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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

(...)

"Entretanto, nada de descanso, nada de hesitação, nada de tempo de espera na grandiosa marcha dos espíritos para a frente.

A filosofia social é essencialmente a ciência da paz. Tem por fim e deve ter como resultado, a dissolução das cóleras pelo estudo dos antagonismos.

Examina, investiga e analisa; depois recompõe.

Dirige-se pelo caminho da redução, suprimindo de tudo o ódio."

 

Victor Hugo, Os Miseráveis

(...)

"O desenvolvimento intelectual e moral não é menos indispensável do que o melhoramento material. Saber é um viático, pensar é de primeira necessidade; a verdade é tanto alimento como o pão. Uma razão, em jejum de ciência e de saber emagrece. Lastimemos, do mesmo modo que os estômagos, os espíritos que não comem. Se há alguma coisa mais pungente do que um corpo agonizante por falta de pão, é uma alma morrendo à fome de luz.
(...)
Nós que cremos o que podemos temer?
As ideias não são mais susceptíveis de recuar do que os rios.
Mas pensem bem os que não querem nada do futuro. Dizendo não ao progresso, não é o futuro o que eles condenam, mas a si mesmos. Adquirem por suas mãos uma doença sombria; inoculam-se o passado. Não há senão um modo de recusar o Amanhã, é morrer."

Victor Hugo, Os Miseráveis

Lendo Os Miseráveis. (3)

Escolha o meio adequado de leitura.

Na altura em que comprei o livro de Os Miseráveis não havia muito por onde escolher. Basicamente, era publicado pela Europa-América. Entretanto, encontrei uma edição da Mel Editores e foi esta que adquiri. No Brasil, algumas editoras fazem a edição em dois volumes e talvez seja uma boa opção porque realmente o livro é volumoso. 

No dia-a-dia de leitura constatei que somente com o livro físico a leitura não rendia adequadamente. Eu já tinha o livro há uns bons quatro anos e actualmente tenho mais dificuldade de visão. Canso-me rapidamente. Por outro lado, leio bastante fora de casa o que torna inviável transportar calhamaços. Então comecei alternar com o ebook. Há vários sites de domínio público onde se pode encontrar Os Miseráveis e foi a salvação para a minha leitura. Sou fã incondicional dos ebooks e dos ereaders e, neste caso específico, facilitou-me imenso o conforto de leitura e a portabilidade.

Então, o hábito de leitura deve determinar o meio a ser utilizado para a mesma. Em leituras como esta que são, por natureza, longas torna-se fundamental estar confortável no acto de ler. No fundo, este aspecto aplica-se a qualquer leitura de um calhamaço, independentemente do género literário em causa.

Lendo Os Miseráveis. (2)

Se for ler este livro, dedique-se só e unicamente a esta leitura.

A minha experiência com este livro tem sido bem diferente das leituras que habitualmente faço. Isto porque porque tenho a tendência para ler mais de um livro ao mesmo tempo. Raramente leio só um. A única explicação que encontro é que gosto de alternar livros quando estou a ler. Então, isto se tornou um percalço quando comecei a ler Os Miseráveis. Comecei em fins de Junho e enquanto lia tudo corria bem, mas comecei a notar que ao alternar com os outros livros o meu ritmo de leitura abrandava. Então, quando retomava o livro tinha sempre de voltar atrás e reler algumas partes do livro.

Conclui então que eu deveria parar e retomar somente quando tivesse total disponibilidade. Por isso, desde Dezembro tenho me dedicado ao livro e não me arrependi da escolha feita.

Os Miseráveis demanda tempo e dedicação. A história se desenrola entre a acção dos personagens principais mas intercala com descrições de factos, locais e personagens secundários, bem como com a exposição de pensamentos do narrador. Isto tornam os capítulos longos? Sim. Mas a magia do livro está nestes detalhes. Quando o narrador explica com detalhes algo, esta descrição não será à toa. Ele está a construir o terreno para algum episódio mais adiante. Nada é dito ao acaso ou para encher páginas. 

 

Lendo Os Miseráveis. (1)

Desde 2012 que cultivava a vontade de ler Os Miseráveis. Sempre gostei desta história (que conheci através de série televisiva e de filmes) e também da banda sonora do musical. Então, quando veio ao meu conhecimento em 2012 de que seria lançado um filme/musical sobre a obra, a vontade voltou em força. Planeei ler a obra antes da estreia do filme, o que não consegui cumprir. Acabei por ir ver o musical no dia do meu aniversário em 2013 (e amo esse filme!) e o livro foi ficando de lado. 

Em 2015 comecei a ler o livro e já ultrapassei mais de metade e a cada página quase que faço uma vénia para a grandeza deste livro. Sei, quando chegar ao final, que este será um dos livros que entrará para o rol dos livros da minha vida. Há tanta coisa a dizer sobre o livro em si e sobre a experiência de lê-lo que resolvi fazer uns apontamentos sobre o mesmo. Se por mero acaso nunca leu esta obra, gostaria de deixar algumas impressões (e tentarei não dar spoiler) que podem funcionar como dicas para leitura.

Chego aos 40.

Posso dizer que começo a sentir a passagem do tempo. Sim, é verdade, chego aos 40 anos. Apenas 40. Já quatro décadas ficaram para trás e com elas alguma história de vida. Apenas 40... Porque será que sinto ter alcançado um patamar diferente? O que muda realmente a partir de agora? Ocorrerá uma misteriosa e insondável aceleração do tempo? Uma amiga querida hoje me disse algo simples e fantástico: "você chegou àquele momento da vida em que já tem um passado mas ainda tem um futuro pela frente". E isto tocou-me profundamente porque nesta caminhada vivemos uma história com várias histórias dentro - páginas e páginas e páginas e páginas. E nunca se sabe muito bem onde vamos parar e o que vai acontecer a seguir. Mas algo já está escrito, algo meu. A estrada está diante dos olhos, os pés em posição de caminhar e o coração a queimar de vida. Ainda há muito a viver e ver.

Chego aos 40 com algumas perdas, ausências mas também com a vida bem mais completa, plena e verdadeira. Sou completamente grata por tudo que Deus tem concedido, pelos meus amores Gualter e Hugo, pelos meus pais, família e amigos.

Chego aos 40 com vontade de festejar e celebrar a vida! Sobretudo não perder tempo com o que não vale a pena. E, como outra amiga querida disse, gritar bem alto "uhu!!!!!!".

Meta de Leitura. (2)

Para 2016 estabeleci uma meta um pouco diferente dos anos anteriores. Dantes era apenas uma meta quantitativa ambiciosa que gerasse em mim um compromisso com a leitura. Se, por um lado, criava uma certa pressão; por outro lado, ajudava a sistematizar uma rotina de leitura que tem tido um resultado muito bom na minha vida. Após dois anos seguidos, cumpri a meta e conclui de que sou capaz de levar a cabo uma rotina consistente de leitura. Neste ano estabeleço o auto desafio qualitativo.

Este ano quero ler os livros que já tenho na estante e quero me dedicar a ler alguns clássicos que há algum tempo tenho vontade de ler e que tenho deixado de lado por serem extensos. Acontece que há livros que demandam tempo, atenção e dedicação. Por isso, estabeleci uma meta baixa em termos quantitativos para assim não me sentir pressionada pelos números.  

Sim, há livros que são mais fáceis de ser lidos e isto não os desqualifica. Há leituras para todos os gostos e necessidades. Eu adoro livros mais leves e de entretenimento - ajudam-me a relaxar e divertir. Mas, durante a leitura de Os Miseráveis de Victor Hugo (que ainda não terminei), dei-me conta de que há uma riqueza profunda nos livros mais clássicos. Este ano quero ler alguns clássicos da literatura russa e trata-se mesmo de um desafio pessoal porque nunca fui muito atraída por esta área. De uns tempos para cá alguns livros como Ana Karenina e Crime e Castigo tem me despertado a curiosidade; por isso, vou em busca de conhecê-los melhor. 

Como referi antes, também quero ler o que já tenho. Sim, é verdade, aproveitar promoções dá nisso: tenho a estante cheia de livros que ainda não li. A maioria de blogues e canais literários chamam isso de TBR (to be read) mas não acho que esta expressão explique bem (por ser abrangente) o conceito de querer esvaziar a estante... porque afinal todos os livros são para ser lidos. 

Quero também ir na onda de um projecto que foi muito famoso ao longo de 2014 e 2015 que se chama "leia mais mulheres". Acho que é um projecto muito relevante e interessante. Quero tornar as minhas leituras mais equilibradas quanto ao género.

Por fim, quero fazer algumas releituras. Quero reler Jane Austen. É provavelmente a escritora que mais amo e que consegue surpreender-me a cada releitura. Se você que me lê neste momento nunca leu Jane Austen, faça um favor a si mesmo/a: LEIA! ^Também quero reler Pássaros Feridos.

Apesar de ser uma meta menor parece-me ser mais exigente. Vamos ver se vou estar à altura ou se vou falhar redondamente. Uma coisa é certa, o que quero mesmo é ler. Ler sempre. Ler é uma das minhas grandes paixões.