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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

( 5 MINUTOS )

Cinco minutos são suficientes para definir o prolongar dos dias. Cinco minutos explicam bem como eu vejo a vida. Cinco minutos, apenas.
Não há mais que dizer. Deixa-me reter o ar dentro do peito, suster bem a respiração, porque em cinco minutos tudo pode acontecer, mas eu sei que nada acontece.

( COISA DE AÇO )

«(...)Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida

Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.»


"Canção Excêntrica", Cecília Meireles

( SEM AR 3 )

Esta sensação de claustrofobia que permanece, como se os pulmões se fechassem para qualquer mínima tentativa de entrada de ar. Uma certeza de que por mais que se tente, a vida é isto: um nada.
Respirar? Para quê?

( TARDE DE DOMINGO )

Uma tarde para pensar em soluções, mas sem encontrar nenhuma. Chega uma altura na vida que é cansativo caminhar sem ver paragem. Viver de privações e pensar que assim se resolve tudo é uma opção válida, mas não resolve tudo. Tem de ser assim: ser racional, saber pesar as coisas e ter equilíbrio. Saber que pode não existir amanhã, mas que se deve pensar nele. Porém, não faria mal encontrar mais soluções. Solução, esta é a palavra de ordem. Aos meus olhos, esta palavra se assemelha ao código secreto para desvendar um mapa qualquer de um tesouro escondido e esquecido...

Uma tarde para caminhar em passo lento, saboreando o dia inesperadamente ensolarado e para conversarmos - temos tão pouco tempo para nós os dois (um lamento)... Três horas a caminhar sem nos cansarmos, sem pensarmos em horários, somente nós os dois. Tão banal isso, pensarão. Para mim, é o paraíso.

De mãos dadas contigo o mundo parece menos inóspido.

( ESTADO DE GRAÇA )

Espanta-me esta tua capacidade de voar como quem dança, tão belo e tão sereno. Sofres sem dar a entender e vives como quem conta os dias com lábios entreabertos, em sussurro. Não sei entender muito bem todos os teus gestos e todos os teus passos. Não sei bem. É um mistério.
Desentendo-me diariamente, reencontro-te a cada hora e nesta indecisão de factos e verbos caminhamos.

( SEM AR 2 )

Acontece que paira uma sensação de claustrofobia, parece que as paredes vão cair e que nem os braços nem as pernas sustentam o peso. Em câmera lenta.

( SEM AR )

Tenho saudades disto aqui, de escrever e de expressar. Por um lado, não tenho tido tempo. Por outro lado, tenho tido - por mais contraditório que pareça - pouca vontade de escrever. Ter este cantinho serve para purgar muitos sentimentos e reflexões, mas chateia-me profundamente que ele seja lido como fonte de informação e julgamentos. Na realidade, é culpa minha. Nunca deveria ter dito a ninguém - pessoas conhecidas minhas - que eu tinha este canto. Ele existe para mim. É ridículo, não é? Eu sei que algumas pessoas passam por aqui, conhecidas e desconhecidas, para ler o que eu escrevo; não sei se porque gostam ou não. Mas a verdade, é que quase sempre eu esqueço disso. Isso porque eu escrevo para mim. Nesta minha vida de altruísmos eu devo ter direito a um acto qualquer de egoísmo, certo? Portanto, o conteúdo deste “chᔠnão é para atingir ninguém nem para enviar recados. É o meu momento “umbigo”.
Há pouco tempo, tive vontade de terminar com este blog, porque o prazer de tê-lo estava a ser suplantado por ter que andar sempre a dar satisfações do que escrevo. Não tenho nem quero dar satisfações a ninguém. Mas porque cargas d’água eu teria de terminar com algo que me faz tanto bem a alma???? Porquê?????
Pode ser que o que escrevo sejam baboseiras repletas de erros ortográficos e de concordância; mas que se lixe, são as minhas baboseiras, são as minhas emoções, é o reflexo do meu olhar na realidade que me cerca. É a expulsão do que o meu ser carrega. Não me interessa que seja superficial ou banal. Não me interessa.
Conclusão: para já - porque nunca digo nunca - não vou terminar com este blog.

Tenho mesmo saudades disto…