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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

( de onde vem? )

de onde vem o socorro quando parece que a solução não vai acontecer? a verdade é que a solução aparece. e apareceu mesmo. isto acontece para me provar muitas coisas. aprendo todos os dias.

( são só palavras )

esta sensação de impotência diante do inevitável. o que posso fazer por quem está em pedaços e que não quer ajuda? pelo menos, não quer a minha ajuda. não a culpo. talvez nem eu mesma quisesse a minha ajuda. dizer que tudo pode ficar bem no final são só palavras. como no refrão de uma música que não desaparece da lembrança. são só palavras. são só sentimentos. paixão incompleta. abismo.

( brilhante )

fazer as unhas ajudava-a a fugir da realidade pouco generosa do dia-a-dia. enquanto limava, tirava as cutículas e planeava qual verniz iria colocar nas unhas, esquecia um pouco do cansaço. esquecia dos vidros estilhaçados e do calor excessivo. das lâmpadas que fundem e do dever não alcançado.


esquecer era bom, agradável e libertador.


ter as unhas bem feitas também.

( tanto para dizer e outras coisas que me saltam pelos dedos )

tantas coisas têm acontecido que não sei por onde começar. pessoas que revejo sem contar. pessoas com quem eu tenho tentado recontactar. pessoas que amo de verdade e das quais preciso para viver. algumas vitórias, muitas dificuldades, alguns avanços e outras coisas que não tão fáceis de resolver. tenho visto coisas muito graves, que me fazem sentir impotente, sem ter como ajudar.


como vou ajudar e consolar uma amiga que passou pela experiência de perder alguém para a morte, facto este que lhe veio abrir um abismo profundo? eu, que já passei por isso, mas num contexto diferente, não senti nem sinto consolo. penso todos os dias na pessoa que se foi. lembro-me do seu riso e de como ela faz falta. penso como é injusto perder alguém. penso e não páro de pensar. então, sinto-me duplamente impotente. não há ninguém que poderá consolá-la. esta estrada é muito amarga.


entretanto, revejo por acaso outra amiga, que não via há 4 anos. que coisa boa, que coisa boa mesmo! foi num shopping. já tem uma filhinha linda. liiinnda. gostei tanto de vê-la que não posso explicar. rever um amigo é como se sentir em casa. é nossa segunda família (quando não é primeira). ela contou-me várias experiências que viveu num país estrangeiro e, mais presentemente, a experiência da maternidade.


uma outra amiga disse-me que sentia abandonada e isto pesou-me de uma forma incrível. poucas coisas serão piores do que alguém se sentir abandonada. uma sensação de solidão profunda. um sensação de invisibilidade. mas não estás sozinha, amiga. não estás mesmo.


o meu irmão fez ontem e vai fazer hoje também, provas importantes para a carreira dele. eu estou aqui deste "outro lado da poça" a orar por ele e a desejar que ele alcance grandes vitórias, porque ele merece.


a minha sobrinha fez ontem meio ano de vida. é absurdamente extraordinário que um pinguinho de gente revolucione completamente uma família. ela nos reacendeu a chama perdida. a nossa pequenina.


a nossa "filha adoptiva" não está em casa neste fim-de-semana e a casa parece mais vazia, mais triste e sem brilho. volta miúda, que a nossa vida sem ti fica tão sem graça....


 

( setas )

Não ando distante nem ausente, na realidade, nem sequer presente. Os dias contam-se pelos dedos e as horas já as perdi há algum tempo. Não se contam, não se transportam, não se traduzem. Eu me entrelaço nestes dias e fixo-me num calendário imaginário. Somente os meus olhos conhecem os prazos tecidos na minha mente. Nem tudo o que eu sonho irá se realizar, mas nem tudo irá cair por terra. Sim, tenho passado por dias estranhos. Dias longos. Dias que se arrastam. Dias que se entranham nos meus ossos como setas. Agudas. Noutras alturas, os dias são refrescantes; surgem do nada para me mostrar nem tudo é ruim. Então, sorrio. Fecho os olhos por segundos para ver a realidade. A minha, a nossa, tudo o que me rodeia. Não ando distante, nem ausente, nem sequer presente. Tenho vivido.