vamos ver se vou estar à altura ou se vou falhar redondamente. Uma coisa é certa, o que quero mesmo é ler. Ler sempre. Ler é uma das minhas grandes paixões.

 

 

(...)

As nossas alegrias são sombra; o supremo sorriso só a Deus pertence.

(...)

Quereis explicar-vos o que é a revolução, chamai-lhe progresso; quereis saber o que é o progresso, chamai-lhe Amanhã. Amanhã leva irresistivelmente a cabo a obra começada hoje. É extraordinário, mas nunca deixa de chegar ao seu fim.

 

Victor Hugo, Os Miseráveis.

Sombria coisa.

A consciência é o caos das quimeras, das ambições e das tentativas, é a fornalha dos sonhos, o antro das ideias vergonhosas: é o pandemónio dos sofismas, o campo de batalha das paixões. Penetrai, em certos momentos, através da face lívida de um ente humano absorvido pela reflexão e olhai para além, observai-lhe a alma, contemplai-lhe a escuridão. Há ali, sob a superfície límpida do silêncio exterior, combates de gigantes como em Homero, brigas de dragões, de hidras, e nuvens de fantasmas, como em Milton, espirais visionárias como em Dante. Sombria coisa é o infinito que todo o homem contém em si e pelo qual ele regula desesperado as vontades do seu cérebro e as acções da sua vida!

Victor Hugo, Os Miseráveis

Sessão do clube de leitura

"— Dê o tiro — disse, com a mão no peito. — Não há maior glória do que morrer por amor"

Estou a fazer a uma releitura de "O Amor nos Tempos do Cólera" do Gabriel García Márquez para o clube de leitura. É uma alegria fazer isto. A escrita de Gabo é realmente especial. Há tanta poesia nas suas frases e, ao mesmo tempo, tanta objectividade. Escrever assim não é para qualquer pessoa.

Não sei se as minhas amigas irão gostar do livro, mas, pessoalmente, é um dos livros da minha vida.