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Chá de Menta

Chá de Menta

I am half agony, half hope | Jane Austen

Outras pequenas batalhas.

Ela acompanhou a escuridão da noite até ao primeiro sintoma do nascer do dia. Ouviu as gotas de chuva a cair do céu e viu-as escorrerem nas ruas, carros, janelas, telhados. Esteve toda a noite sentada no chão do quarto, a olhar pela janela, a olhar para o céu, a olhar para a chuva. Sentiu frio, mas não se incomodou.
Deixou-se estar. Deixou-se ir. Deixou-se pensar.
Os problemas não se resolvem num dia, numa noite e, decidamente, não duram toda vida. Um dia encontra-se a solução para tudo. De seguida, surgirão mais problemas. E o ciclo retoma o seu movimento. Assim é a vida.
Ela ainda estava sentada no chão quando vê o dia se erguer, começa a ver os primeiros traços de vida a passar na rua. O carro do padeiro a fazer a entrega de pão no café em frente. Um provável trabalhador com rosto ensonado apertando as golas do casaco para afastar o frio. E a chuva que ainda caía.
Permaneceu ali. Ao seu lado, a rádio tocava numa altura que só ela conseguia ouvir.
Deixou-se estar. Deixou-se ir. Deixou-se pensar.
Faltava pouco... O dia para ela também estava prestes a despontar.

O sussurro.

O SOM DOS SAPATOS - João Afonso

Penso em ti a noite inteira
numa insónia não vencida
seguir sozinho uma ideia
os lugares da tua vida

(...)

A noite já desceu à terra
no seu ventre se enrolou
pousou na melancolia
de um dia que já passou

Já te disse o que não digo
numa verdade mentira
há um som breve que vive
numa palavra que gira

Filme na tv.

Estive a ver Tempo de Matar (A Time to Kill), um filme baseado numa obra de John Grisham. Ainda não tinha visto o filme, apesar de ser um filme de 1996, o que significa que eu tive uma grande margem de tempo para poder solucionar esta falha.
Hoje tentei ir em busca do tempo perdido. Passou na televisão num horário tardio, mas valeu a pena esperar e ver.
Apesar do ar de bom rapaz do Matthew McConaughey - e é sempre agradável ver alguém que lembre o Paul Newman... - foram outros dois senhores que despertaram a minha atenção: Samuel L. Jackson e Kevin Spacey. Aprecio profundamente as actuações destes dois senhores - mesmo quando não são tão boas assim. E gostei do filme.
É verdade que o filme segue aquela típica fórmula americana: o bons vencem os maus, mesmo quando os bons fazem coisas típicas dos maus, o que deveria torná-los maus, mas até os tornam ainda melhores pessoas, já que fizeram tudo em nome da manutenção do bem... e os maus? continuam maus e pagam por isso. Uma gradual deturpação da dualidade "bem e mal". Mas isso é outra história... Voltemos ao filme em causa. É bem verdade que não é propriamente um filme intelectualmente desafiante, que não levará ninguém às profundezas da reflexão, mas foi um bom entretenimento. 

Poetinha. (2)

SE O AMOR PUDESSE
Vinicius de Moraes / Marília Medalha

Se o amor pudesse de repente compreender
Toda a loucura que um amor pode conter
Se ele pudesse, num momento de razão
Saber ao menos quanto dói uma paixão
Quem sabe o amor, ao descobrir a dor de amar
Partisse embora para nunca mais voltar
Mas me parece que uma prece ia nascer
Na voz daqueles que o amor mais fez sofrer
A lhe dizer que vale mais morrer de dor
Do que viver num paraíso sem amor

Folhas secas...

Discretamente já começam a fazer casa. Andam rasteiras. Apegam-se aos passos. Acompanham-nos nas caminhadas.
Confesso que gosto delas, das folhas secas. Folhas que abandonam árvores e pousam no chão. Acumulam-se nos cantos, nas ruas, nos jardins. Formam o seu próprio tapete, desafiando qualquer tipo de tentativa de "limpeza municipal".
Trazem uma sensação de melancolia...
Chamo-as de mensageiras do Outono: as folhas secas aparecem para relembrar-nos que o Verão já se foi, apesar do frio ainda não se ter instalado completamente.
Transmitem uma sensação de fim e, ao mesmo tempo, um despertar.
Clamam por regeneração.

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