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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

( o homem que quer chegar aos 100 anos )

O meu pai hoje completa 75 anos de vida.

 

Em diversos momentos, ao longo deste ano e do anterior, eu me questionei se isto seria possível. Se ele viria a completar mais um ano de vida. No ano passado, estive concentrada em lutar pelo seu estado de saúde e por cuidar dele. Foi um ano difícil. Um tempo de restrições e questionamentos. Um tempo de ver em prova os meus limites enquanto pessoa. Desci fundo. Desci ao ponto de esquecer quem eu sou. Desci ao ponto de duvidar e questionar as minhas convicções. Desci e, ao mesmo tempo, mantive-me à tona. A boiar. A boiar e em passo de espera pela salvação. A boiar e em passo de espera de algo que podia não vir. Fui feroz, frágil, dura e certa. Eu sabia o que tinha a fazer e que tinha de o fazer. Por vezes, confesso, estive por um fio. Estive a ponto de desistir. Então lembrava-me que não desistimos de quem amamos. Eu só queria mais um ano. Pedimos sempre pelo menos mais um. Mas me preparei para a eventualidade de não haver mais. Nunca estamos preparados para a perda, mas a verdade é que eu acreditava que seria isso que viria a acontecer.

 

Não foi.

 

Sei que não teria suportado esta fase sem o apoio incondicional do meu querido e amado G. e de alguns grandes amigos, que se revelaram no momento da aflição. Sei que não teria suportado sem os ombros dos meus irmãos e sem o apoio e carinho tão real que existe do outro lado do oceano.

 

Geralmente não falo directamente sobre este assunto. Hoje senti necessidade. Sinto que devo extravasar publicamente a minha gratidão a Deus pela vida do meu pai, por ele ter saltado mais um obstáculo e por ele ter feito mais um aniversário. Ele, com seu jeito despreocupado e sonhador, diz que agora vai chegar aos 100. Que só faltam 25 anos. Eu sorrio. Sei agora que o tempo não está nas nossas mãos. É certo que gostaríamos de dominá-lo. Agarrá-lo. Não é possível. A única coisa que podemos fazer é um bom uso do mesmo.  

 

Por isso, ao meu pai - que não me lê e nem faz ideia do que seja um blogue - digo: faz um bom uso do teu tempo para que possas chegar aos 100 anos com alegria e saúde.

 

Feliz Aniversário!

(moroccan rose)

Uma semana dedicação. O tempo passou a voar. Escapou-se-me. Eu queria tanto agarrá-lo com as duas mãos. Eu queria tê-lo junto a mim com o valor de perdurar os momentos vividos. Estar com quem se ama invoca a questão da durabilidade do tempo e os seus hiatos de ausência. Esta última, devo precisar, acaba por ser inevitável. É o que sentimos após a partida: a ausência. A nostalgia de recordar bons momentos, de rir em conjunto e de partilhar sentimentos. Mas tudo tem uma duração delimitada. Tudo encontra um fim.

 

Pareço tão boba que sorrio sozinha ao recordar. Ninguém compreende a minha patetice. Mas ao embrenhar-me nesta nuvem de nostalgia e nesta inevitabilidade do fim, reafirmo a minha certeza de que após o fim vem o recomeço.

 

Mal posso esperar pelo reencontro.

( espécies raras )

Secam-se as palavras na garganta. Sílaba por sílaba, entaladas. Sufoca-se a cada letra. A impossibilidade de verbalização é desértica. A impossibilidade de se fazer entender é opressiva. A impossibilidade de se ser, de expandir-se. Há uma ruptura em pequenas partículas de racionalidade o que afasta qualquer possibilidade de coesão dos sentimentos. As palavras fogem com a velocidade do incêndio. Queimam-se ideias, arrasam-se vidas e dizimam-se imensidões. O incêndio alastra-se e espécies raras de carinho são exterminadas pelo poder da palavra dita e da incompreensão da visão parcial.

 

A água pura. A água refrescante. A água torrencial do entendimento. A capacidade de ouvir e a capacidade de discernir levam ao fim do fogo posto. As letras, as sílabas, as palavras ganham vida e sobem pela garganta. Empoleiram-se ansiosas por voar. As palavras, relíquias da linguagem, unem-se para sair do deserto, para se afastarem do incêndio e para alcançarem estatuto de construtoras de futuro. Edificadoras.

 

Beije-se as palavras com a mesma paixão de quem beija a amada. Admita-se apenas como incêndio o ardor da palavra amor.

( futilidades )

- assunto para mulheres -

 

Confesso que eu tenho o hábito de criar mentalmente "Top 5" para diversas coisas. Ter visto, há muitos anos, o filme "Alta Fidelidade" reforçou esta mania. No meu "Top 5 dos actores com a melhor voz" estavam em primeiro lugar o Gerard Butler, seguido de perto pelo Robert Downey Jr. e Colin Firth. Depois de ver "North and South" a lista mudou. O Richard Armitage chegou ao topo. É até covardia/cobardia ter uma voz assim...

 

Da série "North and South" também destaco o meu "Top 5 dos melhores beijos cinematográficos". Coloco o excerto desta cena que refiro a seguir. É um beijo que ultrapassa o beijo. Se não viu a série e quer assisti-la, se calhar é melhor não ver esta cena antes. Perde a graça ;)

 

 

( isto não é pedir muito )

Cada vez mais dou-me conta que, assim como eu, existem inúmeras pessoas que apreciam a leitura de escritores clássicos. O que eu não consigo perceber é porque cargas d’água é tão difícil encontrar determinados livros. Também não consigo perceber porque há obras clássicas que não se consegue encontrar traduzidas para o português.

 

Eu falo constantemente em Jane Austen. É uma escritora que eu amo. Tente encontrar o seu livro “Mansfield Park”. A obra está traduzida para o português mas não é publicado há anos. Pelo menos foi esta a informação que me concederam. Tive de lê-lo no formato ebook. Fiquei grata por encontrar neste formato, mas eu adoraria ter o livro. Eu adoraria ter folheado cada frase. Que posso dizer, eu gosto de livros.

 

Depois de ver a série da BBC "North and South" comecei a interessar-me pelas obras de Elizabeth Gaskell. Depois de pesquisar e de questionar, conclui que não há obras delas traduzidas para o português. De repente, surgiu uma curiosidade de averiguar se aqui ao lado, na Espanha, haveria alguma coisa. O resultado foi positivo, há vários livros de Elizabeth Gaskell traduzidos para o espanhol.

 

Eu não sou uma profissional da área de edição e de publicação de livros mas enquanto leitora, frequentadora de livrarias e interessada na área, indigno-me quanto a esta situação. Continuo a me questionar se eu serei a única. Não me digam que não dá lucro apostar em clássicos porque eu não acredito. Só como exemplo, eu tentei várias vezes comprar “Sensibilidade e Bom Senso” de Jane Austen, passei por 5 livrarias e nenhuma tinha porque todos os livros tinham sido vendidos. É preciso dizer que este é um livro fácil de encontrar. Existe um mercado e uma procura destas obras.

 

Aventuro-me a ler em inglês porque tenho muita vontade de ler “North and South” de Elizabeth Gaskell; embora, confesso, sinta-me tentada em adquirir o livro em espanhol.

 

Aventuro-me a ler em inglês mas, sinceramente, eu preferia ler em português. Acho que isto não é pedir muito.

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