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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

( a morte da criatividade )

preparo-me para o dia que se aproxima. 

o mesmo percurso, os mesmos gestos, o mesmo ritmo, os mesmos rostos, as mesmas conversas, a mesma actividade. tudo sempre igual. o que varia é o grau de paciência.

segurança é bom, é muito bom. mas não há nada que mate mais por dentro que a certeza do amanhã.

( perseguida )

acordo várias vezes durante a noite. "já é dia?", penso. sinto calor, dor na garganta e vontade de ter mais doze horas de sono. tenho tido sonhos estranhos. sonhos daqueles que uma pessoa se lembra e preferiria esquecer. sonhos com pessoas que já não vejo há muitos anos. sonho com uma pessoa a querer me matar. sonho que me perseguem. e eu, que até procuro significados na coisas que me cercam, felizmente não lhes atribuo grande significado. pertuba-me porém ter um sono conturbado. teria sido melhor uma noite branca e vazia, sem lembrança de sonhar. só aquele baque de cair na cama e acordar no dia seguinte. algo tão importante para o restabelecimento mental.

( inseguranças )

ele acorda e diz que se sente cansado. que lhe dói o ombro de tanto estar deitado naquela posição. eu digo-lhe que ele tem que lutar contra a vontade de estar sempre deitado. ele pergunta-me "será que vai demorar até eu ser chamado para a operação?". eu digo-lhe que não sei. ligámos e perguntamos com frequência, mas a resposta é sempre a mesma: "quando chegar a hora avisaremos". ele está cansado e todos estamos também cansados. há dias que o humor dele é insuportável, há dias que penso que não vou suportar mais e que peço que tudo aconteça logo. depois, quando passa a ânsia fica dividida. porque não sei se serei capaz de suportar uma possível perda.

( questionário )

A minha sobrinha e afilhada Drika me mandou este questionário e selo. Desde já, agradeço-lhe a menção honrosa. Ela sabe que mora no meu coração.

 

 

 

As regras são as seguintes:

1. Postar o link de quem indicou;
2. Postar o selo;
3. Passar o selo a 5 blogs perfeitinhos;
4. Responder às perguntas;

 

* Mania: de andar sempre com uma música na cabeça.

 

* Pecado capital: bem, eu acho que sou bastante pecadora. deixo-me levar muitas vezes pela falta de paciência, pela ira e por excesso de perfeccionismo. é isso mesmo, eu sou intragável :O)

 

* Melhor cheiro do mundo: o aroma do café, de manhã cedo. bolo de chocolate a sair do forno.

 

* Se o dinheiro não fosse problema: arranjávamos outro problema...

 

* História de infância: são tantas histórias... lembro-me de ser pequena e meu pai sentava numa poltrana para ver o telejornal, e eu sentava-me por cima dos ombros dele, por cima da cabeceira do sofá e ficava penteando o cabelo dele, a colocar lacinhos e fitas. como se ele fosse uma boneca. :O)  lembro-me das brincadeiras nos fins-de-semana, na casa da minha madrinha, quando todos os tios e consequentemente os primos se juntavam :O) tantas coisas...

 

* Habilidade como dona de casa: sem falsa modéstia, eu sou uma boa dona de casa :P

 

* O que não gosto de fazer em casa: estender a roupa no varal, mas o que tem de ser tem muita força.

 

* Frase preferida: "é ainda o teu rosto que eu procuro / através do terror e da distância / para a reconstrução de um mundo puro" da Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

* Passeio para o corpo: caminhar, no sentido literal e no sentido metafórico.

 

* Passeio para a alma: ler e escrever.

 

* O que me irrita: injustiça, de qualquer tipo.

 

* Frases ou palavras que uso muito: bem, não sei tenho alguma frase ou palavra emblemática, mas acho que ultimamente uso muito uso muito duas expressões: "olha só" e "o bagulho tá ficando frenético", culpa do meu irmão que me contagiou.

 

* Palavrão mais usado: "não há dinheiro", isso para mim é um palavrão terrível...

 

* Vou aos arames quando: quando sou injustiçada, quando sou discriminada, quando me exigem mais do que é exigido dos outros, quando me tratam com irrelevância, quando me chateiam, quando me mentem, quando... tantas vezes.

 

* Talento oculto: não me revejo em nenhum talento específico. talvez possa dizer que tenha algum jeito para fazer doces.

 

* Não importa que seja moda, eu não usaria nunca: a sério, tem alguma coisa na moda que seja interessante??? quase tudo tem um cheiro a anos 80, e digam se há alguma coisa de jeito na moda dos anos 80????? eu por lá passei e lamento muitas coisas... principalmente cortes de cabelo arrrggghhh.

 

* Queria ter nascido a saber: a cantar e a dançar bem. ter aquele talento natural. quando eu era pequenina eu sonhava ser bailarina, mas quem nunca sonhou com isso, não é mesmo?

 

 

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Bem, acho que deixo em aberto a quem quiser também entrar nesta corrente.

( cortinas que se movem )

esta lentidão da manhã que acorda. há uma tranquilidade, mesmo que aparente, nas manhãs que se levantam. paira um silêncio pela casa. uma luz meio cinzenta. uma luz meio pálida a querer entrar pela janela. um friozinho que não é bem frio, uma leve frescura. janelas abertas para arejar a casa. lençóis que se abanam para aviar as camas. loiça lavada. chão a brilhar. garganta que dói. vontade de ficar em casa. vontade de não ver o mundo. vontade que o tempo passe e não seja visto por mim. "eu, por acaso, te conheço, sr. tempo?". passa por mim e finge que não me vê - assim é melhor. o tempo, esta angústia que me massacra, é-me mais conhecido do que eu gostaria. o tempo que se desfaz, que acolhe os dias, que recolhe as horas e os sonhos silenciados. assim, o tempo por si só, em cada canto da casa. a espreitar pelos cantos e corredores. a querer se misturar ao pó do chão. aspiro-o com a convicção de quem sabe que não o pode vencer. pelo contrário, faço-o com a convicção de saber que sou vencida todos os dias. esta lentidão da manhã que acorda no tempo gasto. esta lentidão. pudesse eu reter esta lentidão e transportá-la comigo. pudesse eu ser outro alguém. pudesse eu sentir as coisas de outra forma e ser menos verdadeira. pudesse eu olhar para estas manhãs que se levantam com tranquilidade e, talvez, assim, agarrar o tempo nas minhas mãos.

( amiga, mais que uma irmã )

abro o meu orkut e vejo uma mensagem que me diz que uma grande amiga minha teve uma trombose e que esteve internada na UTI. fiquei por momentos petrificada. respiração suspensa. tive uma enorme revolta contra esta distância que nos separa. gostava de estar do lado dela e ajudá-la, nem que fosse a passar a ferro. sei lá, qualquer coisa. gostava simplesmente de estar do lado dela.

 

( te amo, Dani )

( Maitê )

Primeiro vi o "oficial" pedido de desculpas da Maitê Proença, e agora acabei de ver o tão polêmico vídeo dela que passou no programa Saia Justa. Sinceramente, meus amigos, porque o escândalo todo? Não entendo. é claro que o vídeo é ridículo. É óbvio que as palavras, postura e insinuações são de mal gosto.
Na tentativa de ser engraçada, mostra-se patética. Na tentativa de fazer uma (pseudo)comédia, aproxima-se da falta de educação.

Com franqueza, não sei o que foi mais ridículo e patético, o vídeo ou o pedido de desculpas.

 

Ela justificou aquela frase que diz "perdeste uma boa oportunidade de ficar calada".

(...)

«(...)

Hide my head I wanna drown my sorrow
No tomorrow
No tomorrow
And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I’m dying are the best I’ve ever had
I find it hard to tell you
I find it hard to take
When people run in circles its a very very
Mad world (

...)»

 

Gary Jules, Mad World

(cravado a sete chaves)

cada pessoa com os seus problemas, questões e vidas. não se pode dizer que o que tenham para dizer seja quantificável. há medida certa para as palavras? existe realmente uma contagem para aquilo que se têm a dizer? não é verdade que aquilo que concretamente sentimos e tememos é aquilo sobre o que menos falamos? está cravado a sete chaves, debaixo de muitas camadas de convenções e limitações. afinal, quem tem pachorra de ouvir? quem tem pachorra de chorar, sofrer e ajudar? não se trata de dar a opinião, de dizer "se eu tivesse no teu lugar...". isto é muito fácil. fácil demais. ouvir, chorar, sofrer e ajudar; outra matéria. características definidoras das pessoas que se definem, entre outras coisas, por serem amigos. e os amigos, são muitos poucos.