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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Meta de leitura (1)

Consegui cumprir a minha meta quantitativa de ler 60 livros em 2015. Não consegui reler os livros de Jane Austen nem terminar Os Miseráveis antes de fim do ano. De qualquer forma, o saldo foi positivo porque li com regularidade e porque grande parte das leituras resultaram em partilha e conversas interessantes.

(...)

As nossas alegrias são sombra; o supremo sorriso só a Deus pertence.

(...)

Quereis explicar-vos o que é a revolução, chamai-lhe progresso; quereis saber o que é o progresso, chamai-lhe Amanhã. Amanhã leva irresistivelmente a cabo a obra começada hoje. É extraordinário, mas nunca deixa de chegar ao seu fim.

 

Victor Hugo, Os Miseráveis.

Sobre o que ninguém fala.

Há todo um universo cor-de-rosa à volta da gravidez e da maternidade. Convenhamos, é natural. É todo um processo que desenlaça no nascimento de um bebé, a fofura das fofuras. Aquele cheirinho que só os bebés possuem, aquela sensação de conforto e de felicidade que é tê-lo no colo. Sim, é uma bênção. Sim, são momentos incomparáveis. 

Há também todo um lado sobre o qual ninguém fala. Há um lado difícil e complicado na maternidade. Tenho me confrontado com isto. Fico a pensar em todos os conselhos que ouvi e em todas as experiências partilhadas comigo. De todos estes relatos não retive nada que me preparasse para a dificuldade de lidar com uma criança de 2 anos e seus momentos de birra. Olho para o meu pequeno e tento adivinhar-lhe os pensamentos. O que o faz agir de determinada maneira. Não são poucas as vezes em que me sinta absolutamente incompetente e incapaz. 

Hoje é um destes dias de total incompreensão. Ninguém nunca me falou disto: dos dias em que só desejaria deitar, dormir e esquecer.

Ambição.

Ter mais tempo, ter mais tempo e ter mais tempo.

Por favor, não me digam para estabelecer prioridades. Elas existem e comandam. 

Eu queria ter mais tempo para o que fica de fora da lista de prioridades, espaço do dever. Neste espaço relegado para "mais tarde" está contido e reprimido o não fazer nada e o fazer tudo de que gostamos. 

Dois anos. (3)

Ontem o Hugo fez dois anos. Teoricamente, deixou de ser um bebé. Mas, para mim, nunca deixará de ser o meu bebé...

Por vezes, pairo neste labirinto da maternidade com o coração cheio de dúvidas e de frustrações. "Estaremos a educá-lo bem?". Com ele, o medo galgou um degrau a mais; medo pelo futuro. Medos e receios, muitas inseguranças.
Amar o Hugo é assim: há este profundo desejo de controlar todas as forças do universo de forma a que a felicidade e a sua integridade sejam dados garantidos.