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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

( não saber ao certo o que dizer )

há notícias que se recebem que nos gelam o sangue nas veias. abro o meu correio electrónico e leio que uma querida amiga, uma verdadeira irmã, perdeu o filho. há meses tentava engravidar e quando finalmente conseguiu, por motivos de saúde, perdeu-o. quase que não teve tempo de sonhar com ele. e eu, idiota que sou, não sei o que dizer porque não sou mãe e não posso sequer imaginar o que será perder um filho. se eu sinto esta irremediável vontade de romper em lágrimas de tristeza pela perda que a minha amiga sofreu, o que sentirá ela?

o que dizer?

eu gostava de estar do lado dela, talvez encontrasse algo para dizer-lhe.

eu gostava de estar do lado dela, nem que fosse para estar calada.

é que realmente não há nada a dizer.

( caminhar em frente. não olhar para trás )

não quero estar sempre a dizer de que estou cansada, exausta, esgotada. não quero estar sempre a dizer que há dias em que o fim parece nunca chegar. nunca. mas é mesmo assim, há dias que nunca acabem. quase todos. então, a ausência da escrita e a ausência na vida dos meus amigos deve-se a isso. muito cansaço e muito trabalho.

não quero me queixar. é bom ter trabalho. não é o trabalho que eu sonhava para mim, mas eu gosto do que faço. ridículo isso? não sei. fico satisfeita de gostar e de me sentir útil. quantas pessoas podem dizer o mesmo do que fazem? é um trabalho com futuro? não sei. provavelmente não. mas a distância entre a vida e a morte é mínima. aprendi a não fazer tantos planos e a viver um dia de cada vez.