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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

("está sempre um mágoa do que não se viveu")

"B: Escreve-se então sempre e apenas sobre aquilo que se viveu?

 

WK: Ou também sobre aquilo que não se viveu e se gostaria de ter vivido. Muitos autores escrevem sobre viagens que não fizeram, guerras nas quais não participaram ou sentimentos que não têm. Mas por trás disso está sempre uma mágoa do que não se viveu, ou a vontade de fazer determinada experiência. "

 


Cada tragédia tem o seu lado cómico: entrevista com Wladimir Kaminer | Ler na íntegra aqui

(Fonte: @cvazmarques | twitter)

(...)

“When a reader falls in love with a book, it leaves its essence inside him, like radioactive fallout in an arable field, and after that there are certain crops that will no longer grow in him, while other, stranger, more fantastic growths may occasionally be produced.”

Salman Rushdie
(via teachingliteracy.tumblr.com)

(a chuva antes de cair #2)

"Olha-me só para aquelas nuvens... Se vierem na nossa direcção, de certeza que vamos ter chuva e da forte." A Thea ouviu esta observação: era sempre muito rápida no que tocava a detectar mudanças no estado de espírito dos outros - aliás, sempre me surpreendeu o facto de ela ser uma criança tão sensível, tão capaz de discernir os sentimentos dos adultos... De tal forma que as palavras de Rebecca a levaram a perguntar-lhe: "É por isso que estás triste?" "Triste?", disse a Rebecca , virando-se para ela . "Eu? Não, eu não me importo nada com a chuva de Verão. Para dizer a verdade até gosto. É o meu tipo de chuva preferido". "O teu tipo de chuva preferido?" repetiu a Thea. Lembro-me de que franziu o sobrolho por um instante, ponderando por certo as palavras que acabara de ouvir, até que anunciou: "Pois eu cá gosto da chuva antes de cair". A Rebecca limitou-se a sorrir, mas eu comentei (um comentário pedante, quer-me parecer): "Mas, minha querida, a chuva antes de cair não é chuva de verdade". "Então o que é?", disse a Thea. E eu expliquei: "De facto, é só humidade. A humidade que há nas nuvens." A Thea baixou os olhos, e voltou a concentrar-se na recolha e distribuição de  seixos: a certa altura, pegou em dois deles e pôs-se a bater um no outro. O som e a sensação pareciam-lhe dar prazer. E eu prossegui: "Sabes, é que a chuva antes de cair é uma coisa que não existe.  Tem de cair - caso contrário, não é chuva". Era um disparate estar com tais explicações com uma criança; para dizer a verdade, eu já lamentava ter encetado tal conversa. Mas a Thea parecia não ter a menor dificuldade em entender o conceito; bem pelo contrário - com efeito, após um breve momento, olhou para mim e abanou a cabeça num jeito compassivo, como se fosse preciso ter muita paciência para discutir tais assuntos com uma idiota como eu. "Claro que a chuva antes de cair não existe", disse ela. "E é por isso que é o meu tipo preferido de chuva. Uma coisa pode não ser real e, mesmo assim, pode fazer uma pessoa feliz, não pode?".  

 

 

A Chuva antes de Cair | Jonathan Coe | pág. 131-132

(a chuva antes de cair #1)

Ontem terminei de ler "A chuva antes de cair" de Jonathan Coe e, como previamente suspeitava, trata-se de um livro fascinante. 

O meu ritmo de leitura tem andado um pouco limitado: uma hora aqui outra hora ali. Durante todo o tempo de duração da leitura deste livro sentia dentro de mim uma ânsia de retomar do ponto onde tinha ficado. Vivo esta ansiedade por ler e por descobrir o que virá a seguir de cada virar de página. 

O título, desde que ele me foi recomendado, intrigou-me. O que seria isto de "a chuva antes de cair"? 

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